O Título de Cidadania significa reconhecimento de mérito social, municipal. Assim a pessoa deve ter prestado serviço relevante, para o município. Não basta ocupar cargo ou função pública, executando só função gesticulante.
A previsão da outorga está na Lei Orgânica do Município e deve ser objeto de proposta de projeto de Decreto Legislativo, devidamente regulamentado no Regimento Interno, cuja expedição é de competência da Mesa, depois de aprovado por 2/3 dos membros da Câmara Municipal.
Mas, antes da verificação dessa possibilidade de concessão, espera-se que o vereador, investido da representação popular, derivada do silêncio sagrado das urnas, tenha a perfeita consciência da dignidade dos valores e dos princípios que presidem sua atuação, para que possa compreender, defender e divulgar o que se projeta para o conhecimento da população do município, e quiçá do país.
Essa singela reflexão emerge em razão de três Projetos de Decreto Legislativo, em trânsito pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto.
O primeiro deles se refere ao candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. O que teria esse cidadão realizado em benefício do município?
A sua loja de chocolates, única lá no Rio de Janeiro, teria arrecadado milhões e a suspeita é de ter sido verdadeira lavanderia de dinheiro clandestino. Como Deputado estadual, condecorou Adriano da Nóbrega, mesmo dentro da prisão, quando já era considerado o maior matador do Rio de Janeiro. Ex-policial militar, foi morto, quiçá como queima de arquivo, na Bahia, e seu corpo teria chegado ao Rio totalmente limpo de seus órgãos, para que ninguém descobrisse o percurso das balas. Ele era chefe do escritório do crime, que liquidava pessoas por preço de bagatela. O Senador, ainda, está consagrado como o rei das “rachadinhas”, aquela prática de ficar com a maior parte da remuneração dos servidores de seu Gabinete. Esse esquema era coordenado pelo não menos famoso Fabrício Queiroz, ex-membro da Polícia Militar do Rio de janeiro, exímio matador. A mãe e a mulher de Adriano foram contratadas como servidoras fantasmas do Gabinete, quando Flávio era deputado estadual. O atual Senador se converteu em pedinte de milhões e milhões para um filme do papai, condenado e preso. Revelou-se íntimo de Vorcaro do Banco Master, tratando-o carinhosamente como irmão. Mais, ainda, segundo Valdemar Costa Neto, Presidente de seu Partido (PL), o Senador Flávio foi à casa de Vorcaro, entre uma prisão e outra, para cobrar o restante dos milhões, que ele se comprometera a entregar e não entregou. Fez o que é ilícito como parlamentar com essa conduta indecorosa, pervertendo sua função parlamentar, e invadindo a regra do código penal, sobre a maldita corrupção, e o regulamento sobre a ética parlamentar, que não permite perverter função senatorial para confundi-la como atividade de corretagem.
O outro projeto refere-se ao ex-Secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, cuja prática policial pervertida está representada pela sua frase ressonante “Policial bom tem que ter no mínimo três mortes”. Além disso, afastou mais de trinta coronéis de seus postos, por terem formação e atuação democráticas que tinham e procurarem realizar dignamente suas funções.
Depois, ele saiu do governo Tarcísio e, como deputado federal, foi indicado por essa infeliz figura, Hugo Motta, Presidente da Câmara dos Deputados, para ser relator do projeto do governo sobre segurança pública. Revelou-se não entender nada da matéria, e o projeto apresentado, que durou meses e meses para ser construído, ele, em vinte e quatro horas, o substituiu por outro Relatório, que as organizações criminosas seguramente aplaudiram, já que ele pretendia inclusive abastardar a Polícia Federal, que tanta eficiência tem se revelado nessa etapa da história do Brasil, e sem interferência desse Governo Federal.
O terceiro nome é o do Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, que tem o mérito de saber ficar emoldurado e congelado.
Assim, o Título de Cidadão Ribeirão-pretano deve estar de acordo com as exigências de exemplo e de realização de atos decentes e sociais, que não são encontradas na biografia das pessoas ora em face de aprovação, já que nada serve de exemplo, nada para justificar essa honraria, que não pode ser torcida e distorcida, como mero instrumento de política puramente eleitoral e desinformativa. Ato público tem compromisso com a verdade. E o primeiro a seguir o pretendido homenageado, como verdadeiro exemplo, é aquele que subscreve a concessão de tal honraria.