O dever e o direito à informação

A Globo, esse admirável império jornalístico, que vai da imprensa escrita, falada e televisionada, tem seu atestado de má-conduta, inesquecível, com aquela contagem de votos anunciada contra o então candidato a governador Leonel Brizola, que organizara contagem paralela, e que desventrou a patifaria armada contra ele, em 1982, durante a ditadura militar.

A Globo foi obrigada, por lei, a abrir espaço para declaração contundente de Brizola, mas ela não sofreu nenhuma outra punição. Continuou a servir e desservir o Brasil. Ora, por vez, ei-la…

Na tal Lava-Jato, dominada por quintas-colunas, responsável por quatro milhões de desempregados, pela extinção de setores importantes da economia, conluiada com os Estados Unidos, o império jornalístico aceitava a história produzida pelas impolutas autoridades, sem jornalismo investigativo, e depois que a República de Curitiba foi desventrada emanando o odor da corrupção, ela não utiliza o mesmo tempo dessa nova informação para corrigir a desinformação propalada, nem mesmo quando se descobre que a Vara de Curitiba tem que explicar o destino de bilhões de Reais que ficaram sob sua custódia, e que desapareceram. O melhor que fez o Promotor e o Juiz foi se esconderem na blindagem Parlamentar, que para o Primeiro, já não adiantou, porque cassado, enquanto o Juiz, parcial, suspeito e corrupto, quer ser governador do seu Estado, que ainda não tomou consciência de quem se trata, com sua ambição desabrida.

Mas a Globo tem o liame especial com o Deltan Dallagnol, em razão daquele Powerpoint no qual dizia que Lula era chefe de quadrilha, sem provas, mas por convicção pessoal. Essa falsa convicção lhe custou 100 mil Reais, que o Supremo Tribunal Federal o condenou a pagar a Lula, por danos morais.

Agora, a Globo News repete a dose. Ela apresenta um Powerpoint supostamente artístico, durante três horas, para vincular ministro do governo e o próprio Presidente ao escândalo do Banco Master, para depois pedir desculpas pelo erro grosseiro, em comunicado de aproximadamente dois minutos. O estrago intencional é medido pelo tempo da desinformação, muito superior ao tempo da informação. E tal informação não esclarece, não aponta os nomes que realmente constam do processo de investigação dessa que é a maior corrupção da história financeira, coincidentemente são todos da extrema-direita. Por exemplo: está provado que o Bolsonaro recebeu três milhões, e o Tarcísio, dois milhões, para as respectivas campanhas, e o início da bandalheira está na gestão do Campos Neto, ex-Presidente do Banco Central, que seria Ministro da Economia, se Tarcísio fosse candidato, escolhido antecipadamente por ele, quando era suposto candidato.

Essa realidade nos leva onde se possa melhor nos esclarecer, sobre a comunicação social e o direito fundamental garantido à cidadania. A Constituição de 1988 prescreve no seu artigo 220:

“A manifestação do pensamento, como a expressão e a informação sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerá qualquer restrição, observado o disposto dessa Constituição”.

Vê-se que a desinformação é mais do que uma mera disfunção. É uma agressão violenta de consequências planetárias, no caso. Ninguém sabe o limite final da mentira, sendo impossível sua decodificação, nem tem como saber quantos assistiram durante três horas de desinformação, nem saber quantas pessoas souberam da informação nada esclarecedora.

Por isso é preciso punir, rigorosamente. Afinal, a emissora exerce função delegada de interesse público, não é propriedade particular, que ainda assim seria obrigada a cumprir a lei — informar a verdade – até o limite dela, respeitando o direito da cidadania em sabê-la.

Sobre e da guerra

Qualquer que seja o resultado dessa guerra, o mundo não será mais o mesmo, e as lições deixadas são muitas para o traçado do novo.

Primeiramente, olhando a resistência iraniana, aqui no Brasil um candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, já pediu a Trump que bombardeasse barcos com drogas, na baia de Guanabara. Qual o sentido da dignidade da soberania nacional que esse candidato revela com tal pedido? Não nos esqueçamos de que o seu irmão e um amigo, nos Estados Unidos, lutaram para que taxassem os produtos brasileiros.

Nessa linha, ante à ameaça de que organizações criminosas, como o PCC e o CV, sejam declaradas terroristas, um pretexto, maneira e forma de legitimar a invasão do território nacional por tropas norte-americanas, o governador de São Paulo declarou que tal ato facilitaria a cooperação de inteligência. O triste nessa alienação é que ele provém das forças armadas.

A primeira lição que se tira dessa guerra é o sentido de unidade do Irã, a consciência da defesa da dignidade nacional, enraizada em séculos de civilização persa. Tal unidade melhor se expande quando se martiriza assassinando seu líder político-religioso.

A soberba imperialista, cega para a realidade, supõe que todos os países são iguais, sejam os da Europa que foram colocados no altar da irrelevância, seja Venezuela ou Cuba, ou qualquer outro.

Também, a notícia que corre é que os sionistas e o poderoso lobby sionista têm muitas pessoas infiltradas nos vários escalões do governo norte-americano e até no Pentágono. Diz-se até que nesses locais há paralizações para orações, sendo que para esses fanáticos a guerra é bem-vinda, porque para eles depois do Armagedom virá o Messias. Armagedom é um termo bíblico (Apocalipse 16:16) que representa a batalha final entre Deus e as forças do mal, simbolizando o confronto decisivo entre o bem e o mal.

Se no Brasil a direita política colocou Deus e Jesus Cristo como garotos da propaganda do ódio político, das rupturas, da violência e da barbárie, e também pelas privatizações do patrimônio público (refinarias da Petrobras, Sabesp, Eletrobras), o colegiado sionista assume que ambos são dirigentes de uma espécie de Pentágono do paraíso celeste, em fase de ódio e barbárie e genocídio. A morte para eles é a contribuição pessoal, familiar e coletiva para a abastança pela chegada do Messias.

Portanto, esse clima político-religioso-guerreiro não dá nenhuma esperança de que o final da guerra está próximo, mesmo que o Armagedom não aconteça e que o Messias prorrogue a data de sua chegada na terra. O perigo é o fanatismo religioso, cego e irascível.

O povo norte americano, que em sua maioria – dizem – está contra a guerra, assistiu à demissão de Joe Kent (Diretor de Contraterrorismo), que alegou discordar da decisão de ir à guerra, já que o Irã não representava nenhuma ameaça aos Estados Unidos, e que a decisão atendeu ao que Israel queria. Trump comentou a renúncia chamando-o de “fraco em segurança”.

O impacto mundial dessa loucura maníaca é absolutamente fatal, já que o preço do petróleo não para de crescer, e a projeção disso atinge todos os ramos de atividade humana, em todos os países.

Os países da Europa, membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que se recusaram a apoiar Trump nessa maníaca guerra no Oriente Médio, foram chamados de covardes. Trump, contraditório e irascível, procurando países que possam ajudá-lo a acabar com a guerra, nada tem conseguido, pois, o Irã, surpreendente e corajosamente, diz que é ele que dirá quando a guerra deve acabar. Anos de ameaças e sanções e desconfiança fizeram com que o Irã se preparasse para essa guerra e se apresentasse para resistir.

O nome dele é Fernando Haddad

Entrevistas e debates sempre alargam o conhecimento sobre o assunto em pauta e sobre os derivativos que repercutem em cada pergunta para desafiar o interlocutor.

Quando o entrevistador representa um admirável quociente cultural diante de outro de igual nível, eis que emerge algo até raro, no panorama político-cultural da atualidade, no qual a mediocridade tem a ousadia de se apresentar como talento novo.

Circula pela internet a entrevista de Fernando Haddad dada a Breno Altman, no seu programa Opera Mundi, que, judeu, traz de sua tradição familiar um acentuado espírito crítico ante o movimento sionista, discriminador, racista, violento, fascista, e mais um espírito crítico, humanista, diante do mundo e das coisas e das pessoas.

Fernando Haddad é advogado, mestre em economia e doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), na qual é professor. O convite tinha por referência responder à competente arguição sobre seu último livro, lançado no início de 2026, Capitalismo superindustrial: caminhos diversos, destino comum”, publicado pelo grupo Companhia das Letras (selo Zahar), que confirma sua preocupação teórica e prática com o futuro possível para o Brasil e para o mundo. Intelectual, está, há tempo, na militância política, dando sempre exemplar contribuição. Observá-lo sem preconceito ideológico é encontrar verdadeira raridade no cenário político-partidário atual.

Esse tipo de debate, que fatalmente se depara com perguntas relativas aos números e estatísticas e a política do governo que representa se convence não só de sua estatura ética como também de sua competência administrativa.

Provável candidato ao governo de São Paulo, tem a oferecer o trabalho que realizou durante tão longo tempo, como Ministro da Educação, depois como Prefeito de São Paulo, depois como Ministro da Fazenda, que a oposição no início da discussão sobre o Projeto de Reforma Tributária elogiava sua capacidade de diálogo, após tanta discussão e tanta divergência com os parlamentares, culminando com a aprovação do que se tentava resolver há quarenta anos.

Como Prefeito, indiscutivelmente foi um grande Prefeito, só não sendo reeleito porque seu partido (PT) estava em sua pior fase, sob a metralha canalha da Lava-Jato, estrebuchada e exposta como centro negocial incrustado no sistema de justiça, então denominado “república de Curitiba”. É da sua gestão a criação do órgão fiscalizador que descobriu a corrupção dos fiscais, que até expunham na internet a foto dos barcos grandes e milionários que navegam pela costa brasileira.

Como Ministro da Educação, longevo naquele governo Lula, fez de sua pasta um modelo de inovação, de decência e de eficiência administrativa.

E ainda traz na sua biografia o fato de não ter nenhuma ação judicial que colocasse em dúvida a lisura e a transparência de sua gestão, nas três funções públicas que exerceu.

Se nas entrevistas políticas, como Ministro da Fazenda, sua palavra tem forte assertividade, em defesa de tudo que sua pasta propõe ou realiza, e é determinado na assertividade que denuncia o descalabro financeiro, orçamentário, administrativo e político deixados pelo governo anterior.

Esse encontro entre Haddad e Breno deve ser assistido e celebrado como a festa da inteligência militante.