5º Fórum da AFPESP

Terminado, na Unidade de lazer do Guarujá, o 5º Fórum Conjunto da Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Fiscal da AFPESP – Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo, fiquei com muita vontade de gritar: Viva a Inteligência!, pensando nessa onda tóxica que ataca a educação, a pesquisa, a inovação e as Universidades.

A natureza das palestras, seus palestrantes, criaram um mapa invisível no qual cada um se situava, no clamor silencioso, por um meio saudável, numa relação com a natureza e suas mudanças climáticas, que alvoroçam os ventos e os céus, inundando e destruindo casas, instalações, e trazendo a saudade dos tempos em que se dizia “Deus é brasileiro”, já que até então o Brasil não conhecia desastres naturais.

Esse Fórum, organizado pelo Presidente da Executiva, dr. Artur Marques da Silva, e coordenado pelo seu 2º Vice-presidente, dr. Antonio Luiz Pires Neto, se esmerou em trazer homens e mulheres cujas vidas poderiam perfeitamente atribuir conteúdo especial à temática “Horizonte Verde e Longevidade”, uma chama quase poética, que coloca o hoje de nossa vida diária na perspectiva do caminhar rápido do vento e do tempo.

O ex-deputado Fabio Feldmann trouxe seu patrimônio de homem público, que ocupa tribunas nacionais e internacionais, desde jovem, em defesa do meio ambiente saudável, na sua linguagem simples traduzida numa exposição leve, rica e densa, de absoluta força de convencimento.

O ex-vereador Gilberto Tanos Natalini, que enobrece nossa Associação sendo nosso Coordenador de Meio Ambiente, é dono da consciência, vontade e competência incansável, lúcido quanto a estar cumprindo seu papel de defensor do planeta, com o entusiasmo de quem desconhece esse tempo guloso da idade de todos, e lutando pelo paradigma da salvação planetária.

No mesmo diapasão, eis que fecha o trio, o médico Eduardo Jorge (dr. Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho), homem igualmente público, de experiência na administração e ainda como parlamentar, que fez uma extraordinária síntese da consciência, no ir e vir da história humana, com seus passos de crescimento vagaroso, para chegar à modernidade e à compreensão de sua situação planetária, e sua relação absolutamente necessária com a natureza e seus ecossistemas.

Depois, a Universidade, ameaçada de privatização, atacada com virulência pelos que nada sabem e nada querem, salvo a destruição da pesquisa, do saber, da inovação, apresentou-nos a dra.Yeda Aparecida de Oliveira Duarte, sob o tema “Longevidade na era digital”. Alerta-nos sobre o domínio de nossas vidas pelos algoritmos, que capturam o que somos, do que gostamos, para onde gostaríamos de ir, inundando-nos com ofertas imprevisíveis, habituando-nos assim à facilidade das variedades, com a extinção da prática espiritual da escolha pensada e refletida. Na verdade, não se conversa olho no olho, descobrindo a reação da interlocutora, seus olhos, a reação em sua face, o humano com o humano, mas sim a máquina com o humano desavisado, em regra. Afinal, a tecnologia digital se contenta em ser monossilábica.

E a Prof. Dra. Leny Rodrigues Kyrillos, fonoaudióloga, jornalista, vinculada ao Grupo Globo, formada pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em desenvolver a linguagem e a comunicação ao interlocutor, que deve receber e compreender claramente o conteúdo do que lhe destinamos.

Finalmente, o sr. Ademilson Damasceno discorreu sobre “Quando a tecnologia encontra o cuidado da SPPREV e o compromisso da inclusão em tempo de transformação digital”.

Evidentemente, não se falou na recente privatização do serviço médico para perícias, realizada pela SPPREV – São Paulo Previdência, sobrepondo-se ao serviço médico municipal e estadual.

Cometer-se-ia enorme injustiça não registrar, como o faço agora, o excelente pronunciamento de nossa diretora-financeira, Lizabete Machado Ballesteros que, no terreno áspero das finanças, deslizou facilmente pelas perspectivas futuras, para ultrapassarmos, vitoriosamente, os 100 anos de nosso associativismo.

Esse evento constituiu um marco de realização administrativa digno de não ser esquecido.

“Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista”

Durante e depois daquele fatídico dia 8 de janeiro, quando a inusitada turba de alienados invadiu os prédios símbolos de nosso Poder Político, causando destruição e perplexidade, não faltaram vozes que procuravam descaracterizar toda aquela armação do golpe contra a democracia, plantada ilegalmente até à porta dos quartéis, com subsistência programada e abastecida. Esse era e foi o episódio final de uma turbulência, regida pelo então Presidente da República, durante quatro anos, em que procurou desacreditar as Instituições, satanizar Ministros da Suprema Corte do país, esse Colegiado que coloca os limites legais à atuação das autoridades com pretensão autoritária e golpista.

Mesmo com essa “capivara” histórica de sabotagem à democracia, para o que valeu a desorganização de órgãos internos da administração pública federal, destinados à fiscalização das respectivas áreas, ainda assim a “inocência” ou a boa-fé de uma multidão de brasileiros ainda acreditava que tentativa de golpe não existia, porque o golpe precisaria de sangue e de armas. E não teria havido golpe, porque não houve sangue e porque fora frustrado. É incrível, mas pediram a soltura de todos, e os processos e os presos ou presas eram explicados como perseguidos gratuitos por um Ministro malvado.

Sobrevieram os processos judiciais, antes deles, a descoberta do caminhão pronto para explodir nas cercanias do Aeroporto de Brasília, o plano suspenso, no último segundo, para matar o Ministro da Justiça, o Presidente da República e o seu Vice-Presidente, e ainda a derrubada de uma torre de energia elétrica e duas tentativas para derrubar mais duas, que nunca se soube de investigação alguma sobre elas, as finanças da República desviadas para tentar ganhar as eleições, tudo não foi o bastante para estabelecer certeza coletiva de que o golpe só não foi vencedor, porque militares não aderiram e em convergência com a sociedade civil que se manifestou fortemente. Vieram as provas, os depoimentos, o direito de defesa assegurado, a justa condenação dos golpistas.

A boa fé talvez tenha sido a maior e a melhor barreira ao conhecimento da verdade golpista, que nossa imprensa episódica só foi eficaz, no início, quando a turba fez o que nunca se esperava, em Brasília.

Essa confusão articulada por quem não conseguiu sair vitorioso, misturando a idade de alguns “velhinhos” à compaixão de mulheres que pintaram e bordaram naqueles edifícios públicos, convenceu um militar da Aeronáutica que era Ministro do Governo golpista que participou da intimidade das discussões de todo o instrumental do golpe, dizendo que dele não participaria, como realmente o denunciou, mostrando seu compromisso de lealdade com seu país, e o compromisso de sua Instituição e dele mesmo ao juramento democrático que fez, e todos fazem, quando assumem uma responsabilidade de Estado.

Eis que o patriota é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica do governo golpista que no mês de setembro lançará seu livro “Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista”, pela Editora Autêntica.

Ele contará as pressões sofridas, e ainda que acertara com o Ministro da Guerra, general Freire Gomes, a tática de ganhar tempo, esticando reuniões sem nenhuma decisão. O ex-Presidente até foi advertido pelo Ministro da Guerra de que ele poderia ser preso. Também são pontuadas as desavenças com o Ministro da Marinha, que era Almir Garnier Santos.

Se o militar, que como todo servidor, presta seu juramento como defensor da pátria, assumindo essa responsabilidade gravosa, já que é a única profissão que se dispõe a colocar a vida a serviço da nação, deve ser mencionado como exemplo às gerações presentes e futuras, porque disse não no recinto fechado das salas governamentais, nas quais as pressões são mais fáceis e tangíveis. O “não” declarado por ele e pelo Ministro da Guerra não é só um ato de fidelidade à democracia, é um exemplo para seus pares, muitos dos quais padecem de uma conscientização da doutrina democrática, como do projeto para construir o Estado que queremos, soberano e livre.

A cachorrada do Milei

A convenção do PL (Partido Liberal), que tem como candidato Flávio Bolsonaro, e o rosário de ilegalidades e de violência ética das quais é lídimo portador, como lídimo representante da extrema-direita cabocla, ficou deslocada de sua finalidade, porque trouxe como apoiadores estrangeiros duas figuras abomináveis, Benjamin Netanyahu, o genocida de Israel, e o presidente esdrúxulo da Argentina, Javier Milei, que recebeu do governador Tarcísio a máxima comenda do Estado de São Paulo “Ordem do Ipiranga”.

A concessão dessa homenagem para tal figura é uma maneira pública de apodrecer o sentido meritório do qual o Estado de São Paulo se orgulhava antes, quando era normal o merecimento da concessão. Mas, desta vez, essa homenagem deveria estar e ficar para sempre no subterrâneo da vergonha nacional.

Milei, que veio sem a vestimenta governamental, foi um autêntico ícone da extrema-direita da estupidez, tal como age a extrema-direita nacional, com o xingatório que viola as normas da ética e do direito, com a mesma facilidade com que todos da mesma posição ideológica fazem em relação ao direito internacional, às resoluções da ONU e às resoluções do Conselho de Segurança, tal como fez e o faz o genocida de Israel.

Esse argentino tem uma história incomum, que revela sua estranha inspiração ligada à divindade canina, que ocupa o lugar da mulher e dos filhos de um casamento que nunca aconteceu.

Na campanha eleitoral de 2023, sua confissão de que se aconselha com seus cães talvez tenha conquistado adeptos por seu exotismo, aconselhar-se com cães…

Essa descoberta, entre ele e a linguagem canina, revelou-se depois que o cão foi adotado, ainda filhote, um mastim inglês, como membro da família, em 2004. O animal recebeu o nome de Conan, como homenagem ao personagem principal do filme Conan, o Bárbaro, de 1982. O animal morreu em 2017, com um câncer na coluna vertebral.

Milei confessa querer “abordar a eternidade” e contratou um laboratório norte-americano, por cinquenta mil dólares, para clonar a figura de seu Conan, “conselheiro canino”, que resultou em seis filhotes. Alguns receberam até o nome de ilustres economistas.

Não é possível compreender a estupidez canina da manifestação do governante argentino na convenção do Bolsonaro, contra o Presidente do Brasil e o Ministro do Supremo Tribunal Federal, ignorando essa confessada ligação do próprio com o canil da divindade canina.

Outra aparição maligna veio por via digital. Era a de Benjamin Netanyahu, o genocida, que precisa de uma e de todas as guerras, para não ser preso por corrupção, sendo que para isso até arrastou os Estados Unidos para uma guerra absurda, tão absurda que Trump confundiu até o Irã com a Venezuela.

Esse genocida, cuja valentia aérea mata mulheres e crianças a granel, cientistas e comandantes militares, atualmente parece assistir de camarote à devastação da guerra que ele provocou e da qual se julga beneficiário, enganadamente.