O Brasil está, outra vez e de maneira extraordinariamente negativa, no noticiário, até internacional, agora por conta do maior escândalo da gigantesca fraude e do gigantesco prejuízo causado pela liquidação do Banco Master.
Uma pergunta, ventilada na televisão, e que ainda não teve a devida e repetida resposta: Qual a rede político-partidária que ajudou essa expansão desmesurada desse assalto praticado de bilhões e bilhões de reais? Eles vazaram pelos esgotos da corrupção, indo até não se sabe quais bueiros, seguramente dos beneficiários diretos ou indiretos daqueles que votaram contra o Projeto do Governo, que aperfeiçoava o combate ao crime organizado. Eles queriam abastardar a Polícia Federal, que já tinha tido a ousadia de descobrir a presença investidora da maior organização criminosa do Brasil, o PCC, nos escaninhos do maior centro financeiro do país, que é a Faria Lima, na capital de São Paulo.
A presença da rede política protetora está mais do que comprovada, mediante a coincidência das maiores vítimas desse ataque desavergonhado desse crime nefando. Dentre os milhares de prejudicados, estão as Associações de Servidores Públicos Aposentados. A manchete da Folha de S.Paulo de 7 de fevereiro era “Cem Previdências de Servidores investiram em fundos do Master” e o subtítulo “Três regimes estaduais e 97 municipais compraram contas, em total de 238 bilhões”.
Essa rede de podridão estaria ligada aos mesmos partidos políticos que satanizaram e satanizam o servidor público para retirar a legitimidade do Estado social, desorganizando-o em favor da ideia lunática do Estado mínimo, que nunca existiu, em lugar nenhum da Terra?
Em breve consulta na Google, certamente com a listagem do início da apuração, apurou-se que desde Santa Rita do Oeste (PL-Bolsonaro), passando pelo Município Paulista, lá em Pernambuco (PSDB), Campo Grande (PP), lá no Mato Grosso, Araras, estado de São Paulo (PSD – Apoio Bolsonaro, Tarcísio, Michele), Rio de Janeiro (PL-Bolsonaro), Amazonas (União Brasil), Amapá (União Brasil – mesmo partido de Davi Alcolumbre), os partidos são da oposição, todos da direita.
Mais decodificadora, a revista Piauí do mês de fevereiro, em matéria longa sob o título A contaminação, apresenta os atos dos líderes dos partidos de direita, afogados nesse mar de lama. Segue o que desvenda: “A pressão política para empurrar o Master pela garganta do BRB não se limitou ao governador. Filiado ao PP, o senador Ciro Nogueira, cujo nome aparece com assiduidade, nos escândalos nacionais, é outro que transita bem entre os bancos. Está nas duas pontas. Do lado do BRB, apadrinhou a indicação de Paulo Henrique Costa para o comando do banco. Do lado do Master, propôs projeto para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, FGC, de 250 mil para 1 milhão de reais. O endereço de sua proposta era tão evidente que ganhou o apelido de ‘emenda Master’.
“O deputado Arthur Lira, ex-Presidente da Câmara, e igualmente ligado ao PP, também faz parte do pelotão para salvar o Master. Em vez de recorrer ao BRB, os dois, ex-presidente e senador, poderiam ter optado pela Caixa Econômica Federal, outro banco no qual têm influência.
“O presidente da CEF, Carlos Antônio Vieira Fernandes, foi indicado por Lira. O vice-presidente de Negócios de Atacado Tasso Duarte de Tassis, ex-assessor de Vorcaro, foi indicado por Ciro. Tassis era tão simpático ao Master que demitiu três gerentes da Caixa, que se recusaram a avalizar a compra de 500 milhões de papéis de longo prazo do Master. Em retrospecto, está claro que certos estavam os gerentes demitidos.”
A revista Piauí ainda registra que Vorcaro, em depoimento prestado à Polícia Federal, confirmou a negociação com o governador Ibaneis, para que o banco do governo, o BRB, comprasse, por 12 bilhões, papéis do Banco Master, negociação essa que o Banco Central não aprovou, decretando a sua liquidação.
A oposição, que é minoritária, na Câmara Distrital do Distrito Federal, não consegue aprovar uma CPI, apesar da natureza e do volume das fraudes e das lideranças políticas envolvida.
Para avaliar a ética de pessoas envolvidas, a Folha de S.Paulo, do mesmo dia 7 de fevereiro, estampa um exemplo de traição política explícita, noticiando: “Ciro Nogueira encontrou Lula e se ofereceu para afastar o PP do Flávio”. Propôs para garantir sua reeleição ao Senado, lá no Piauí, ameaçada por indicação de pesquisas recentes.