“Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista”

Durante e depois daquele fatídico dia 8 de janeiro, quando a inusitada turba de alienados invadiu os prédios símbolos de nosso Poder Político, causando destruição e perplexidade, não faltaram vozes que procuravam descaracterizar toda aquela armação do golpe contra a democracia, plantada ilegalmente até à porta dos quartéis, com subsistência programada e abastecida. Esse era e foi o episódio final de uma turbulência, regida pelo então Presidente da República, durante quatro anos, em que procurou desacreditar as Instituições, satanizar Ministros da Suprema Corte do país, esse Colegiado que coloca os limites legais à atuação das autoridades com pretensão autoritária e golpista.

Mesmo com essa “capivara” histórica de sabotagem à democracia, para o que valeu a desorganização de órgãos internos da administração pública federal, destinados à fiscalização das respectivas áreas, ainda assim a “inocência” ou a boa-fé de uma multidão de brasileiros ainda acreditava que tentativa de golpe não existia, porque o golpe precisaria de sangue e de armas. E não teria havido golpe, porque não houve sangue e porque fora frustrado. É incrível, mas pediram a soltura de todos, e os processos e os presos ou presas eram explicados como perseguidos gratuitos por um Ministro malvado.

Sobrevieram os processos judiciais, antes deles, a descoberta do caminhão pronto para explodir nas cercanias do Aeroporto de Brasília, o plano suspenso, no último segundo, para matar o Ministro da Justiça, o Presidente da República e o seu Vice-Presidente, e ainda a derrubada de uma torre de energia elétrica e duas tentativas para derrubar mais duas, que nunca se soube de investigação alguma sobre elas, as finanças da República desviadas para tentar ganhar as eleições, tudo não foi o bastante para estabelecer certeza coletiva de que o golpe só não foi vencedor, porque militares não aderiram e em convergência com a sociedade civil que se manifestou fortemente. Vieram as provas, os depoimentos, o direito de defesa assegurado, a justa condenação dos golpistas.

A boa fé talvez tenha sido a maior e a melhor barreira ao conhecimento da verdade golpista, que nossa imprensa episódica só foi eficaz, no início, quando a turba fez o que nunca se esperava, em Brasília.

Essa confusão articulada por quem não conseguiu sair vitorioso, misturando a idade de alguns “velhinhos” à compaixão de mulheres que pintaram e bordaram naqueles edifícios públicos, convenceu um militar da Aeronáutica que era Ministro do Governo golpista que participou da intimidade das discussões de todo o instrumental do golpe, dizendo que dele não participaria, como realmente o denunciou, mostrando seu compromisso de lealdade com seu país, e o compromisso de sua Instituição e dele mesmo ao juramento democrático que fez, e todos fazem, quando assumem uma responsabilidade de Estado.

Eis que o patriota é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica do governo golpista que no mês de setembro lançará seu livro “Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista”, pela Editora Autêntica.

Ele contará as pressões sofridas, e ainda que acertara com o Ministro da Guerra, general Freire Gomes, a tática de ganhar tempo, esticando reuniões sem nenhuma decisão. O ex-Presidente até foi advertido pelo Ministro da Guerra de que ele poderia ser preso. Também são pontuadas as desavenças com o Ministro da Marinha, que era Almir Garnier Santos.

Se o militar, que como todo servidor, presta seu juramento como defensor da pátria, assumindo essa responsabilidade gravosa, já que é a única profissão que se dispõe a colocar a vida a serviço da nação, deve ser mencionado como exemplo às gerações presentes e futuras, porque disse não no recinto fechado das salas governamentais, nas quais as pressões são mais fáceis e tangíveis. O “não” declarado por ele e pelo Ministro da Guerra não é só um ato de fidelidade à democracia, é um exemplo para seus pares, muitos dos quais padecem de uma conscientização da doutrina democrática, como do projeto para construir o Estado que queremos, soberano e livre.

A cachorrada do Milei

A convenção do PL (Partido Liberal), que tem como candidato Flávio Bolsonaro, e o rosário de ilegalidades e de violência ética das quais é lídimo portador, como lídimo representante da extrema-direita cabocla, ficou deslocada de sua finalidade, porque trouxe como apoiadores estrangeiros duas figuras abomináveis, Benjamin Netanyahu, o genocida de Israel, e o presidente esdrúxulo da Argentina, Javier Milei, que recebeu do governador Tarcísio a máxima comenda do Estado de São Paulo “Ordem do Ipiranga”.

A concessão dessa homenagem para tal figura é uma maneira pública de apodrecer o sentido meritório do qual o Estado de São Paulo se orgulhava antes, quando era normal o merecimento da concessão. Mas, desta vez, essa homenagem deveria estar e ficar para sempre no subterrâneo da vergonha nacional.

Milei, que veio sem a vestimenta governamental, foi um autêntico ícone da extrema-direita da estupidez, tal como age a extrema-direita nacional, com o xingatório que viola as normas da ética e do direito, com a mesma facilidade com que todos da mesma posição ideológica fazem em relação ao direito internacional, às resoluções da ONU e às resoluções do Conselho de Segurança, tal como fez e o faz o genocida de Israel.

Esse argentino tem uma história incomum, que revela sua estranha inspiração ligada à divindade canina, que ocupa o lugar da mulher e dos filhos de um casamento que nunca aconteceu.

Na campanha eleitoral de 2023, sua confissão de que se aconselha com seus cães talvez tenha conquistado adeptos por seu exotismo, aconselhar-se com cães…

Essa descoberta, entre ele e a linguagem canina, revelou-se depois que o cão foi adotado, ainda filhote, um mastim inglês, como membro da família, em 2004. O animal recebeu o nome de Conan, como homenagem ao personagem principal do filme Conan, o Bárbaro, de 1982. O animal morreu em 2017, com um câncer na coluna vertebral.

Milei confessa querer “abordar a eternidade” e contratou um laboratório norte-americano, por cinquenta mil dólares, para clonar a figura de seu Conan, “conselheiro canino”, que resultou em seis filhotes. Alguns receberam até o nome de ilustres economistas.

Não é possível compreender a estupidez canina da manifestação do governante argentino na convenção do Bolsonaro, contra o Presidente do Brasil e o Ministro do Supremo Tribunal Federal, ignorando essa confessada ligação do próprio com o canil da divindade canina.

Outra aparição maligna veio por via digital. Era a de Benjamin Netanyahu, o genocida, que precisa de uma e de todas as guerras, para não ser preso por corrupção, sendo que para isso até arrastou os Estados Unidos para uma guerra absurda, tão absurda que Trump confundiu até o Irã com a Venezuela.

Esse genocida, cuja valentia aérea mata mulheres e crianças a granel, cientistas e comandantes militares, atualmente parece assistir de camarote à devastação da guerra que ele provocou e da qual se julga beneficiário, enganadamente.

O movimento sionista e a deputada brasileira

Em meio à escalada militar e ao genocídio sempre inacabado, promovido pelo Estado de Israel na Palestina e no Oriente Médio, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) encabeça repugnante projeto no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 1.424/2026. Sob o pretexto de “orientar políticas públicas”, esse Projeto tenta instituir no Brasil a definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto), o que, na prática, trata-se de um projeto da mordaça impulsionado pelo lobby sionista para censurar e criminalizar qualquer crítica ao Estado de Israel.

O texto do Projeto de Lei confunde intencionalmente antissemitismo, que é o inaceitável racismo contra judeus, com o antissionismo, movimento político discriminador, violento e criminoso. Aliás, essa é a prática do regime israelense, para angariar legitimidade, inclusive explorando a compaixão mundial em razão do Holocausto nazista da 2ª guerra mundial.

Com esse projeto, a justa crítica à política discricionária do Estado de Israel, dominado pelo sionismo, ganharia uma muralha de proteção no Brasil.

Na verdade, essa tentativa legislativa pelo lobby sionista é repetida em outras partes do mundo. No entanto, o sofrimento de Gaza, com ataques classificados como crimes de guerra, está isolando Israel na opinião pública mundial, com o silêncio das elites ocidentais, e com os movimentos de ruas, tanto na Europa como nos Estados Unidos, em favor dos Palestinos. O governo estadunidense reprimiu violentamente os estudantes de famosas universidades.

Esse Projeto de lei foi subscrito por 45 deputados do PL – Partido Liberal, mais o defensor de um partido nazista no Brasil, Kim Kataguiri, do União-SP. Mais deputados do PT, como Reginaldo Lopes, Luiz Couto, Alexandre Lindenmeyer, Welter, Vander Loubet e Ana Paula Lima, e ainda a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) que depois, alertados, retiraram suas assinaturas.

Essa tentativa de amordaçar as críticas não merece ressonância alguma na imprensa tradicional, que permanece silente e omissa diante das atrocidades dos sionistas, cometidas diariamente, desde 1948. Essa omissão deliberada ignora a prática reiterada de atrocidades na qual as mulheres são mortas para não procriarem e as crianças são mortas para não crescerem, numa política de extermínio ignorada pelas nações cristãs do Ocidente.

Esse projeto não é o único que representa o atual nível do Parlamento brasileiro. Ele majoritariamente se inflete até a extrema-direita, identificada com o sionismo, passando pelas emendas parlamentares que atingem bilhões de reais, comprometendo qualquer planejamento governamental de desenvolvimento nacional.

A deputada Tabata Amaral, no exercício de seu mandato, já falhou em matéria de lealdade partidária, quando seu partido, então o PDT, fechando questão, decidira com ela um projeto de previdência social, contra o qual ela mesma votou. A lealdade com a disciplina partidária representa o eixo de uma prática política eficaz e legítima, que se desfaz com a desobediência, quando não com a traição.

Portanto, ser infiel para com os ideais democráticos, cercados pela disciplina partidária, não constitui uma boa razão para se estar com a vestimenta da representação popular.

Uma lei não pode, direta ou indiretamente, ter o efeito perverso de ferir um direito fundamental pela prática de seu exagero, que é a liberdade de opinião, especialmente quando seu efeito é esconder uma realidade tão brutal, patrocinada por um Estado que, como ocupante de terras alheias, não pode nem invocar o direito de defesa, pois esse sucumbe diante do direito de resistência exercido por um povo humilhado.