O meu livro Da palavra ao Fato veicula três artigos sob o título “O artista do Impossível”. Nele se celebra também o jornalista Claudio Bojunga, por sua excelente biografia, com esse mesmo título, sobre Juscelino Kubitschek de Oliveira (Diamantina – MG, 12/9/1902 e Rodovia Presidente Dutra, 22/8/1976). JK governou o Brasil entre 1956 e 1960, e foi o homem que introduziu a gargalhada no Poder, dizem.
O último artigo termina com a seguinte frase: “Sua morte, num acidente da via Dutra, guarda um sinal de enigma”.
A controvérsia perdurou, com a Comissão da Verdade(Lei 12.528/11/2011 e instalada em 16/5/2012), instituída pelo Governo Federal, no governo de Dilma Rousseff, sendo que depois houve a instalação (11/6/2012) da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, que concluiu em dezembro de 2013 que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não morreu em um acidente de trânsito, mas foi vítima de uma conspiração, de uma emboscada, de um atentado político urdido pela ditadura militar. A hipótese da sabotagem contestou a versão oficial.
O relatório da Comissão Municipal, que teve como Presidente o então vereador Gilberto Natalini e como seu Relator o vereador Neto Massad, juntamente com provas colhidas pelo Ministério Público Federal, e novas provas conseguidas, constituíram a base do Relatório, apresentado no dia 16 de abril de 2026, pela Comissão Especial de Mortes, com cinco mil páginas, pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, instituído pelo governo federal desde a Lei 9.140 de 4/9/1995, e que concluiu que foi mesmo vítima de atentado político, e não de um acidente de trânsito na via Dutra, quando se dirigia de Brasília para o Rio de Janeiro. Nesse Relatório, suspeita-se que esse crime integrava o planejamento da “Operação Condor”, articulada pelas ditaduras do Cone Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile) para monitorar e matar opositores.
Descobriu-se, na investigação mais atual, até a carta de famoso militar chileno, Juan Manuel Contreras, Chefe da DINA, serviço secreto do governo do general Pinochet de 1973 a 1977, carta essa dirigida ao General João Baptista Figueiredo, que era o chefe do nosso famigerado SNI – Serviço Nacional de Informação, e na qual se referia ao desaparecimento dessas lideranças. O militar chileno foi condenado, preso e degradado inclusive por ter urdido o atentado da explosão, em 21-9-1974, que matou o ex-chanceler chileno Orlando Letelier em Washington D.C, e a explosão, em Buenos Aires, do carro do general democrata chileno Carlos Prates, ex-comandante do Exército chileno e sua esposa, no governo de Salvador Allende. Contreras sempre foi ajudado pela CIA – Serviço de Inteligência Norte-Americano, até 1977, inclusive provendo-o com fundos.
O enigma da morte de JK começa a ser desvendado com a investigação sobre a parada que fizera em um hotel da Estrada Presidente Dutra (via Dutra). Esse hotel era de propriedade de um militar aposentado companheiro dos militares que compunham a “linha dura” das Forças Armadas, que boicotavam a abertura política com violência sobre violência.
E não foi por falta de aviso de que militares queriam liquidá-lo que JK caiu na emboscada. O ex-embaixador brasileiro, nos Estados Unidos, Walter Moreira Salles, segundo o jornalista Luis Nassif, que escreveu sua biografia, foi visitado por Armando Falcão, então Ministro da Justiça da ditadura, membro do antigo PSD – Partido Social Democrático, que pediu que JK fosse prevenido da intenção de alguns militares em matá-lo.
O hotel, naquele dia, estava vazio, e a reunião teria contado com alguns militares, até do brigadeiro João Paulo Burnier, que antes, e até, fora denunciado pelo plano seu de liquidar pessoas e políticos. Na sua biografia destaca-se o caso Para-Sar, que “Consistia, segundo o capitão-do-ar reformado Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, morto em 1994, em um plano terrorista elaborado por Burnier que consistiria em explodir o gasômetro do Rio de Janeiro na hora do rush e no sequestro e assassinato de 40 políticos, entre eles o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda”. Por essa denúncia contra o plano terrorista, Sérgio Ribeiro foi perseguido a vida toda, e quando conseguiu ser reintegrado, morreu sem glória. Outro crime da ditadura, agora contra o denunciante do plano criminoso.
Terminada a reunião, o motorista de JK teria perguntado à pessoa que estava no pátio do hotel se alguém mexera no carro, pois ele no volante sentira algo diferente. Mesmo assim lá se foi…
Tempo depois de ingressar na estrada, aconteceu o que a história desvendou só agora. E definitivamente.
Vitória dos bandidos fardados da “Operação Condor, formalizada em reunião secreta realizada em Santiago do Chile no final de outubro de 1975?
Agora, se sabe com certeza: ele foi assassinado mesmo.
No dia 10 de agosto, às 19 horas, a Câmara Municipal de São Paulo, em sessão solene, para “O resgate da verdade histórica”, celebrará “50 ANOS SEM JK”.