A vitória de Lula, no segundo turno, operando uma virada inédita e histórica, traz perspectiva mais do que positiva para a evolução do desenvolvimento do país.
Primeiro, a lição fundamental dessa virada. É a sublevação popular revelando o potencial de vida e de participação política da população, com a explosão inicial da juventude desencadeando o nível de criatividade em que artistas consagrados e não consagrados exibiram suas obras musicais, esparramadas nas redes sociais num volume sufocante da mentira e do vazio de conteúdo sério revelados na atuação do oponente vencido.
Realmente, o constrangimento no debate era por se ter à sua frente um autêntico miliciano, de vida política “duvidosa”, que foi recentemente defender um policial que fuzilara uma criança de cinco anos com um punhado de tiros. O candidato derrotado não explicou o porquê dessa defesa judicial, que faz um senador da República afastar-se de suas funções para exercer, como advogado, uma defesa de tal natureza. Se não foi em razão do valor de honorários, não cobrados do policial, faz surgir a dúvida quanto ao motivo, que só pode ser especial, quiçá especialíssimo, particularíssimo, e até agora oculto. Não se alegou parentesco. Então, o senador que sempre esteve próximo da milícia do Rio de Janeiro, a ponto de vincular ao seu gabinete a mulher e a mãe do famoso matador, o ex-capitão da Polícia Civil Adriano da Nóbrega, suspeito de ser vítima de morte matada, na trilha da perseguição policial, finda na Bahia. Um arquivo primoroso morto convenientemente, tal como o desaparecimento do porteiro do condomínio onde residia o pai condenado. O porteiro revelara, logo após o assassinato de Marielle, que o assassino chegara ali, à porta, querendo falar com o capitão, que alegou estar em Brasília. Houve depois a retirada da máquina da portaria, prova dessa presença após a revelação do porteiro. Não nos esqueçamos do seu convívio com os condenados pela morte de Marielle.
O ataque reiterado às regras éticas, que poderia causar sua cassação no Senado, e se o Senado fosse para valer, apresenta a variação do bacanal, no barco flutuando no Lago Paranoá, em Brasília, revelado pela Revista Piauí, no início da covid, para acerto de compra da vacina indiana, por preço maior do que o da Pfizer.
É por tudo isso que o pai condenado, na sua gestão, trocou o comando da Polícia Federal, para que filhos e amigos tivessem proteção eficaz. À época, o pai condenado declarou, quando estava em pauta a prática criminosa das rachadinhas, apurada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Elas se constituem na retirada de parte substantiva da remuneração dos servidores do gabinete do deputado estadual, em proveito do titular do mandato. O gestor era o famoso Queiroz, que circula livremente após a inútil tentativa de ingressar na carreira luminosa e rendosa da política.
A derrota foi avassaladora, mesmo com os ônibus de várias capitais retirados de circulação, para deixar o povo humilde sem possibilidade de votar, seguramente em Lula. O curto discurso do derrotado, não reconhecendo a derrota, traz a coerência da mentira e da promessa de confusão.
Ele disse que o Ministro Zanin, ex-advogado de Lula, teria infringido as regras do jogo, dilatando o prazo de votação até as 19 horas, naqueles locais para os quais teria havido o boicote dos ônibus, e que os fiscais do seu Partido teriam sido expulsos da sala do TSE após tal decisão.
Sabe-se que o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes, nomeado para o STF pelo pai condenado, tivera notícia do que estava ocorrendo em várias capitais, logo no começo da tarde, e se mantivera inerte.
As duas Coligações recorreram ao Supremo Tribunal Federal e o Presidente do STF, Ministro Fachin, submeteu o pedido à distribuição, tendo o processo ido ao Ministro Zanin. Sabe-se que Juiz não pode deixar de decidir, nem por falta de lei. Ele decidiu e o Presidente do TSE acatou e referendou a decisão.
O Tribunal Superior Eleitoral, em nota, desmentiu a alegada expulsão dos representantes do candidato derrotado, e o Ministro Zanin decidiu a questão levantada e requerida inclusive pela própria Campanha do derrotado.
O fato é que a avalanche de votos sepulta qualquer dúvida quanto ao resultado.
No final do processo eleitoral, o DNA da mentira ocupou a fala do candidato derrotado. Agora, ele terá liberdade para se defender dos processos em curso, e daqueles que estavam parados pela imunidade parlamentar, que agora não existe mais.
Eleição democrática tem também efeito profilático.