A morte é simples assim, às vezes. “Morreu dormindo”, diz a voz comovida ao telefone, lá do outro lado. Era o filho com a derradeira notícia do Antonio Calixto. Ele morreu.
E a sua Altinópolis, da trepidação política e de seu refúgio familiar, ela o atraia sempre e com frequência, e finalmente naquele dia o recebeu pela última e definitiva vez. Foi enterrado ali, com o acompanhamento de parentes, amigos, conterrâneos.
Quando se perde assim o horizonte da pessoa, volta-se naturalmente para trás, no garimpo da marca digital de quem foi e era, pois a vida é uma construção fácil de se encontrar nela os sinais da passagem. Muita vez o caminho é parceiro, outra vez é distanciado de outro, ou do seu. Mas, a convergência de um e outro é irresistível quando há amizade, esse altar de bem querer diante do qual tantas vezes as pessoas nem sabem o porquê desse singelo vínculo. São amigos, pronto! Não importa uma ou outra divergência.
Do Calixto político, vereador, deputado estadual e vice-prefeito, fica do trato pessoal à palavra elegante, sempre respeitosa, até na discordância. Da política emerge a figura da coerência na preocupação de olhar o mais pobre, que a advocacia sindical abasteceu de conteúdo.
Ele sempre esteve ao lado ou à frente de boas causas, lugar em que guardou coerência nessa simplicidade de ser coerente. Assim na vida familiar, assim na vida social, assim na vida política-partidária.
Ultimamente, víamo-nos pouco. Em cada tentativa de trazê-lo para o almoço, ele disfarçava a recusa, como se não quisesse ofender, agradecia muito, desnecessariamente, como se não estivesse bem de saúde, querendo ficar mais no seu canto, com sua Sonia, a mulher de ternura e do companheirismo de sua vida, com seu filho, nora e netos.
A morte, que é irmã siamesa do nunca mais, oferece a sensação de que a pessoa, quando morre, vai para frente, como se invadisse o infinito, de vez. E cada um que fica pensa no dia da sua invasão.
O Calixto é uma lembrança de simpatia, de amizade.
É bom lembrar-se dele.
Estimado FERES, boa tarde.
Fui pego de surpresa com a lastimável notícia da morte do amigo Calixto. Estava em viagem, não pude estar com vocês em Altinópolis para prestar-lhe a ‘última homenagem’ dentre as tantas que ele fez por merecer.
Conheci-o na “Laudo de Camargo”, em 1969 (lá se vão 48 anos!), quando ele cursava o 1º ano, eu o 2º. Desde então, foi uma amizade que teve muitas etapas de proximidade e umas poucas de distanciamento. Foi meu leal companheiro no C.A. 1º de Setembro (vivíamos aqueles ‘anos de chumbo’ e nosso C.A. era líder na formação de opinião da Massa Universitária, e você, caro Feres, já advogado, era nosso orientador jurídico, voluntariamente!
Calixto se destacava pela forma inflamada do discurso – lembra-se como ele ficava ‘vermelho’ quando falava com veemência??)
Acompanhei a vida pública do Calixto –(foi alavancado em 1982 à vice prefeito com J. Gilberto pela “fenômeno MDB do Montoro”!!!. Foi um político coerente, hoje uma rara qualidade!
Como você disse, ele teve ao seu lado a ‘doçura’ da Sonia; mulher incrível, companheira, simpática como ninguém. Que ela tenha Compreensão e Paz para enfrentar estes dias de ausência do Toninho.
Forte abraço do
Valerio
VALERIO VELONI
OAB-SP 31.207
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Você Feres, é um ser humano ímpar. Sensível quando tocado nos brios e ácido como a maçã verde , mordida na hora certa. Te admito desde sempre. Um abraço Candinha
Enviado do meu iPhone
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