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Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos Mensais: agosto 2019

Miséria moral não gera heroísmo

25 domingo ago 2019

Posted by Feres Sabino in blog

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A civilização, mesmo com os princípios de tantas e tão diferentes religiões que pregam o amor e a irmandade entre os seres humanos, como também o genuíno respeito à natureza, não conseguiu abafar o instinto de maldade e morte que espreita o impulso para sua realização, como o da estupidez.

Quando se vive num ambiente de cuidado à pacificação social, mediante a tolerância e o respeito construído por uma educação não guerreira, não miliciana, a competição entre os humanos chega a ser forte, às vezes fortíssima, mas não atinge nunca a vontade de extermínio do outro.

Quando se vive num ambiente de divulgação do ódio – inqualificável num regime democrático – ainda que incipiente, esse faz com que o instinto da maldade e da morte ganhe alento e incentivo para a destruição.

A divulgação continuada do discurso oficial do ódio, mesmo que dissimulado – ora contra pessoas ora contra instituições ou contra a natureza – ; seu fluxo, em verdade, representa a brutalidade com que esse se expande vagarosamente na sociedade, aprofundando não só a insegurança jurídica, mas contaminando a incerteza social, por meio da qual o medo sempre adere às pessoas como consequência. No início dessa etapa nebulosa, quando não se tem perspectiva de avanço, o discurso da violência dá foro de legitimidade à afirmação de que o homem continua o lobo do homem. Seu sucesso está na simplicidade com a qual resolve problemas complexos, na mentira que encarna, repetidas vezes, até que seja credenciada como verdade.

Esse fenômeno de elogio ao ódio por meio de um político, por exemplo, ganha inadvertidamente simpatia entre muitos jovens, simplesmente porque revela a capacidade de violar-se, descarada e impunemente, a lei e o pacto social que garantiriam a convivência pacífica. Afinal, nossa sociedade não vive mais sob o “imperativo categórico” da lei, com o espírito esparramado de solidariedade, uma vez que, doravante, o que está valendo é a individualidade, a capacidade de cada um, a arrogância dada pela supercomunicação e superinformação expressa por uma linguagem quase monossilábica na qual o ego se expõe na telinha do computador, como mercadoria disponível ao consumo.

O ódio não se dissemina num só relance. Ele vai caminhando, devagarinho, como que apostando no que tem de negativo no espírito de homens e mulheres, até ter seu momento de glória e sangue.

Instala-se. Só que a história, que é sempre inacabada, segue seu rumo, engolindo homens e instituições, num vagar que, contudo, inspira os sonhadores de todos os tempos, aqueles que trazem a tocha da esperança contra os representantes do ódio.

Nesse quadro de terror anunciado, a lembrança da tortura, como método de investigação do Estado terrorista, define-se como a relação que humilha o torturado e apodrece, moralmente, o torturador.

Sem a força da moral, torturador não pode ser herói, salvo na pátria dos pigmeus morais, que não é a nossa.

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O ódio como arquiteto de cadáver

13 terça-feira ago 2019

Posted by Feres Sabino in blog

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A continuação da verborragia do ódio que ora ataca instituições ora ataca pessoas civis ou militares; ora maldiz os brasileiros do Nordeste, designando-os pejorativamente de “paraíbas”, ora ataca a realidade histórica e retira dela e de seus porões a miséria moral causada pelas torturas – que elogia; ora se repete contra o meio ambiente, gerando descrédito do Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o qual registra o aumento de 278% de desmatamento na Amazônia em comparação com o mês de julho de 2018 ora confronta ou elogia os demais Poderes da República; ora enaltece o Brasil irreal dos sem fome, para desmentir-se em seguida, ora obscurece os meios de transparência da gestão governamental – que existiam; ora quebra elos de participação em órgãos então colegiados ora quer vingar-se de jornais e de jornalistas que praticam a crítica democrática. Ora, ora, ora…a continuidade dessa verborragia do ódio conduz à insegurança geral a crescente debilidade da democracia brasileira que, para um golpe final, só precisará de um cadáver. O candidato para esse sacrifício de morte matada deverá ser pessoa de proa, liderança, o que abalará de vez a ordem pública e chamará o glorioso exército para banir os maus e ficar com os bons, com seleção inicial e, depois, sem seleção, alimentando o instinto da morte do outro por qualquer motivo. De tal crime nefando a culpa será sempre da oposição.

O nosso capitão presidencial, que fora militar indesejado na corporação, hoje se vinga de generais insubmissos, como o competente Carlos Alberto de Santos Cruz (“Fábrica de crises”, Folha de São Paulo, 8/5/2019), enquanto tem sabido alisar os que lhes são aderentes silenciosos. Nesse governo já tem mais militares do que os teve o governo militar.

A ditadura ou o autoritarismo não acontece de repente. É um processo cuja antecipação delirante é causada por um cadáver ilustre, do qual o enterro é até pomposo, para que caiba no mesmo buraco a chamada democracia, que morre junto.

A sorte é que a história continua, o que significa que qualquer soberano só fica, se petrificado, para repudio eterno.

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