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Feres Sabino

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Feres Sabino

Arquivos Mensais: dezembro 2019

Natal, teimosia histórica do amor

23 segunda-feira dez 2019

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A vida é uma aventura extremamente complexa e plena para dizermos que só se aprende com ela na alegria sem a dor, no prazer sem a desgraça, no sorriso sem a lágrima, na festa sem o funeral. A vida é tudo e muito, muito mais.

Por isso, a emoção e a saudade chegam, às vezes, só com o pinçar de um nome, porque com ele vem o universo de bem-querer que esse nome nos traz, e toda experiência da vida concreta, que se viveu com ele, ou com alguém que conhecemos, ou até imaginamos como tenha vivido um dia, para que o mundo fosse mundo e nós fôssemos nós.

Feliz Natal.

Feliz Ano Novo.

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Fim de ano, não será o nosso fim

21 sábado dez 2019

Posted by Feres Sabino in blog

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A prisão de desembargador da Bahia, porque fez da magistratura o espaço igual ao de um bazar especializado em vendas de sentenças judiciais, não foi a primeira nem será a última. Não significa, porém, que devido a ela todo sistema de justiça está podre. Qualquer generalidade envolve injustamente homens e mulheres que se dedicam decentemente ao cumprimento de seu trabalho.

Mas, indiscutivelmente, o sistema de justiça do Brasil está convulsionado, sem que o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público possam fazer rapidamente o que com agilidade é preciso. E nessa pequena ou grande demora certamente tem uma pitada leve ou forte da solidariedade corporativa, que sempre encontra um desvio salvador do acusado, até que um dia, não seja mais viável …

Pior do que a prisão do desembargador como sintoma de descrédito e crise que a institucionalidade brasileira sofre, é o que se pode avaliar com a conduta do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, e do ex-magistrado Sérgio Moro, que se apresentaram como convidados ao Congresso Nacional para discutirem a prisão após condenação em   segunda instância.

O ministro do Supremo Tribunal não guardou a discrição devida, quando presidente do Superior Tribunal Eleitoral, uma vez que com outro “consultor jurídico”, Deltan Dallagnol, fizeram ambos a atenciosa palestra, em recinto reservado, no templo do poder financeiro. Ele era então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e o evento ocorreu antes das eleições que o ministro presidiria e presidiu.

Depois, disse que, no ano seguinte, ele seria o Presidente do Supremo e que iria “defender a Lava Jato”. Mas, ele não é magistrado que julga?  Afinal, antecipar voto, singularizado ou universalizado, como ocorreu, não configura motivo de suspeição e impedimento absoluto para esse julgador julgar?  Nem é preciso recordar que a tal Lava Jato está desmoralizada pela Vaza Jato, mas continua confrontando o Supremo Tribunal Federal.  De nada serviu a lição do saudoso Teori Zavascki, para quem pensa que “[…] no caso do Judiciário tem que haver uma autocontenção, importante para a democracia. O Judiciário não pode ocupar o lugar do Parlamento” (In: “Os Onze: O STF, os bastidores e suas crises”, Companhia das Letras, p.61).

Esse confronto é maléfico, mas persistente. Ainda há pouco, o iniciador e animador dessa prática perniciosa repete como ministro da justiça que “o STF ampliou percepção sobre corrupção” (Folha de São Paulo, 12 dez. 2019). Mas, do ministro Marco Aurélio recebeu elegante resposta que neutraliza a prática impune daquele que pretende desmoralizar as instituições como meio de crescer politicamente. O ministro Marco Aurélio retrucou:“Quem tem o mínimo de conhecimento técnico e ama a lei das leis, não pode ter dúvidas”. E prossegue em sua lição: “É compreensível que o leigo tenha outra percepção. Ele está indignado, quer mudança de rumos e não observa as leis, mas o técnico tem de ter um olhar fidedigno sobre a Constituição” (Folha de São Paulo,  13 dez. 2019).

No dia 11 de dezembro, Fux e Moro foram ao Congresso, como convidados, para um debate sobre a necessidade de alteração da lei que trata a prisão após a condenação em segunda instância. A rigor, a decisão do Supremo não liberaria, como não liberou, o número mentiroso de réus que a mídia e as fakes news anunciaram a granel, para não lembrar que a eventual libertação ainda se submete à superação das hipóteses legais de prisão preventiva, que o magistrado das execuções criminais deve examinar e decidir. Por isso, longe de querer alterar a lei, para novo conflito constitucional, a dupla virtuosa da certeza moral deveria se preocupar, como todos, com a vergonha das prisões brasileiras, ocupadas por 270 mil presos provisórios, ou seja, sem sentença que os faça permanecer ali, em nome da lei.

Mas a decisão do Supremo sobre a constitucionalidade da lei é para ser respeitada. Ela não autoriza ministro, mesmo que vencido na votação, sair em disfarçada campanha para conseguir que sua tese supere a maioria interna do órgão supremo do Poder Judiciário. Há ainda o desembargador do TRF-3 que criticou a decisão do Supremo Tribunal, certo da sua impunidade, que lhe confere heroica arrogância.  Há também os procuradores santarrões de Curitiba, a república blindada da perversão da lei. Atitudes não isoladas, mas frequentes na insurgência contra a institucionalidade declarada.

Quanto ao Moro, já está na hora da razão nacional assumir a gandaia jurídica que ele patrocinou, coordenando os procuradores da Lava Jato para construir a maior corrupção na aplicação das leis do judiciário brasileiro. Ele e seus comparsas precisam responder na justiça pela artilharia eleitoral que montaram para ajudar o candidato vitorioso, que lhe garantiu, antecipadamente, o espaço da visibilidade política, compatível com sua ambição desenfreada. Um oportunismo negociado sob a égide da justiça de fancaria. As revelações da Vaza Jato já são mais do que suficiente para fazê-lo retornar para casa, à espera do braço alongado de uma justiça restaurada na ética e no dever.

E isso nada tem a ver com a necessidade de se combater, permanentemente, a corrupção, todo dia, sem nenhum santo rei, mas com e pela consciência democrática organizada, imprensa livre e ministério público não miliciano. A necessidade é da limpeza ética de um Poder e de uma instituição, pontualmente conspurcados, querendo com seu ativismo substituir os outros poderes da República, na invasão indevida do moralismo caboclo, que favorece, com seu espírito vendilhão, a venda político-administrativa do patrimônio nacional, aprofundando o real problema do Brasil, que é a desigualdade social.

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Ódio ao ódio: direitos humanos

15 domingo dez 2019

Posted by Feres Sabino in blog

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O ambiente oficial do Brasil está entregue à mediocridade furiosa. Esta quer destruir não só a Amazônia, mas também os povos indígenas. Mais ainda, ela ataca a universidade, a educação, a estrutura de conselhos participativos, se postando contra o pluralismo na política interna e contra o multilateralismo de organismos internacionais. Enfim, pretende-se desossar o Estado, escolhendo como bode expiatório o servidor público.

Fiquemos nessa conceituação genérica para não se destacar a prevalência dos interesses dos países na relação pessoal de qualquer compadrismo aparente e afetado, que acentua o clima armado de preconceito e ódio, que intoxica e abala fundamentalmente a institucionalidade do país, o protagonismo dos direitos humanos de nossa Constituição, celebrada pela generosidade de nosso povo como resposta ao período pós-ditadura. Por sua vez, essa só não se encontra em recesso porque é universal e, em regra, é a expressão imanente de nossa dignidade.

Se os zeladores dos campos de concentração nazista achavam que o futuro deles era somente aquele presente sinistro e trágico, o Tribunal de Nuremberg provou que a dignidade de cada pessoa, judia ou não, não pode ser pisoteada e morta, muito menos daquela maneira coletiva e fatídica.

Pois, então. Os direitos humanos ganharam sistematização com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, por sua vez a consciência de cada época gera novos direitos, na cruzada criadora da democracia sempre inacabada.

Os direitos humanos, entretanto, se nasceram da fonte cristã, que coloca a pessoa no centro do mundo, ou se nasceram da razão humana, representam um desenvolvimento histórico-civilizatório que decepcionará quem acredita no fim da história, porque o ódio e a estupidez atuais assim o desejam.

Mas as ideias generosas de respeito e tolerância na convivência com justiça para a construção demorada e participativa da democracia necessitaram, como necessitam, da consciência, dos braços, das pernas, da fé e de fervor, para que sejam semeadas nos corações e na consciência das pessoas.

O texto transcrito em seguida, escrito por Ivo Amado Borghini em comemoração aos 71 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, celebra o inesquecível evento histórico acontecido em nossas terras e que colocou a fé de religiões distintas no fecundo campo do ecumenismo:

“No dia 22 de novembro de 2019, nos Estados Unidos, faleceu o Rabino Henry Sobel. Ao lado de d. Paulo Evaristo e do Pastor Jaime Wright, tornou-se um ícone na defesa dos direitos humanos, sobretudo quando se recusou a sepultar o jornalista Wladimir Herzog na área reservada aos suicidas no cemitério israelita. Seu gesto significou a veemente recusa à versão oficial de que ele se suicidara.”

Crê-se, pois, que na fonte convergente da fé está o desenho de uma futura convivência fraterna, que enterrará a maldade, o ódio e o preconceito por representar época ultrapassada e impossível de ressurgir. Tal é a força da esperança.

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