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Feres Sabino

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Feres Sabino

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O presidente médico

29 sábado ago 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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Nesses últimos setenta anos, o Brasil teve um único médico como presidente da República.

Seguramente, se ele vivesse, não teria receitado cloroquina para combater a pandemia que se alastrou pelo mundo, nem feito o exército nacional adquirir montanhas desse produto, com licitação dispensada, sem a motivação que é sempre obrigatória e, no caso, técnico-médico-científica. E nem precisa se lembrar de que médico tem responsabilidade de médico, segue os parâmetros da ciência, tem ética e respeito pelo outro. Estupidez supor que o médico aprecia a tortura da pessoa ou é devoto na sacristia do torturador. Em qualquer circunstância, ele defende o valor principal da existência humana, que é a vida. É o seu juramento. Como qualquer pessoa normal, reconhece sua humanidade no outro. O contrário está no altar da psicopatia.

O médico inesquecível como político, e que fora oficial da Polícia Militar mineira, foi Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Ele inoculou o vírus do sentimento de nação, despertou as melhores forças do país para o momento sorridente da integração nacional. Nasceu para a presidência, junto com o espírito da bossa nova, das novas artes, da construção gigantesca e revolucionária de Brasília. Foi homenageado com o título de “Presidente Bossa Nova”. Uma coincidência histórica está na cidade em que João Gilberto conseguiu chegar à batida musical que o consagrou. Ela foi apurada no banheiro da casa da irmã do compositor, mãe recente, que se mudara para a cidade mineira de Diamantina, cidade na qual Juscelino nasceu no dia 12 de setembro de 1902.

Inoculou no país o sentimento da conciliação entre os diferentes, civis e militares.

Sua gestão teve um início tumultuado, com duas rebeliões de militares da aeronáutica: a de Jacareacanga e Aragarças.

Tratou os revoltosos com a grandeza do estadista que ele era. Anistiou-os logo.

Apoiou o golpe às instituições democráticas, em 1964, pensando em seu retorno presidencial em 1965. Logo viu a armadilha em que caíra. Foi cassado.

Os golpistas de 1964 não suportavam sua vocação democrática. Humilharam-no na ditadura o quanto quiseram, levando-o a interrogatórios absurdos.

Proibiram-no de visitar Brasília, a cidade de sua alma e de seu coração. Para matar a saudade de sua “criança” ele viajava de carona, em caminhão, para registrar a estupidez emergente no palco do Brasil, que ele não sonhara.

Os torturadores, aparentes e simulados do golpe de 1964, negaram-lhe o direito de viajar para a França, a fim de submeter-se à cirurgia de seu câncer na próstata – a consequência para ele foi terrível. A propósito, foram os mesmos que ordenaram que o carro fúnebre do ex-presidente Jango fosse do Uruguai até São Borja em alta velocidade.

Juscelino já estava cassado, escrevendo sua crônica semanal na redação da revista Manchete quando, inesperadamente, chega o coronel que fora líder das revoltas de Jacareacanga e Aragarças. Num ato de gigantismo, humildade e de coragem moral, o militar se apresentou dizendo-lhe: “Presidente, eu venho lhe pedir desculpas”.

Antes de morrer, os plantonistas da época anteciparam a notícia de sua morte. Era só um treino. “Eles querem me matar, mas ainda não conseguiram”. Antes disso, tentavam manchar sua imagem de líder, dizendo ter amealhado a maior fortuna da europa. Os jornais divulgavam essas mentiras.

O acidente de carro que o vitimou, na Dutra, próximo à cidade de Rezende, no dia 22 de agosto de 1976, está envolto em penumbras e suspeitas de assassinato. Antes um pouco, fizera uma parada em um hotel cuja propriedade era de um militar aposentado do setor da inteligência militar. Para a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, ele foi assassinado.

Morreu, deixando um apartamento no Rio de Janeiro e um pequeno sítio, próximo a sua Brasília.

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Debater o Brasil nº 2

23 domingo ago 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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Para o livro lançado por Ciro Gomes, o Estado será o indutor do desenvolvimento, no qual a iniciativa privada será parceira, e a equação empresário-trabalhador estará imersa no meio acadêmico sob a égide da ciência e do conhecimento tecnológico. Preparar-se para o desaparecimento de muitos empregos sem esquecermos de que o trabalhador não desaparecerá com eles, devendo capacitá-los para outras e novas funções na sociedade, ou mesmo estruturando o ócio, com garantia de renda capaz de movimentar o comércio, o qual movimenta a produção, que por sua vez não emagrecerá mais e mais a receita da previdência social.

No exame crítico-histórico está o registro do Brasil com sua capacidade de criação e trabalho, responsável pelo crescimento de 1930 a 1980, a razão de 3,5% ao ano. Entretanto, a armadilha da dívida externa e seus juros aumentados unilateralmente desarrumou a economia, e a desindustrialização iniciou-se sob o olhar de tantos e todos governos que se sucederam. Por quê?

A crise de 1929 só foi superada pela política de investimentos públicos, do Estado como indutor, assim como na crise financeira de 2008, com o Estado salvando instituições bancárias nos Estados Unidos.

Quanto à estruturação do Estado, não o monopolizador, mas sim o indutor, o coordenador de políticas públicas, sendo que o aparecimento da Covid-19 abalou a organização social do mundo e desmoralizou a política neoliberal que celebra o chamado Estado mínimo contra o Estado de bem-estar consagrado na Constituição de 1988.

A fé repetida pelo Projeto de Desenvolvimento Nacional tem como raiz a riqueza de nossa diversidade cultural, sol, água, floresta, ausência de terremotos, uma língua única, num território de experiências inovadoras em curso, a criatividade de nosso povo, desorganizada, emergente.

E, politicamente, o livro recupera a contribuição do projeto trabalhista que fundou o Estado moderno brasileiro com Getúlio Vergas, historicamente seguido por Jango, Brizola, Darcy Ribeiro. No entanto, na redemocratização referiam-se com desprezo ao projeto trabalhista, que fizera o crescimento continuado do país. O fato de não terem assumido esse pensamento e a ação política própria, como continuidade atualizada do pensamento anterior, surge como ruptura que, inadvertidamente, serviu aos pregadores do livre-mercado, ou seja, mercado totalmente desregulamentado, tal como o produtor da crise cíclica de 2008.

Debater o Brasil, iniciando ou não esse debate pelo livro de Ciro Gomes, é uma necessidade de patriotas. O livro pode ser lido e comentado a qualquer momento da discussão. Mas é imprescindível. E sem compromisso de voto, se ele for candidato.

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Debater o Brasil nº 1

22 sábado ago 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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A finalidade do Estado é promover a justiça social. Mas não há justiça social sem desenvolvimento e não há desenvolvimento sem soberania.

Getúlio Vargas

Gostar ou não gostar não é a questão.

Especialmente em matéria de responsabilidade político-social, que confere densidade a um sentimento renascido de nação, tão necessário nesse momento de crise político-institucional, crise econômica-social e crise sanitária. Não se pode simplesmente não querer conhecer a radiografia do Brasil real para que o Brasil se assuma como soberano.

O gostar ou não gostar não pode ser erigido em preconceito. Precisamos de um projeto para convencer a cidadania majoritária de que é absolutamente necessário um Projeto Nacional para nos redimir.

Por que o país que mais cresceu no mundo, entre 1930 a 1980, em média de 3,5% a mais que a China e outros países asiáticos, regrediu tanto?

Para responder a essa interrogação angustiante surge o livro de Ciro Gomes, com seu “Projeto de desenvolvimento: o dever da esperança” (Editora LeYa, 2020), único de autoria de um político militante que examina histórica, econômica, social e politicamente o país, apresentando as vertentes de sua ressureição, como país-nação.

Ouve-se, frequentemente, o “não gostar” do Ciro, mas a pessoa não sabe justificar esse não gostar, como se um tóxico inibisse seu senso crítico. Seguramente não é por ser ele competente e falar bem e nunca ter sido processado por nenhum malfeito na regência do interesse público, apesar de ter sido Prefeito, Deputado Estadual Governador e Ministro da Fazenda, no governo honrado de Itamar Franco. Ou, o não gostar simplesmente porque critica a esquerda e apresenta, certo ou errado, um novo caminho para ela. Mas o Brasil não pode prestigiar nenhum tipo de exclusão, muito menos no campo das ideias, donde há de surgir o projeto da consciência redentora do país.

Ele examina o Brasil de corpo inteiro, seu passado escravista e colonial, e seu olhar para o estrangeiro, tal como atualmente o projeto contrário o faz, mediante a desossada do Estado nacional.

A questão fundamental é aceitar o debate amplo, geral, irrestrito para pensar o Brasil, partindo de uma referência sugerida pela recente publicação, ou de outra, e nesse caso o livro lançado não pode ser desprezado.

A propósito, o autor diz claramente que é esse o interesse: debater larga e profundamente a nossa realidade nesse mundo globalizado do império financeiro. O autor não acredita que um só líder possa representar a salvação. Transfere a responsabilidade de realizar a implantação do Projeto Nacional de Desenvolvimento à liderança que surja de um movimento de opinião organizado, consciente, que emerja para assumir o país, com o projeto vivificado pelo sentimento do país-nação.

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