A desgraça da Amazônia não começou com o desmonte dos órgãos de fiscalização ambiental nem com as facilidades de mineração e invasão de terras indígenas estimuladas pelos discursos presidenciais da atualidade alienada. Também não termina porque os caboclos e índios, que ocupam a região há quarenta mil anos, tivessem resolvido incendiar só agora a floresta, justamente no governo Bolsonaro. Tal declaração identificando falsamente os incendiários foi ridícula e, feita no ambiente internacional da ONU, intensificou as gargalhadas que têm tornado o Brasil o país de chacotas.
Se o presidente da república, antes de planejar explodir quartéis, quando era capitão da ativa do exército nacional, tivesse lido o livro do jornalista Gondim da Fonseca – O petróleo é nosso
-, seguramente defenderia a Petrobrás do ataque que seu governo promove para servir a interesses externos, senão escusos. Nesse livro tem uma foto, da década vinte do século passado, em que um presidente norte-americano está em pé diante do mapa do Brasil apontando justamente a Amazônia.
Outro livro – O General depõe –
tinha como epígrafe num de seus capítulos a declaração do geólogo norte-americano que advertia que “na Amazônia tem mais petróleo do que água”.
No final da década de 1940, dois diplomatas brasileiros tiveram a ideia de entregar a região amazônica a um organismo internacional formado por muitos países, e o Brasil, que tem a maior área geográfica, simplesmente a cederia, mas sem nenhum privilégio e sem direito, até mesmo, a uma cópia em português da cessão de seu território. Felizmente, esse plano foi abortado por dois discursos do deputado constituinte de 1946, Gofredo da Silva Teles, e por posição pública manifestada pelo então Ministro da Guerra.
A imprensa nacionalista, no início da década de 1950, denunciava a ameaça da internacionalização da Hileia Amazônica, e dizia que os religiosos norte-americanos que frequentavam a região não eram religiosos, mas sim que ensinaram a língua inglesa aos caciques, tal como registrado pelos militares após 1964.
Nesse clima, Getúlio Vargas, o construtor do Estado moderno do Brasil, num lance de habilidade e esperteza política, conseguiu, via aprovação legislativa, instituir o monopólio estatal do petróleo, criando a Petrobrás, símbolo da luta nacionalista de civis e militares. Hoje, a Petrobrás está se fragmentando pela privatização neoliberal corrupta. Essa ousadia getulista causou-lhe a morte heroica e sua “Carta Testamento” deveria ser estudada em todos os cursos de ensino brasileiro como documento de brasilidade e civismo em prol de projeto de desenvolvimento nacional.
No governo FHC, a espionagem revelou que a vencedora para instalar o Sistema de Monitoramento da Amazônia seria uma empresa francesa. Um telefonema de Clinton para FHC fez vingar a empresa norte-americana como vitoriosa. Tempos depois, o Secretário de Estado norte-americano veio ao Brasil, passou por São Paulo, ignorando Brasília, e foi direto ao seu feudo.
Em torno de 2010, o jornalista Bob Fernandes fez sucessivas matérias para a Carta Capital sobre oito agências de espionagem americanas que já estavam instaladas no território nacional. Para que tantas?