O cidadão Sergio Moro contaminou a legitimidade do sistema jurídico do país. Sua atuação, violando regras processuais e legais, não pode igualá-lo aos verdadeiros fora-da-lei, apontados normalmente como bandidos? Afinal, juiz é juiz. Bandido é bandido. Seu requinte de ousadia não se restringe ao desmonte das empresas nacionais, que concorriam internacionalmente, e com milhares de desempregados, expulsos da cadeia de produção ligada a elas. Essa ousadia, até com aparência de quem estava muito bem protegido, se inspirava desconfiança e suspeita no início, agora, com as revelações de documentos oficiais, nos coloca na obrigação de refletirmos sobre essa então considerada como a maior experiência de combate à corrupção converter-se no maior escândalo da história do judiciário brasileiro, que colocou o Brasil, sua posição estratégica, suas riquezas no jogo amaldiçoado da geopolítica mundial.
O protagonismo do Brasil na América Latina e na África incomodava os interesses geopolíticos da América do Norte. Era verdadeira heresia a adesão do Brasil na fundação do banco de investimento BRICS, formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, concorrente do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, domínio dos norte-americanos, e instrumento da imposição das políticas deles, como condição de liberação de dinheiro. Para não nos lembrar, saudosos, da política externa brasileira que até chegou a convencer o Irã à aceitação do plano norte-americano de controle de seu enriquecimento de urânio, mas que escandalosamente os próprios norte-americanos não aceitaram, só porque o protagonismo seria brasileiro, naquela pacificação.
O Brasil não podendo ser protagonista, como é do interesse de uma potência, como seria de qualquer outra que estivesse no lugar dela, era preciso sabotar a governabilidade do país, como vezes anteriores já aconteceu. Então, a novidade foi o trabalho ardiloso de preparar autoridades togadas para o serviço sujo de quintas-colunas.
Eis que surge Sergio Moro e seu batalhão, com o apoio de uma imprensa não investigativa, mas reprodutora de mensagens oficiais.
Aliás, esse jornal Tribuna, em 18 de maio de 2018, publicou um artigo intitulado “A verdadeira ameaça à Lava jato”, que nada mais representava senão os seus próprios abusos. Nenhuma originalidade nessa antecipação da verdade, em relação ao grupo salvacionista de Curitiba, porque os advogados e juristas registravam, até pelo noticiário dos jornais, a violação das leis brasileiras, tudo com a forçada e simpática atração dessa senhora chamada corrupção, sempre invocada pelas elites brasileiras para barrar a democratização dos direitos e benefícios sociais.
Só que a desfaçatez e a mentira têm pernas curtas, porque o que era desconfiança e suspeita, desde o início, ganhou as páginas de jornais do país e do mundo como prova. E nas revelações do The Intercept, que não foram adequada e convincentemente desmentidas, como ilícitas, são agora fortalecidas pelos áudios de voz inconfundível. Mais ainda, é preciso grifar que para fabricar tais textos, tão minuciosos, tão coerentes, tão longos, longuíssimos, tão apropriados às pessoas e aos fatos, seria preciso um genial autor, premiado muitas vezes pelo Nobel da literatura, que até hoje não existiu e não existirá, para inventar algo igual à complexidade desse absurdo.
E o escândalo explodiu mesmo. E o jornal Le Monde, recentemente, explicita em reveladora e longa matéria sobre a vassalagem dos togados envolvidos na Lava Jato aos interesses norte-americanos. Mas muito antes, o site https://pragmatismopolitico.com.br/2016/07, veiculado pelo Google, em publicação de 5 de julho de 2016, sob o titulo “WikileaKs revela influência dos EUA sobre a Lava Jato e Sergio Moro”, escrevendo no subtítulo “Documentos do governo dos EUA, vazados pelo Wikileaks revelam treinamento de Sergio Moro e mostram como os trabalhos do juiz federal e da Lava Jato sofrem influência daquele país. O informe cita ainda assessoria externa em ‘tempo real’ para os brasileiros”.
E no dia 25 de setembro de 2020, o Google ventila a matéria escrita por Cintia Alves, para o GGN, sob o título “EXCLUSIVO: 5 VÍDEOS PARA ENTENDER A INFLUÊNCIA DOS EUA NA LAVA JATO”, e de cuja matéria se destaca “Jornal GGN – Em janeiro de 2020, a GGN lançou no Youtube série inédita sobre a Influência dos Estados Unidos na Operação Lava-Jato e a formação da indústria da compliance no Brasil”.Ou ainda, o estuco veiculado pelo site https://cartamaior.com.br/Editoral, com o seguinte título: “A OPERAÇÃO LAVA JATO E OS OBJETIVOS DOS ESTADOS UNIDOS PARA A AMÉRICA LATINA E O BRASIL”.
E não se trata e não se exclui a importância de combater-se, diariamente, permanentemente, a corrupção, por pessoas e instituições. Combater sem destruir empresas, sem provocar desemprego, sem desarticular a cadeia produtiva de segmentos vitais do país.
Trata-se, sim, de assumir a posição política que a consciência de cada um ditar, não se permitindo, porém, a ignorância de uma das causas que essa conspiração revela, que impede um Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Essa é a verdadeira desgraça de qualquer desgraçado que se comprometeu ou se compromete a vender a dignidade própria e do Brasil. É ou não é um crime de lesa pátria?
Eis um fato certo e determinado para ser investigado através de Comissão Parlamentar de Inquérito.