• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos Mensais: junho 2021

Sobre o fascista da motocicleta

28 segunda-feira jun 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Meu professor de Introdução à Ciência do Direito, o inesquecível Gofredo da Silva Telles, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, proferia lições maravilhosas, com seu raciocínio lógico, claro, umedecido pela ternura de sua alma leve, que emocionava seus alunos, admiradores e quem teve o privilégio de ouvi-lo. Foi constituinte em 1946. São dele os dois discursos, depois somados à manifestação do Ministro da Guerra, que denunciaram a entrega gratuita da Amazônia a um organismo internacional, dentro do qual o Brasil não teria vertido ao português, nem a cópia da entrega vassala. Aula de filosofia, que causava vibração na alma, era a dele.

E de vez em quando emergia a expressão, que um dia ele pronunciara: “Tudo tem relação com tudo”. Portanto, no tempo e no espaço, as experiências humanas se comunicam, não se sabendo por quais canais invisíveis. “Tudo tem relação com tudo.”

Essa lição antiga emergiu, depois do passeio emblemático de motocicleta, no Rio de Janeiro, antes aconteceu outro em Brasília, do Presidente da República, acolhendo a tiracolo o estrategista de grandes combates, general Pazuello. Inadvertidamente, seu ato político sugere aos seus adeptos e seguidores que em vez de manifestações de rua, o ato-fato político deveria acontecer com passeios aglomerados de motocicletas.

Eis aí a mente humana recolhendo, lá do passado, não se sabe de que sarcófago da estupidez mussoliniana, o que sentem no espírito pervertido, e atual, para capturar a reserva da liberdade desumana. Afinal, “tudo tem relação com tudo”.

Eis que a Folha de São Paulo, na sua “Ilustrada Ilustríssima”, do dia 30 de maio último, veicula a figura patética de Benito Mussolini, na sua motocicleta, em foto ampliada, para que ninguém se esqueça de seu tempo de fascínio e glória. Nem de longe se poderia adivinhar que sua morte seria tão trágica, com seu corpo dependurado, sem motocicleta, de cabeça para baixo, naquela praça pública de Milão.

A brilhante matéria, veiculada sob o título “O fascista da motocicleta”, é assinada pelo professor da USP Fábio Palácio, que em resumo nos ensina historicamente que a motocicleta é um símbolo do ideário daquelas trevas.

“Mussolini promovia passeios semelhantes de moto.”

Ele preleciona, ainda: “A resposta pode ser encontrada nos manifestos futuristas do poeta Filippo Tommaso Marinetti. Como sabemos no início do século 20 pipocaram uma série de vanguardas artísticas que, em seu conjunto, iriam configurar o modernismo. A primeira – talvez a mais importante – foi a do futurismo. Em consonância com seu nome, esse movimento pregava oposição radical ao passado…”.

Se em outros países, o movimento ressoou em vanguardas diferentes, especificamente, na Itália, ele pendeu para o lado fascista.

E segue o professor, ligando o passado ao presente: “Sabemos que imagens de força, potência e vigor são caras aos fascistas. Elas contribuem para fixar no imaginário a ideia de ’raça superior’. Nessa visão a tecnologia é concebida como extensão do corpo humano, capaz de torná-lo mais vigoroso. É esse o significado que se oculta por trás da apologia fascista das armas e meios de transportes, como o automóvel, o avião e a motocicleta”.

“Isto quer dizer que a cultura motociclista é fascista? De maneira nenhuma. Significa apenas que o fascismo reclama essa formação cultural, como várias outras – incluindo a própria cultura motociclista”.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

De um Presidente e de outro Presidente – 2

25 sexta-feira jun 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Qualquer matéria sobre a CPI da covid-19 deve iniciar exaltando o equilíbrio e a prudência do Presidente Omar Aziz, que indeferiu o requerimento de prisão, secundado por quem a requerera, que foi o Relator Renan Calheiros, que tinha o dever de fazê-lo, diante da desfaçatez do ex-Secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten, em dedicar-se deslavadamente à mentira e à contradição espantosa com sua própria versão publicada na Revista Veja e gravada em áudio. O requerimento de prisão e prerrogativa irrecusável, até para ficar clara a possibilidade do exercício desse poder pelo Presidente da Comissão, como também avisar, didática e pedagogicamente, o risco da mentira após o testemunho de falsear a verdade.

A pergunta é: por que um Chefe de Comunicação se planta como negociador do governo, em matéria sanitária? Por que ele se reunia com os servidores do mencionado laboratório e, surpreendentemente, por que Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, participou da reunião?

Fabio disse que a reunião com a Pfizer foi para que ela o agradecesse por ter feito um ato só de resposta. Ora, isso se faz por e-mail. Ele disse ainda que da reunião não participara mais ninguém. Ele e os representantes do laboratório tão só. No dia seguinte, Carlos Murilo, Chefe Geral da Pfizer na América Latina, em depoimento desmente o ex-Secretário da Comunicação, incluindo o ingrediente inesperado: estava presente nessa reunião o filho do Presidente, vereador do Rio de Janeiro, que se dedica à destilaria do ódio.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

De um Presidente e de outro Presidente

23 quarta-feira jun 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

A Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19, instalada no Senado Federal do Brasil, se ocupa de capturar a verdade documental, testemunhal e indiciária da condução irresponsável do governo federal no agravamento da crise sanitária do país, cujo volume de mortes há muito está atraindo para si um conceito jurídico assombroso, que é o do genocídio.

Talvez, a incúria do governo central, que recusou por seis (6) vezes a oferta do laboratório Pfizer, tenha desenvolvido a maior frente de trabalho, que ele conseguiu incentivar, qual seja a dos coveiros, somada à próspera indústria dos caixões funerários.

Eis a imagem fúnebre, ajudada pelo Presidente Bolsonaro, da qual não se estranha sua atitude, porque o sentido de morte com ele supera o da vida, e não só pelas mãos armadas do povo, pois até como deputado, já se revelara cultivador e defensor da tortura, reverenciando o governo militar, do qual ele destaca, até como herói, seu torturador-mor. E a tortura é aquele método que apodrece o torturador e humilha o torturado, como vestibular da morte matada.

O Presidente obteve, ainda assim, o apoio de seus adeptos ou apaniguados, que seguramente não leram, ao menos, os livros didáticos de Elio Gaspari: 1. A ditadura envergonhada; 2. A ditadura escancarada; 3. A ditadura derrotada; 4. A ditadura encurralada e 5. A ditadura acabada. Para não dizer que a ignorância da verdade histórica dispõe, para se revogar, de centenas de outros livros, inclusive os volumes do Brasil, nunca mais, de Paulo Evaristo Arns. Mesmo assim, leu-se e se lê o absurdo do discurso atual, endossado por decisão do Poder Judiciário, segundo a qual a ditadura é uma etapa da democracia.

Nesse ambiente de crise político-institucional estimulado diariamente pelo Presidente da República, vive-se a tragédia da crise sanitária e diante dela a incompetência auto-reconhecida pelo próprio governo, porque só culpa os outros, sem saber de seus deveres constitucionais, até concorrentes com Estados e Municípios. Foi preciso o Supremo Tribunal dizê-lo. E tanto o Presidente abusou que os demais poderes, Legislativo e Judiciário, definiram a existência da Comissão Parlamentar de Inquérito, como direito da minoria parlamentar que o Presidente do Senado Federal postergava e o Supremo Tribunal Federal determinou que desse seguimento ao requerimento de sua instalação e o consequente funcionamento.

Ganha relevo primeiramente o testemunho, desastrado e mentiroso do ex-Secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Fábio Wajngarten, que semanas antes dera uma entrevista à revista Veja. Tal entrevista acabou por desacreditar de vez o ex-Secretário, que procurou contradizê-la, no entanto, o áudio da entrevista foi ouvido ali, na hora, como também foram exibidas as publicações oficiais feitas, à época, pela SECOM (Secretaria de Comunicações), que ele dirigia. Apesar disso, esse fato não pode ser considerado o auge do dia, já que isso nem coube ao pedido de prisão, em si, que foi requerida pelo Relator, e secundado por senador do Espírito Santo, professor de direito, delegado de polícia durante vinte e cinco anos que, indignado, justificava com a lei e os documentos a prisão do mentiroso que estava depondo.

Evidentemente que ele poderia sair preso, se o Presidente da Comissão decretasse. Mas o auge do dia foi alcançado pela decisão dada a esse pedido, apesar de que poderia mesmo ser decretada.

A prisão não foi decretada, conferindo-se à altiva decisão a consagração do dia: “Eu não sou carcereiro de ninguém”, dizia o Presidente da Comissão. E olhando para o depoente, prosseguia: sabe que há desdobramento dessa Comissão, que o senhor poderá ser processado, com base em recomendação do relatório final, mas mais grave do que a prisão é a perda da credibilidade que seu depoimento mentiroso lhe angariou. Qual será a consequência de sua atuação lá na escola de seus filhos?

Essa atitude do Presidente, Omar Aziz, equilibrada e prudente, carente no Brasil governamental de hoje, e que foi apoiada pelo próprio Relator, deu a densidade do respeito parlamentar, desestimulou qualquer cisão, fortaleceu sua autoridade, e se contrapôs à onda daqueles fanáticos que querem desacreditar o trabalho da Comissão, para a qual interessa a verdade, somente a verdade. Afinal, a gripezinha presidencial será um sucesso, logo chegando a quinhentos mil mortos.

Agora, estimular o bando para gritar na rua “Abaixo à verdade da Comissão, vivam nossas mentiras?”, não é suficiente para fazer o vinho tornar-se milagrosamente água.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos

Posts recentes

  • A soberania do Brasil e o espírito de vira-lata
  • A traição da fé
  • A PAZ, rediviva ou ressuscitada
  • A escumalha parlamentar na fase pré-natalina
  • Os vampiros do dia e da noite

Arquivos

  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d