Uma vez, um jovem visitou um senhor idoso que ficava sentado na varanda de sua casa, olhando seu jardim, contíguo à rua.

Era um antigo fazendeiro que entregara, há mais de vinte anos, a administração de seu patrimônio rural aos filhos, que faziam de tudo para não o preocupar com o assunto que fosse.

A visita tendia mais ao silêncio do que ao diálogo. Era uma singela homenagem feita a um homem bom, um respeito ao velho senhor.

De repente, ele falou atiçando os filhos:

— Está faltando água lá na fazenda.

— Não, pai. Não está faltando água, não. O senhor está preocupado à toa.

— Está sim. Está faltando água lá na fazenda.

— Por que o senhor está achando isso, que faltaria água na fazenda?

A resposta surpresa veio com a voz fraca e sábia:

— Toda vez que aparece, aqui no jardim, aquele inseto, é porque falta água lá na Fazenda.

Outra lição, mais recente, foi a observação do engenheiro agrônomo, diante da capa de proteção da pequena piscina de sua residência.

A capa de cor azul que a cobria, depois de dias, revela com sua retirada a presença de algas.

A capa foi trocada por uma de cor preta, e não mais surgiram as algas.

A explicação foi simples: as plantas crescem mais com a cor azul incidindo sobre elas.

Esse diálogo da natureza consigo mesma é tão ignorado quanto se torna objeto de violência e destruição por parte de homens ignorantes e insensíveis. Aliás, essa energia sutil intercomunicativa, invisível, ocorre em profusão no complexo ecossistema da natureza.

Essa maravilhosa sutileza dimensiona a brutalidade dos destruidores das plantas, das árvores e dos animais e dos insetos, que habitam as florestas. E a floresta Amazônica aparece como paradigma na estatística da estupidez, em razão do desmatamento desenfreado e recorde e com a mineração invadindo terras indígenas e reservas florestais, ignorando que é a umidade amazônica que forma as partículas de água, que ameniza o clima do sul e do sudeste do Brasil, regando a agricultura de nosso vitorioso agronegócio, com as chuvas transportadas pelos chamados “rios voadores”. Se um homem, que frequentou o mundo rural, desde criança, foi capaz de perceber o invisível diálogo com um tipo de inseto que surge para anunciar a falta de chuva em terra distante, qual é a densidade da sabedoria indígena acumulada em milhares de anos de intimidade com a natureza?