• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos Mensais: março 2022

A riqueza do pastoreio

28 segunda-feira mar 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Esse governo que cantou a bandeira da anticorrupção, como se fosse a primeira vez que a tal sereia encantada enganasse o povo brasileiro, apresenta um figurino ocupante de muitos cargos, que traz postura, quando não do uniforme militar, uma e outro próximo da benção do pastor, cuja especialidade não é a propagação da fé, mas a arrecadação do dinheiro.

Se antes a arrecadação era o treino da colheita argentária, nos templos e através dos programas de rádio e televisão, agora, o volume individual torna-se gigantesco com a consciência de exigir dinheiro considerando a produção de riqueza do local.

Por exemplo, na região daquele prefeito subordinado à intemperança religiosa do pastor abre-portas do Ministério da Educação, eis que esse especialista da colheita de dinheiro público exige um quilo de ouro.

O Ministério da Educação segue o reconhecimento das necessidades locais somente para deixar que a fome e a ganância de dois pastores se refestelem na torrente fétida da danada da corrupção.

A diferença entre essa corrupção e qualquer outra acontecida no Brasil é que essa depois de ter o bolso cheio, ou um pouco antes disso, o pastor pastoreia a possibilidade, ou o ato consumado, faz uma oração, pede que todos ponham a mão na santa Bíblia, ficando tudo esclarecido à luz da bondade infinita do grande pai.

Se eticamente é grave apossar-se indevidamente do dinheiro público, o pastor ensina que, depois da consumação, o mais importante é o arrependimento, qualquer que seja o destino do dinheiro. E já preparam o próximo golpe…

O Brasil atual, que parecer ter ficado imobilizado diante das artimanhas dos espertos em cargos públicos atuais, parece não ter se indignado com a destinação de trinta bilhões de reais ao orçamento secreto, para a compra indireta dos votos dos deputados, que destinam sua parte às suas ou às novas regiões de seus eleitores, desmontando qualquer possibilidade de atender-se de forma planejada os interesses reais da população brasileira.

Já houve o escândalo da vacina, não pelo reiterado desmentido presidencial de sua ineficiência, o que tangencia a criminalidade, mas pela descoberta daquele timinho civil e militar, que contou, sim, com aquele militar dos confins de Minas Gerais, que, na hora do expediente, estava em Brasília, arquitetando o grande golpe que a Comissão Parlamentar de Inquérito desventrou com o bisturi que lancetou a infecção do vírus malandro. Mas, não é só isso, lá estava o Pastor para abençoar o processo do assalto e o produto dele, com a exigência enérgica do arrependimento, para que o senhor do universo tudo perdoasse, deixando os meliantes com a consciência tranquila, para preparar novo golpe.

E o presidente aparece distante desse malfeito desventrado, fingindo que não é com ele, mas não pune ninguém. A roda gira e todos ficam nela.

E o andor da democracia passa pela turbulência ocasional, mas repetida, para fazer com que acreditem que a morte dela possa favorecer o sonho de fazê-la única e próspera e livre para seu povo. O nazifascismo foi enterrado por nós, será que suportaremos a sua ressurreição?

Depois que o discurso da perversão foi de que a “ditadura é uma etapa da democracia”, sem que tenha havido uma insurgência verbal vigorosa, diante de tal disparate, o marchar do autoritarismo segue no zigue-zague da história, como se ela depois dele não mais caminhasse, ficasse na etapa do fim. Seria o seu fim.

Mas o fantasma projetado pelo Tribunal Internacional alerta todo rebotalho governamental de que as garras da lei podem conduzi-lo à solitária europeia para celebrar as mortes, as torturas e os sofrimentos que promoveu, como imperador de um só momento do tempo.

Não adianta a troca de delegados e a seguidas trocas dos promotores, que perseguem a descoberta do mandante, pois o cadáver de Marielle está insepulto, no imaginário do mundo.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

Da guerra

24 quinta-feira mar 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

A guerra constitui o auge da estupidez humana. Aliás, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, o espírito dominante, ainda tomado pela brutalidade nazifascista e com a devastação das bombas de Hiroshima e Nagasaki alimentou-se da ingênua certeza de que aquela guerra fora a última delas. Não haveria mais guerras. E a divulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948), votada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, festejava essa nova era.

Antes, em 1934, em Evian, na Franca, os Estados Unidos e mais de trinta países ocidentais se negaram a receber a imigração dos judeus já perseguidos da Alemanha, o que teria evitado a morte de milhões sob o horror e a morte em massa dos campos de concentração. Essa negativa serviu de chacota nos jornais da Alemanha nazista. O fato, porém, é que com esse peso coletivo de consciência esses países aderiram fortemente à ideia da criação do Estado de Israel e do Estado Palestino, o que aconteceu na Assembleia Geral da ONU de 1946, sob a presidência do ilustre brasileiro, Oswaldo Aranha (Osvaldo Euclides de Sousa Aranha – Alegrete/1894, Rio de Janeiro/1960), que anualmente é homenageado em Israel; e em 1948 foi indicado ao Nobel da Paz.

Essa criação de dois Estados, ideia que a comunidade internacional tem reiterado, já trazia em sua origem a fonte de um mar de sangue, que jorrou com o trabalho guerrilheiro da expulsão de proprietários rurais palestinos, sendo verdade que muito antes, no tempo, o método da compra de terras palestinas constituiu um modo de ocupação.

Se as nações árabes eram contra a divisão daquele território, a consequência dessa postura é que não houve a instalação do Estado palestino, enquanto floresceu o Estado de Israel. Essa discrepância colocou o povo palestino sob brutais repressões, sendo que em Gaza é como um gueto a céu aberto.

Enquanto isso, após a guerra, o mundo estava dividido em dois blocos: o liderado pela União Soviética e o outro pelos Estados Unidos, ambos se armando com tantas bombas que destruiriam o mundo várias vezes, apesar de que para isso basta uma só destruição.

E tantas guerras aconteceram e acontecem depois disso que agora até os filhotes desavergonhados de Hitler e Mussolini surgiram ocupando cargos públicos, circulando com motocicletas, redivivos, ajuntando-se em partidos políticos e particularmente em milícias armadas ou digitais, gargalhando das instituições democráticas e lutando pela sua destruição.

Entretanto, na marcha da história, o bloco da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), acumulando contradições, se desfez (1991). Antes disso, porém, aquele agrupamento de países tinha instituído o chamado Pacto de Varsóvia (1955), como organismo militar para sua defesa; em contrapartida ao organismo do ocidente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que já fora criado em 1946, fruto da chamada Guerra Fria, e suas pronunciadas tensões ideológicas. A propósito, está lá um militar brasileiro representando o espírito vira-lata do país, que geograficamente se situa no Atlântico Sul.

Desfeita a URSS e com ela o Pacto de Varsóvia, seria natural que a OTAN perdesse o sentido e fosse extinta, como força de defesa. Mas ela passou a existir como força de ataque, fazendo guerras, instalando bases com foguetes de ogivas nucleares em alguns países, que integravam a antiga URSS, e voltados para o território russo.

Assim, a OTAN passou a ser ponta de lança da descomunal força militar então hegemônica, cultural e econômica, dos Estados Unidos. Tão grande e tão forte que se divulgou, prematuramente: o fim da história.

No entanto, a Rússia se recompõe como potência militar, e finalmente acerta uma parceira “sem limites” com a China, em documento lançado na abertura dos últimos “jogos de Pequim”.

Nesse ínterim, o Presidente da Ucrânia discursa dizendo que o país entraria mesmo na OTAN e que seria ela nuclearizada, o que equivale dizer que mísseis com ogivas nucleares estariam próximos e voltados para a Rússia. O bom senso perdeu o senso, e as potências ocidentais não souberam tratar, antes, a ameaça real para evitar o pior.

Sim, há muita dificuldade de paz negociada, pois a Ucrânia é peça importante no jogo geopolítico das grandes potências. E a União Europeia dominada pela OTAN, não tem um espírito igual ao de um De Gaule para cuidar de si mesma, sem estar curvada aos interesses dos outros, como se fossem seus.

Por isso o território da Ucrânia é um campo de batalha, oferecendo ao mundo solidário o retrato de milhões de homens, mulheres e crianças procurando um novo lar, em terra estranha, para morar e viver em paz.

Só que o mundo agora é multipolar. Não é uma só potência que dirá para onde o vento deve soprar.

E a história não tem fim, só se o mundo, e nele nós, for totalmente destruído, mesmo sendo uma única vez.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

A gerência espiritual e a CLT

14 segunda-feira mar 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Foi matéria de disputa jurisprudencial, na área da Justiça do Trabalho, durante largo tempo, definir se pastor ou padre, ou qualquer outro intermediário, entre o humano e o divino, é protegido pela lei trabalhista.

O trabalho jurídico de Roberto Garcia, veiculado no Migalhas, no dia 10 de maio de 2018, é densamente rico na revelação dessa matéria, em razão da qual se baseia esse mero destaque.

Uma premissa para tal análise é a distinção entre o obreiro que se dedica à propagação da fé, daquele que pratica atos específicos de um empregado de organização empresarial. Tal diferença já sugere que atos de natureza mercantil sejam executados por terceiros contratados, que nada tenham com o ofício da fé.

A preparação do “gerente espiritual”, além da divulgação da bíblia e do que possa enriquecê-la mediante a teologia e a filosofia, em regra ministrada em cursos universitários, inspira claramente a divisão entre o material e o imaterial, entre a finitude do ter e a imagem e semelhança do ser, na perspectiva do infinito. É um pacto claríssimo entre o humano e o divino, intermediado por um ser marcado pela vulnerabilidade do comum na natureza humana, seja pastor, padre, ou qualquer outra pessoa de qualquer confissão ou crença que exerça essa função nobre, que magnetiza frequentemente tantas pessoas.

Mas coube à Justiça do Trabalho, na procura de se saber do eventual vínculo empregatício, procurar e identificar a relação empresa-empregado, no seio do trabalho espiritual que não é só espiritual. E aí define um desvio de finalidade que chega, formidavelmente, à natureza de organização empresarial, que em si, como empresa, tem função social, mas tem uma finalidade de lucro.

O lucro, no caso, do desvio de finalidade existencial da igreja, torna-se extravagantemente imperativo, já que a contraposição entre o espiritual e o não espiritual atinge, às vezes, o padrão do inacreditável.

Mas a percuciência no campo do direito, no exame do fato, e o contrato de trabalho, que é um contrato eminentemente de fato, fez com que a Justiça do Trabalho, para decidir, ao nível de última instância, ou seja, o Tribunal Superior do Trabalho, elencasse as atividades executadas, dentre outras, pelo “gerente espiritual”, que o qualificam como empregado protegido pela lei trabalhista, a saber:

“a) os pastores precisavam estar presentes a reuniões habituais, em que eram doutrinados, treinados para as campanhas de arrecadação de receitas; b) havia horário diário definido para o exercício desse trabalho, sujeito a fiscalização e com folga semanal; c) os depoimentos revelaram a vinculação à (Igreja) Central onde ocorriam reuniões periódicas, com definição de diretrizes a serem seguidas, e para onde o autor deveria se reportar caso houvesse algum problema administrativo; d) trabalho de natureza não eventual, destinado ao atendimento das necessidades da instituição, consistia no gerenciamento da igreja, e na participação obrigatória em cultos e programas de rádio e televisão, cujo fim não era a divulgação da ideologia da instituição religiosa, mas sim de arrecadação de dinheiro, servindo a religião de meio de convencimento dos fiéis; e e) os pastores trabalhavam, na verdade, pela remuneração mensal, como vendedores da ideologia religiosa da entidade, com obrigação de atingir quotas obrigatórias de venda de revistas e jornais com subordinação a metas de arrecadação, sob pena de despedida.”

Portanto, se o obreiro se dedicar somente à propagação da fé, ele não é empregado, mas se estiver vinculado a uma igreja que o obrigue ao desvio de função, equiparando-se a uma organização empresarial, empregado ele o será, protegido pela Consolidação das Leis do Trabalho.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos

Posts recentes

  • A soberania do Brasil e o espírito de vira-lata
  • A traição da fé
  • A PAZ, rediviva ou ressuscitada
  • A escumalha parlamentar na fase pré-natalina
  • Os vampiros do dia e da noite

Arquivos

  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d