Livorno, cidade beira-mar, é a porta da região da Toscana, na Itália.
Considera-se ela, por motivo didático, o marco inicial dessa história da 2ª Guerra Mundial. Foi nesse porto que desembarcou, no dia 6 de outubro de 1944, o 1º Grupo de Aviação de Caça, criado em 23/12/1943 pelo governo brasileiro, com o então major Nero Moura como seu comandante. Depois, ele seria Ministro da Aeronáutica de Getúlio Vargas, entre 1951/1954.
Dessa cidade portuária, o grupo de militares da Força Aérea Brasileira (FAB) seguiu de trem para Tarquinia, cidade histórica e turística, também chamada cidade de Etruscos, situada no centro da Itália, e na qual se encontrava a base aérea ocupada e comandada pelos norte-americanos.
Chegou, sob um aguaceiro só, o 1º Grupo de Aviação de Caça dos brasileiros, que substituiriam os norte-americanos.
Houve solenidade militar, cerimônia formal, discursos, para essa troca de comando e de inquilinos daquela base.
O comandado militar norte-americano perfilou seus homens, e marcharam e cantaram a canção da Força Aérea Americana, virando a primeira esquina da base, e lá se foram.
Era a vez dos brasileiros. Marchar e cantar.
A perplexidade quase ficou petrificada, pois, os brasileiros precisavam, tal como os americanos fizeram, disseram e esperavam, marchar e cantar o hino da FAB.
A ordem foi dada. O major Gibson, com voz firme, dá a ordem: “Ordinário Marche”. Mas e o hino, como cantá-lo? Na verdade, há controvérsia, entre nós, já que uns dizem que não existia tal hino, outros que a grande maioria dos aviadores não o saberia cantar. E, no impasse daqueles minutos de dúvidas angustiosas e seculares, eis que um sargento, de nome Oseas, sai da fileira, contrariando o regulamento militar, e sussurra no ouvido do major Gibson:
“Mande cantar a ‘Jardineira’, que todo mundo sabe, e os gringos não entenderiam nada.”
Sugestão aceita e o major Gibson determina:
“Pela testa, canção da ‘Jardineira’, começar”. Foi a ordem imediata e forte.
A tropa toda cantou: ô Jardineira, por que estás tão triste, mas o que foi o que te aconteceu? foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu…
E foi assim que a canção do carnaval de 1938 se converteu na canção dos Aviadores do Brasil, por sugestão do sargento Oseas. “…ao final do desfile das tropas, os brasileiros foram cumprimentados pelos americanos por sua ‘canção da aviação’, qualificada como ‘vibrante, melodiosa e guerreira'”.
Hoje, em solenidade militar, quando é tocada a música carnavalesca nem todos de dentro, e quase todos de fora, sabem o significado histórico dessa música, consagrada pela FAB (Força Aérea Brasileira), no campo de batalha pela democracia no mundo.