Resenha por Rui Flávio Chúfalo Guião
Conheci Feres Sabino no Otoniel Mota e mantivemos grande e fraterna amizade desde então, amizade esta consolidada pelo convívio na mesma turma da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde aprendemos Direito, fizemos política acadêmica, preparamo-nos para enfrentar os desafios da vida.
Ele acaba de lançar o livro Da Palavra ao Fato, uma coletânea de seus escritos, de seu pensamento, de sua ação como advogado, jurista, político, poeta e prosador.
Feres Sabino nasceu na vizinha Brodowski, onde deve ter recebido as influências artísticas de Portinari, embora tenha desenvolvido suas virtudes na escrita e não na pintura. Sempre foi estudante inquieto, perguntador, nunca satisfeito com o status quo, sempre querendo descobrir uma forma de melhorar a cidade, o país, o mundo.
No Otoniel Mota, participava do Parlamento Estudantil, genial criação do Professor Lourenço Torres da Silva, onde lançava suas ideias no debate entre colegas. Líder nato, presidiu o Centro Nacionalista “Olavo Bilac”, o grêmio estudantil daquela escola, sempre procurando debater os problemas nacionais e mundiais.
Lembro-me de um dia, quando fomos todos à Praça XV de Novembro, em passeata por ele conduzida, chamando a atenção da cidade ainda meio provinciana para a vitória de Fidel Castro, na Revolução Cubana, acabando com um regime corrupto e tirano. Ainda não sabíamos o que iria se tornar a ditadura Castro.
Na Faculdade de Direito, lia avidamente obras clássicas e de novos pensamentos e se angustiava por poder fazer pouco para mudar a situação do país. Dividimos um apartamento na rua Martins Fontes durante todo o curso e estava sempre lendo, pensando soluções. Participava da política acadêmica, dos debates entre as facções da escola, numa época pré Movimento de 64.
Formado advogado e tornando-se Procurador do Estado, sofreu terrível perda de sua esposa, em desastre automobilístico, deixando-o como pai e mãe de seus filhos pequenos, a quem transmitiu seus valores familiares de respeito e de honestidade.
Alçado ao alto cargo de Procurador Geral do Estado de São Paulo, no governo Franco Montoro, implantou uma gestão severa e eficiente, solucionou vários processos que se arrastavam há anos, engrandeceu o cargo e a classe.
Voltando a Ribeirão Preto e à advocacia, enfrentou esta como sacerdócio, na defesa da Justiça, assumindo cargos públicos, como Secretário dos Negócios Jurídicos da Prefeitura Municipal de nossa cidade, onde, por seu exemplo e seu dinamismo, deixou marcada a sua gestão.
Sempre escreveu. Na imprensa local, nos jornais paulistas, em várias mídias onde podia levar sua palavra de ordem, seu pensamento, sua preocupação com o justo, bem como proferiu discursos em sua característica forma de dizer.
Parte desses escritos e destas falas é que constituem a obra ora lançada, acatando sugestão de sua esposa Kátia, que um dia lhe disse ser preciso escrever um livro para deixar para seus filhos José Feres e José Guilherme. Na apresentação deste livro, responde à própria pergunta “que lição eles poderão retirar dele? Talvez um sentido de vida. Talvez uma maneira de estar presente diante dela. Talvez encontrando o seu lugar nela, talvez sabendo que qualquer limite pode ser ultrapassado para o bem ou para o mal”.
Escritor, orador, advogado, jurista, político e grande humanista, Feres Sabino é membro da Academia Ribeirãopretana de Letras, onde dignifica o tradicional sodalício.
Rui Flávio Chúfalo Guião é Presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras