Essa foi a manchete do jornal Le Monde da França, logo após o resultado da eleição presidencial do Brasil.

Antes e depois dessa manchete, chefes de Estados do mundo todo, em número de oitenta países, congratularam-se com o presidente eleito, revelando a teia de alívio e respeito após a saída da arruaça institucional, nacional e internacional promovida pelo presidente derrotado.

Só esse fato exuberante de manifestação internacional de apreço e simpatia pelo Brasil, em razão do novo Presidente, seria suficiente para todo pensamento preconceituoso, se tomado por um minuto de lucidez e honestidade, repensar o que foi nosso país com esse governo derrotado, mas claramente resistente.

Internacionalmente, o Brasil se tornou um pária internacional, mesmo com o patrimônio histórico da diplomacia do Itamaraty tendo lançado tantas pontes de diálogo comercial e cultural e econômico com tantos países do mundo.

A diplomacia do diálogo foi substituída pela truculência verbal, sem compostura, que colocou a todos na posição de sentir “saudades do Brasil” racional, politicamente democrático, que cumpria rigorosamente o princípio da autodeterminação dos povos, para deixar que cada país escolhesse o governo que julgasse o melhor para si.

No início do governo atual, quase entramos em conflito com a Venezuela tangido por interesses geopolíticos, que logo em seguida se esfarelaram, para que os interessados diretos fizessem o que fizessem com a Venezuela, e eles nada fizeram.

A Argentina, principal parceira do Brasil na América do Sul, teve seu governo permanentemente hostilizado, desde seu período eleitoral, até e durante o governo que assumiu como vencedor. Só que a raiz da raiva do atual mandatário presidencial brasileiro é historicamente o fato da Argentina não ter anistiado os bandidos militares que infelicitaram a nação durante a ditadura, levando o ex-Presidente Videla e outras autoridades militares às barras dos tribunais e à prisão. Aliás, o filme a Argentina 1985 é um painel dessa heroica luta judiciária até a sentença condenatória exarada pela Justiça Civil. Baseado em fatos reais constitui uma lição didática, para quem sem saber o que é ditadura adota o berro de chamá-la, confundindo-a com a democracia.

O Chile foi o único a receber a visita do arruaceiro presidencial do Brasil, onde foi lá falar bem da ditadura de Pinochet, no que teve sucesso, porque despertou a rebelião popular que levou a oposição à vitória nas eleições.

Na verdade, a visita ao Chile, preterindo a Argentina, que sempre fora o destino inaugural de um novo Presidente brasileiro, deve-se certamente ao fato de que o Ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve próximo, como participante, durante a ditadura de Pinochet, de seus colegas da Escola de Chicago, preparados para a primeira experiência neoliberal, que fracassou. Aliás, as contas brasileiras, sob sua responsabilidade, contaminaram inclusive os programas sociais, a educação, a segurança pública e a cultura brasileiras.

A visita do Presidente derrotado ao Supremo Tribunal Federal, após sua pífia, curta e atrasada leitura das poucas linhas de seu telegrama-discurso, teria sido para pedir desculpas pelas ofensas, violentas, pessoais e institucionais feitas durante quatro anos? Prolongadas e gravíssimas ofensas desculpadas assim por uma rápida visita?

E os caminhoneiros, animados pelo incentivo, vagar e omissões de policiais federais, revelam uma preparação cuidadosa da arruaça, que precisa ser punida rigorosamente. E o tardio discurso para o desbloqueio das estradas só aconteceu quando centenas delas foram desbloqueadas, e ele viu que não aconteceria nada de grave para que o “meu exército” intervisse. Então apareceu a palavra, sempre atrasada, que recomendaria o desbloqueio. Curioso que sempre ele diz que cumpriu as quatro linhas da Constituição, quando se viu, assistiu, presenciou, o que nunca, antes, no Brasil acontecera, como ofensa a ela, inclusive com a frequência de palavras de baixo escalão introduzidas por ele como contribuição de bueiro. Violador da Constituição, grosseira e violentamente.

Logo após o anúncio da vitória, o governo da Noruega e o da Alemanha avisaram, como indício do “Alívio Planetário”, que liberariam o dinheiro do Fundo Amazônico, paralisado pela volúpia do desmatamento e da invasão das terras indígenas, que o governo derrotado, descaradamente, desmentia em reunião da ONU, ou fora dela.

O Brasil merece a paz interna para defender a paz mundial. Por isso a barbárie deve ser permanentemente combatida.