O nervosismo do divino mercado, que ninguém sabe quem é, aparece no sobe e desce do preço do dólar, e no vai e vem da bolsa de valores. No entanto, nada se ouviu dele sobre a informação do IBGE sobre o fato perverso de que 62 milhões de brasileiros estão na linha de pobreza.
Esse silêncio somente é registrado porque a situação brasileira e sua reconstrução necessária estão exigindo a união de todas as correntes políticas e de todos os setores da sociedade, simplesmente porque a situação das finanças brasileiras colocou todas as áreas da administração pública carentes de dinheiro, comprometendo políticas que vão da educação, cultura, inovação tecnológica até a segurança pública.
Essa situação de casa arrasada está no relatório do Tribunal de Contas da União que, pela primeira vez, realizou um trabalho prévio, que vai servir ao novo Governo, para estabelecer diretrizes e rápidas providências.
A primeira tarefa de qualquer cidadão ou homem público é trabalhar, como pode, para desintoxicar a cabeça de quem insiste em defender o indefensável, que é esse vendaval de quatro anos, que termina como a maior arruaça constitucional da história brasileira.
Nesse quadro, a ideia de se criar a figura de senador vitalício para os ex-presidentes da república cria a impressão de que, se para uns seria uma honraria desnecessária, para outros representaria um esconderijo criado, em nível constitucional, para vergonha nossa, como esse tal de orçamento secreto, que coloca de cabeça para baixo a racionalidade política do planejamento de obras e serviços, que a Constituição da República determina. Com esse planejamento as necessidades sociais, apontadas ou indicadas por deputados e técnicos, aprovadas por aqueles, são substituídas pelo direito do deputado de mandar a verba fabulosa para onde lhe convenha.
A Comissão de Transição, quando se dedica juntamente com o Congresso Nacional para garantir o benefício da Bolsa Família, mostra que o orçamento não previu o pagamento desse valor, sem o que ele não pode ser pago. Mas não é só, pois a farmácia popular está sem muitos remédios. As Universidades tiveram bloqueio de milhões. O reclamo foi tanto que ocorreu um desbloqueio por algumas horas, e o bloqueio das verbas aconteceu novamente. A Polícia Federal suspende a emissão de passaportes, por falta de milhões, recebe uma parte, faz emissões, para, logo em seguida, suspendê-la, outra vez.
Mas, para não haver acusação de cegueira política, aponta-se sucesso desse governo que ingressa na história do Brasil, como sendo aquele que não teve vergonha de declarar, logo no início, que defenderia a família e os amigos. Seu sucesso foi a política das armas, porque a fiscalização do Exército foi enfraquecida, e tantos tiveram acesso ao armamento pesado, como se fossem enfrentar as forças da lei. Lá em Minas Gerais, a estupidez realizou-se através da Prefeitura que organizou um evento e nele incluiu a exibição das armas. As crianças até manusearam granadas, num exemplo sinistro daquilo que foi despertado no país, no último quatriênio. Tem ainda a história mortal daquele garoto de 16 anos, que de posse do armamento do pai, militar, fuzilou crianças e professores na Escola, voltou para casa, guardou as armas, e almoçou. Os pregadores das armas estão certamente felizes porque a sua estupidez está sendo irradiada, alcançando pontualmente o final desenhado por ela: separação, ruptura, violência e morte.
Não registremos as mortes dos que levaram às últimas o seu ódio político, invadindo festa alheia para matar, ou daquelas discussões descompassadas e fatídicas.
O Brasil se descobriu violento, em setores. E teremos nesse Século XXI o dever de continuar a evangelização pela Paz, entre os irmãos, que somos.