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Feres Sabino

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Feres Sabino

Arquivos Mensais: julho 2023

O dom e o tom do nosso Dom Camilo

10 segunda-feira jul 2023

Posted by Feres Sabino in blog

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Recentemente, a Academia Brasileira de Ortopedia e Traumatologia escolheu quarenta profissionais ilustres, como ato de reconhecimento pelo que fizeram e fazem em suas vidas, e com eles compor a sua galeria de homenageados. Dentre eles inscreveu-se o nome de Camilo André Mércio Xavier, 96 anos. O escolhido teria de apontar o nome de alguém que lhe fora um norte, para paraninfar sua cadeira; e o fez, escolhendo o nome do professor José Paulo Marcondes de Souza, que foi seu mestre na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, e depois seu companheiro e sucessor na Chefia do Departamento de Biomecânica, Medicina e Realização do Aparelho Locomotor.

Aqui, a personalidade de Camilo se expõe como a primeira virtude que assinala o bom caráter seu e de todos os que a revelam: é virtude da gratidão. E, como se não bastasse a escolha, convidou o filho, Ricardo Marcondes, como testemunha ocular dessa história.

Mas, se isso é um bom início, o que realmente nos tocou a alma, naquela sexta-feira, lá no auditório do Centro Médico de Ribeirão Preto, foi o lançamento de mais um livro de Camilo Xavier, sob um título originalíssimo: “Pausas Para Não Parar”.

Camilo, médico aposentado, 96 anos, suavemente nos propõe, através da poesia, a vida inacabada e incansável de quem pode criar, expressar e sonhar, independentemente da idade.

O poeta confirma a natureza infinita da alma humana, sendo que das entrelinhas sai uma certeza incomparável: a de que poetas e artistas são arrastados, no dia a dia, do torvelinho diário pela força do infinito. Disse-o ao artista plástico e professor Miguel Ângelo Barbosa, que ouviu, permaneceu em silêncio, sabendo que quem se cala consente.

“Pausas Para Não Parar” pode ser interpretada como a história do caminhante do deserto, que encontra seu fiapo de água corrente, que ameniza ou mata temporariamente sua sede.

Só que a sede na simbologia da poesia é a ânsia do conhecimento, do saber, da harmonia, da justiça, da paz e do amor, impelido pelo infinito, que une pessoas e povos, pela força da amizade, ora por vez, traduzida como forma de respeito.

“Pausas Para Não Parar” é a confissão do poeta que não está cansado da vida, que não se amedronta com a diminuição do seu horizonte, e que revela que em qualquer plano do trabalho humano existe para cada um somente uma verdade: sempre há uma missão a cumprir.

Se age consciência de missões que se seguem, após o final de cada uma, o intelectual se coloca como verdadeiro operário de cada construção, que se projeta em benefício de uma coletividade, que tanto precisa dessa energia criadora como incentivo. O exemplo é o projeto da Incubadora Cultural, criado por ele em 2013, adotado pela USP, para conscientizar estudantes das redes públicas sobre a importância da leitura e da escrita, descobrindo novos talentos. A 17ª Feira Internacional de Paraty incluiu na sua pauta uma palestra sobre essa inovação.

O Camilo tem uma sorte incomum, talvez culpada por sua sensibilidade que tanto provoca seu espírito criativo, ele é cercado de mulheres por todos os lados, a esposa Nilze, as filhas e as netas.

Mas ele diz, para cada um de nós, no final de seu último poema:

“Você troca tudo

Até o amor fecundo

Para entrar no outro Mundo”,

quando a energia, voltando a ser a essência da essência fica disponível para novas missões, no universo insondável das estrelas.

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Construtores e as plantas vitoriosas

03 segunda-feira jul 2023

Posted by Feres Sabino in blog

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Estou com um débito de “obrigado” para com duas pessoas: o empresário Luiz Octavio Junqueira Figueiredo e Adriana Silva, ambos de Ribeirão Preto.

Aliás, o “obrigado” é usualmente tão leve, apesar de sincero, que não esgota a gratidão, que fica expressa.

Afinal, ele, assinando um elegante cartão, e ela, enviaram-me três livros, os três prefaciados por ele, e dois coordenados por ela, quando não se apresenta com a maioria dos textos, como o das Histórias de Vida – homens e mulheres que marcaram seu tempo (São Franciso Gráfica e Editora, 1ª Edição, 2020) reunindo personagens e as suas marcas digitais deixadas em várias profissões, por exemplo, a do jornalista Antônio Machado Santana, Embaixador de Ribeirão Preto, a de Candido Portinari – o gigante menino de Brodowski, o texto sobre o Prof. Zeferino Vaz e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a narrativa sobre Nelson Rockefeller – A agricultura do Brasil Agradece, o texto de Maurílio Biagi – De semeador do sertão a formador de homens, a narrativa sobre Saulo Ramos, o jurista poeta. No texto de Candido Portinari a dupla é com Mônica Oliveira.

Os dois outros volumes inclusos na denominação “Café com açúcar” são de autoria da Adriana Silva, e o outro “Café com açúcar” é assinado por Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa e Sandra R. Molina, que celebram as plantas que mudaram o rumo dos ventos econômicos, familiares e pessoais, de tantas famílias, cujos nomes de seus descendentes podem servir de curiosidade à captura da histórica construção, sempre vagarosa, daquilo que se tornou imensas plantações do café, depois com a sucessão das torres das usinas de cana-de-açúcar.

Nossa cidade tem muitos historiadores. Não conheço todos, mas posso citar Júlio José Chiavenato, Rubem Cione, José Antônio Lages, Thomas W. Walker e Agnaldo de Santos Barbosa, sendo que destes últimos a obra é traduzida por Mariana Carla Magri.

Mas nessa plêiade o nome de Adriana Silva, particularmente ela, e as pessoas que trabalharam nesses livros estão alinhadas na primeira linha dos valores culturais que enaltecem nossa cidade e região.

Quando reservo o particularmente para Adriana Silva é por mérito dela, já que, no íntimo e nas cercanias dos livros dela e de outros escritos seus, que não são poucos, respira-se um ar de realidade histórica permanentemente. Basta o seu programa semanal que relata o nascimento, a construção, os costumes, o trabalho, os artistas e sua produção, a economia, os museus, os monumentos e os prédios históricos de cada cidade de nossa região administrativa. Uma vez ouvi, em seu programa radiofônico, o seu testemunho direto de uma cidadezinha do Rio Grande do Sul nesse garimpo incansável de desvendar completamente o ontem.

Afinal, escrever sobre a história das pessoas e das cidades não representa sugestão para que se saiba só de datas e nomes. Escrever sobre essa história é trazer à luz a sociologia do período, que pontua as lutas coletivas através do esforço individual, de pessoas distinguidas com essa força de liderança que sabe ser ora condutor, ora conduzido, ou incentivador, ou incentivado. Vigora em cada painel dos livros a força de realização que uma época produziu, como sua marca, em tais e quais relações sociais que nela imperaram. Escrever sobre a história das pessoas e das cidades é revelar o que prevaleceu como fruto do amor à vida, e o caminho que cada caminhante caminhou no seu caminho.

Por fim, celebro essa dupla, cada um a seu modo, Adriana e Luiz, que se dedicam a deixar gravado, nas paredes do presente, a construção de nosso passado.

O ato gerador do agradecimento data de meses. Justo assim que se aplique o índice subjetivo do equivalente a uma correção, que não é, nem pode ser, monetária.

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