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Feres Sabino

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Feres Sabino

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Município Verde

11 segunda-feira set 2023

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Se a tragédia fosse, por si mesma, um fator de consciência assumida para fazer preventivamente o que for necessário para preveni-la ou evitá-la, não teríamos mais guerras, o fenômeno mais expressivo da estupidez humana, depois da continuada desigualdade social, que arrasta o sofrimento de milhões de famintos no mundo, diariamente.

Mas precisamos sempre retirar dela, a tragédia, ao menos, as melhores lições, como da desgraça atual que arrasa o estado do Rio Grande do Sul, que antes fora atacado por seca arrasadora, agora por um aguaceiro, que definitivamente coloca o Brasil no mapa dos ciclones e furacões.

Lá, a água que antes subia dois centímetros, nas ruas centrais das cidades, chegou a quatro metros, mesmo no centro delas. Seguramente, é a revolta da natureza desgastada pela atuação generalizada do ser humano, que não escolhe espaço para alimentar sua ambição predatória. E essa revolta exibe as mudanças climáticas.

É a água, é o vento, é a terra, é o mar. Tudo com a intoxicação do agir do humano, para poluir a água, que contamina o vento, que envenena a terra e o mar. Não só pelo consumo crescente, como pelo cultivo com agrotóxicos, liberados a granel, como o vento que sabe lá quantos vírus traz dos desmatamentos das florestas, ou quando aquela grande floresta foi simplesmente encoberta pelas águas da Usina construída.

Essa onda de desgraças que deve abalar cada um de nós, até pela força da solidariedade, que nem sempre é forte para superar os interesses econômicos e políticos de potenciais guerreiras, e, por isso, nesse caso, conduz um alento de esperança. Tanto que nos faz sugerir para o nosso pequeno espaço municipal alguma política pública motivada por tais mudanças climáticas, que nos atingem indistintamente, onde quer que estejamos.

Seguramente, nossos políticos e nossas autoridades locais já pensaram em converter o nosso espaço territorial, urbano e o que resta do rural, em Município Verde, para copiar o que o município de Paragominas, no Pará, um dia, por volta de 2007, adotou, em diálogo com a sociedade civil, acabar com o desmatamento desenfreado da floresta amazônica, convertendo-o em prática de sustentabilidade, que se foi importante como foi, não o foi o bastante para ser generalizada e absoluta, permanentemente.

Mas o nosso Município Verde, que no caso seria de Ribeirão Preto, e no caso pode ser da Região Metropolitana, tem chão para todo tipo de inteligência criadora dominada por vontade política férrea.

A água, por exemplo, entregue, naturalmente, ao benefício de tê-la como lençol freático o Aquífero Guarani, que atravessa o país até outros países, merece não só do Poder Público a determinação de protegê-la, como a conscientização da sociedade sobre o porquê de sua importância, que desperta tanta ambição imperialista desejosa de ter sua titularidade mandona, já que a água já está sendo disputada como butim de guerras, que promete mais desavenças no futuro. Por que aproveitar as águas do rio Pardo, o que causara de efeito perverso, se tanto, aos municípios a jusante? Qual efeito terá, se terá, no regime dos peixes?

E as árvores, quantas e quais precisariam para recobrir o espaço da cidade. Só no centro da cidade, há anos, seriam necessárias oitocentas árvores, disseram-me.

O Horto Florestal de Ribeirão Preto, há vinte anos, era registrado na reportagem de Júlio Chiavenato como fornecedor diário de dez mil (10.000) mudas. Hoje, não se sabe quantas são produzidas, e ele foi transferido de lugar, sem a devida divulgação, já que a população tem direito de sabê-lo.

Mas não percamos a esperança, porque a realidade está cada vez mais gravosa, e talvez tenhamos, um dia, a Câmara de Vereadores discutindo profundamente cada aspecto de nosso meio ambiente, vivenciando os poderes que a investidura do cargo lhe dá, sem parecer que para problema sério o melhor é servir de estafeta do Ministério Público.

E para a mobilização permanente da sociedade civil, especialmente através das Associações de Classe, poder-se-á ter campanha eleitoral com os candidatos a prefeito e vereadores como agentes da realidade ambiental, a matéria do dia e da noite de todos os cidadãos.

Município Verde é a proposta para um governo. É uma proposta para uma campanha eleitoral, que se avizinha. Mas não se precisa aguardar tal ato-fato.

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A ética molenga do Brasil

04 segunda-feira set 2023

Posted by Feres Sabino in blog

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A democracia brasileira, antes da brutalidade expansiva do dia 8 de janeiro, no evoluir de seu processo de construção, que é sempre inacabada, dizíamos que ela era incipiente. E, por mais resistência das Instituições aos ataques diretos e indiretos que sofria, sofre e sofrerá, a verdade é que seu interior, e vagarosamente, ela está corroída, por uma ética molenga, que quando não disfarça, encobre e muitas vezes blinda quem deva ser punido, pelo ato pedagógico do exemplo.

O “jeitinho” brasileiro é o filho bastardo da ética bastarda que é a ética molenga. Aqui, nesse espaço gigantesco de território e riqueza, vigora o sequestro da riqueza material e do ato que demonstra amor devotado ao ilícito.

Com a maior desfaçatez, nosso Poder Legislativo, tomado por um conservantismo de bitola estreita, fortalecido pelas fabulosas emendas parlamentares, pratica uma chantagem permanente, para dificultar a ação do governo.

As Forças Armadas, cientes de sua queda de prestígio perante a opinião pública, declara a dificuldade legal que tem para punir quem deva ser punido como militar. Um exemplo, é que o militar expulso participe da “gang” do poder, e sua mulher receba todos os direitos da remuneração. No entanto, assiste à exibição do fardado silencioso, mas falsário, na Comissão Parlamentar de Inquérito, sem dizer que não pode usar a farda, pois sua simbologia não corresponde nem se iguala e mistura com atos de patifaria. A ideia lançada para recuperar o prestígio é instituir a Associação dos Amigos dos Militares. Tal entidade, diante da grave ocorrência de janeiro às portas dos quartéis, sob a benevolência suspeita, significa na prática colocar para dentro dos quartéis o que ficara de fora, inclusive e depois com xingamentos da massa abrutalhada e violenta. É preciso ato de determinação, de transparência favorável à democracia e às urnas, porque a armadilha, governamental e militar contra elas, foi estonteantemente desventrada e exposta à vergonha pública. Não pode se dirigir ao povo com comunicados duvidosos, como se o dever da Instituição não fosse claro, como se a exigência de dignidade da conduta militar não fosse determinante e obrigatória. Esse modo duvidoso tem sido o mantra militar, mesmo em relação aos generais envoltos com a corrupção deslavada e com a traição de seu juramento. Prestígio e credibilidade só emergem dos atos que correspondam à decência do juramento com os sinais externos da profissão, como a farda. No entanto, permita-se a repetição: sempre a palavra de dúvida, da acomodação e de advertência despropositada à cidadania, em tom de ameaça subliminar, numa clara sujeição à ética molenga.

O Supremo Tribunal Federal admite que Magistrado julgue ação na qual seu filho, ou pai, ou mulher, integre e supostamente trabalhe no escritório que patrocina tal ação. Abre-se, até, a possibilidade para incluir-se só o nome do parente, onde possa ser lido para angariar cliente. Mas a imparcialidade é adversária da ética molenga. A imparcialidade exige, por si, um esforço quase heroico do Magistrado para que esse ato seja projetado com transparência absoluta. Agora mesmo, os larápios togados de Curitiba, que furtaram a dignidade do Poder Judiciário e do Ministério Público, por abusos reiterados e crimes, ainda não responderam por seus delitos, e a opinião pública que recebeu a notícia de que dois bilhões de Reais estariam desaparecidos, ficou indignada, mas sem saber o que realmente aconteceu. O que se tem de prático é que o Juiz Appio, que começou a colocar o bisturi no câncer encoberto, aberto por Sérgio Moro, foi transferido da Vara sem que a motivação fosse real, e a independência do Magistrado tem a garantia constitucional da inamovibilidade, ou seja, não pode ser transferido, salvo por vontade própria, ou em decorrência de processo em que seja garantida a ampla defesa. Não, tudo indica que essa garantia constitucional ganhou o prêmio da ética molenga, e estabeleceu um precedente de facilidade perigosa. Difícil não ver nisso uma penalidade aplicada em quem age dignamente, sem o devido processo legal.

Um Magistrado de primeira instância absolvera a Presidente Dilma, que foi objeto de impeachment. O Tribunal Regional Federal confirmou a sentença absolutória, que significa não ter existido “pedaladas fiscais” como crime. E nos lembremos de que o Supremo Tribunal Federal não julgou o óbvio do golpe, que viria. E naturalmente causou um frisson na Câmara dos Deputados, já que um parlamentar entende que se deve fazer uma devolução simbólica do mandato a Dilma. Mas esse ato seria um desprestígio para o Congresso Nacional, só que é esse ato coletivo que dá a medida exata da enganação nacional, que levou honestos e desonestos e aproveitadores a embarcarem, por motivo subalterno, na barca furada da violação constitucional. Está claro que a ética molenga aceita qualquer situação para deixar seu dono ou com dinheiro, ou com autoridade, ou em posição próxima de onde circula dinheiro grande.

Nossa imprensa não se desculpa da enganação que divulgou, sem que tenha investigado a versão dos larápios de Curitiba, com toda devastação que causou no mundo jurídico e político. Tão descuidada ela é que, no dia seguinte à redução do preço da gasolina, ela entrevistava gerentes de postos do Brasil inteiro, para saber se já estavam praticando os novos preços, ignorando o natural estoque comprado na vigência dos preços antigos. Ou quando fala nas telas que o Lula “viaja muito”, sem demonstrar os motivos relevantes para o Brasil, e sem comparar com a mediocridade ostensiva do ex-Presidente, que colocou o país no isolamento internacional e no ridículo de sua atuação pessoal.

Essa ética molenga que emerge invadindo corações e consciências só não pode causar um cansaço desesperançado do país.

Os praticantes da ética molenga ficarão no fosso da história, como nossa certeza no futuro do país.

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