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Feres Sabino

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O Brasil e as bitolas estreitas

30 segunda-feira set 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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O Presidente do Brasil, que procura governar com uma frente de partidos, recebeu, mais uma vez, o respeito da comunidade internacional. Ele fez seu discurso como estadista na Assembleia Geral da ONU e, em seguida, foi homenageado por Bill Gates. No Brasil, as bitolas estreitas nacionais permanecem rebeldes, já que não estão no poder, e não podem mais receber propinas das joias, nem ter general vendendo-as no exterior, para entregar dólares ao ex-presidente inelegível.

Mas as bitolas estreitas nacionais ainda não se saciaram com a gordura facilitada da corrupção deslavada das emendas parlamentares, às quais se soma a dinheirama do orçamento secreto, desviada – quiçá – para bolsos particulares de deputados apodrecidos de ética. Esses fundos particulares também realizam a compra disfarçada de votos, que favorecem a eternização dos corruptos, e não a rotatividade da representação parlamentar, como é próprio da essência da democracia.

Nesse clima nacional, a eleição da capital paulista se converte em cenário intermitente de pugilato direitista, depois que a disseminação do discurso do ódio alavancou os fungos e os vermes escondidos no subsolo da desgraça nacional. Eles abasteceram a indignação popular, e ela mesma se surpreende com a vocação deles em ficar mais tempo, intoxicando-a, para iludi-la e fazê-la de joelho, diante dos propósitos disfarçados de autoritarismo e de ditadura.

O Ministro Flávio Dino, do STF, na vertente nacional de salvaguarda da ética e da vergonha cívica, convocou os Presidentes do Senado e da Câmara Federal e demais representantes dos órgãos de vigilância e polícia e os de controle, para cobrar transparência na aplicação da dinheirama dos bilhões derivados das emendas parlamentares e do orçamento secreto. Elas e eles, quando trazidos à mesa da vergonha, fazem com que os Presidentes dos respectivos parlamentos se aproximem sempre do desplante de ameaçar, pela cassação do Ministro, via parlamentar, que é a do impeachment. Eis os larápios com força política, querendo “carteirar”, com arrogância e ousadia.

A figura sinistra desse palco de horrores políticos é o Presidente da Câmara dos Deputados, que recebe, não mais com surpresa, a possibilidade de continuação do inquérito instaurado pela Polícia Federal, em razão das emendas destinadas a seu estado de Alagoas. Quando a investigação policial chegou nas cercanias do Presidente da Câmara, através da perseguição dos denominados “kits robótica!”, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito com as provas em frenesi, e cujo fedor de túmulo descoberto traz de novo a possibilidade de a investigação ser continuada. Afinal, até aconteceu a apreensão de quatro milhões de Reais, em notas colocados uma em cima da outra, até formar o conteúdo de um imenso armário, que espera a apresentação da prova lícita da origem do dinheiro, até agora sem pai, nem mãe.

O Ministro Flávio Dino ressurge para fazer ressurgir a exigência constitucional, que a danação parlamentar jurou respeitar, cumprir e fazer cumprir, sempre em solene juramento. Essa exigência constitucional restaura a relevância da regra ética-jurídica – a da transparência – que ficou no limbo desde que a ascensão do espírito infernal dirigiu a desgraça do país, durante quatro anos de impunidade, instigando o medo e as armas.

Nesse mar, a mediocridade, exibida como talento novo, procura navegar em mar revolto provocado por ela mesma, e o país fica desassossegado, pois se baixar a inflação o consumo sobe, o comércio vende e a indústria produz, mas o divino mercado financeiro não gosta, pois há redução da dívida interna brasileira, diminuindo a farta exploração. As bitolas estreitas nacionais querem permanentemente dificultar o governo de governar, e o divino mercado financeiro, beneficiário dos juros altos, fica mal-humorado, e se dispõe a conspirar contra a moeda brasileira, o que significa contra o país.

Na Assembleia Geral da ONU o Presidente do Brasil é ouvido e respeitado, depois até homenageado por Bill Gates, mas as bitolas estreitas nacionais aplaudem as estrepolias do bilionário Elon Musk, sem se preocupar com a colonização técnica, política e ideológica, que ele, colonizador, patrocina afrontando a dignidade e a soberania do Brasil. Um colonato atual festejado sob aplausos das “maritacas” do país do “Deus, Pátria e Família”, que alternam com a lembrança nazista do “A Pátria acima de tudo e Deus acima de todos”.

A esperança é que um terremoto ético sufoque as bitolas estreitas, e que um sentimento de nação ocupe o deserto da inconsciência e da alienação.

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O provocador e a cadeirada

23 segunda-feira set 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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O provocador reiterado dos debates políticos dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, desde o início teve um ato renitente e crescente de provocação, que a justiça eleitoral amamentou, na sua passividade áulica, já que ao contrário dela, em Fortaleza, um candidato foi retirado do debate televisivo porque seu partido não tinha o número mínimo de deputados federais para garantir sua aparição no debate. E em São Paulo, ao que parece, o provocador também não tem. Ambos, o de lá e o daqui, surgiram do mesmo útero produtor de monstros do ódio de aparência variada.

O que se viu e se vê é o instrumento do ataque – a cadeira, no caso – que definiu não só a explosão do candidato do debate, como se tornou a referência quase preponderante de maioria dos comentaristas.

Nenhum comentário de imediato estabelece a relação autor-vítima, ou vítima-autor, não obstante o antecedente criminoso das ofensas à honra proferidas pela vítima da cadeirada contra o seu autor. Essa vítima que disparou em mais de um debate, e em mais de uma ocasião, verdadeira saraivada venenosas de mentiras, que se não houvesse a reação, que houve, confirmar-se-ia a última frase antes da pancada – “você não é homem”, aliás a mais simples e não menos chula.

A ciência do direito criminal tem uma vertente denominada “vitimologia” e nela se estuda a provocação da vítima como causadora do ato ilícito. Essa participação da vítima aparente tem a vocação para extinguir a pena, ou servir de dosimetria dela se condenação houver.

Esse provocador passou todos os limites. Se ele se vincula à fonte dos rebotalhos que emergiu dos subterrâneos da desgraça nacional, exatamente na última leva de oportunistas que o terremoto da desesperança nacional fez flutuar em nosso território.

Mas, se a Justiça Eleitoral não preveniu, como se esperava que ela o fizesse e depois agisse, o mediador do certame deveria ter agido com determinação e após uma, duas, três advertências deveria excluir os provocados do debate, já que o ataque à honra e à dignidade da pessoa e extremamente mais ferina do que qualquer cadeirada bem ou malsucedida.

A vagarosa reação de instituições e pessoas representa a projeção da forte presença do “dever molenga” que domina e avassala, quem tem o poder de decidir qualquer cousa, e se entrega ao vírus nacional do “jeitinho”.

Se a violência deve ser sempre repudiada, o fato é que foi introduzida, no Brasil, uma prática que privilegia a pregação do ódio, como plataforma para se adquirir posição de poder, fazendo-se antes conhecido por milhares de pessoas, e aquele que tem responsabilidade de punir, é sempre temente à lei, enquanto o ofensor dela se faz de profissional da violência e do desrespeito à dignidade alheia e aos termos da regra legal. Até para se aplicar a lei está se exigindo coragem moral em último grau de decência.

E essa turma da pregação do ódio ainda exige que para com ela qualquer procedimento de investigação e punição siga rigorosamente as regras vigentes, por enquanto essa pregação odienta tem o disparate de desrespeitar todas as regras e todas as leis, em nome da liberdade de expressão, direito garantido pela democracia que, paradoxalmente, ela entrega, como arma, a quem se propõe a destruí-la.

A descansada Justiça Eleitoral, assistindo de camarote o circo do debate eleitoral paulistano, oferece todas as condições para que o debate de 2026 esteja riquíssimo de provocadores e provocações ao arrepio da dignidade das pessoas e do respeito à lei.

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O direito à informação, o direito à verdade

16 segunda-feira set 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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Durante mais de 50 anos, nossos jornais, revistas, rádios e TVs não deram noticiário proporcional ao tamanho da humilhação permanente do povo palestino no território que deveria ser o Estado Palestino. Uma cegueira seletiva, diz Salem Nasser.

Em 1948, a ONU mandou um representante seu para conhecer e relatar o que estava acontecendo com a brutalidade das milícias sionistas contra os colonos palestinos, mas ele não relatou nada porque simplesmente ele foi assassinado.

E assim, os sionistas integrantes do movimento político, discriminador e violento, empolgaram o poder em Israel, pontificando até hoje, só que agora eles são identificados como genocidas. Mas, durante todo esse tempo, habilmente confundiram-se com a comunidade judaica.

Essa história camuflada desse horror estampa o desprezo à comunidade internacional, através da continuada ousadia em violar deliberações do plenário da ONU ou do seu Conselho de Segurança. A propósito, a extrema-direita de Israel, economicamente poderosa, catequizou tantos no mundo, que aparecem no palco político festejando porque ousam violar regras, normas e limites éticos, morais e jurídicos.

Nessa acostumada redução da gravidade da situação dos territórios ocupados da Palestina, emerge o mundo denunciando o genocídio, cuja vergonha desfila diante de cada consciência.

E ninguém aproveita dessa ocasião gigantesca para ensinar sobre o efeito maléfico que o terror do Estado, especialmente nas ditaduras, gera no seio dessas populações colonizadas, que é o nascimento de grupos de oposição, levando a bandeira da residência e da redenção.

A violência só gera violência, mas apesar dessa verdade óbvia e antiquíssima, as ditaduras a praticam, ajudadas, em regra, não só pelo poder econômico, mas também pelos órgãos de comunicação, que disseminam a justificativa da sua legitimação.

Saber ouvir, saber ler, para saber discernir com espírito crítico naturalizado pela prática repetida, é o único método para decifrar o que é direcionamento ideológico e o que pode emergir de atos e fatos, suas circunstâncias reveladas, formando a verdade, que todos têm direito de buscar e conquistar. A verdade seria a conclusão da experiência vivida, naquela pequena jornada, de examinar a completude dos atos e fatos, que a inteligência capturou para tentar não errar, ou errar menos, ou acertar.

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