Durante mais de 50 anos, nossos jornais, revistas, rádios e TVs não deram noticiário proporcional ao tamanho da humilhação permanente do povo palestino no território que deveria ser o Estado Palestino. Uma cegueira seletiva, diz Salem Nasser.

Em 1948, a ONU mandou um representante seu para conhecer e relatar o que estava acontecendo com a brutalidade das milícias sionistas contra os colonos palestinos, mas ele não relatou nada porque simplesmente ele foi assassinado.

E assim, os sionistas integrantes do movimento político, discriminador e violento, empolgaram o poder em Israel, pontificando até hoje, só que agora eles são identificados como genocidas. Mas, durante todo esse tempo, habilmente confundiram-se com a comunidade judaica.

Essa história camuflada desse horror estampa o desprezo à comunidade internacional, através da continuada ousadia em violar deliberações do plenário da ONU ou do seu Conselho de Segurança. A propósito, a extrema-direita de Israel, economicamente poderosa, catequizou tantos no mundo, que aparecem no palco político festejando porque ousam violar regras, normas e limites éticos, morais e jurídicos.

Nessa acostumada redução da gravidade da situação dos territórios ocupados da Palestina, emerge o mundo denunciando o genocídio, cuja vergonha desfila diante de cada consciência.

E ninguém aproveita dessa ocasião gigantesca para ensinar sobre o efeito maléfico que o terror do Estado, especialmente nas ditaduras, gera no seio dessas populações colonizadas, que é o nascimento de grupos de oposição, levando a bandeira da residência e da redenção.

A violência só gera violência, mas apesar dessa verdade óbvia e antiquíssima, as ditaduras a praticam, ajudadas, em regra, não só pelo poder econômico, mas também pelos órgãos de comunicação, que disseminam a justificativa da sua legitimação.

Saber ouvir, saber ler, para saber discernir com espírito crítico naturalizado pela prática repetida, é o único método para decifrar o que é direcionamento ideológico e o que pode emergir de atos e fatos, suas circunstâncias reveladas, formando a verdade, que todos têm direito de buscar e conquistar. A verdade seria a conclusão da experiência vivida, naquela pequena jornada, de examinar a completude dos atos e fatos, que a inteligência capturou para tentar não errar, ou errar menos, ou acertar.