O Presidente do Brasil, que procura governar com uma frente de partidos, recebeu, mais uma vez, o respeito da comunidade internacional. Ele fez seu discurso como estadista na Assembleia Geral da ONU e, em seguida, foi homenageado por Bill Gates. No Brasil, as bitolas estreitas nacionais permanecem rebeldes, já que não estão no poder, e não podem mais receber propinas das joias, nem ter general vendendo-as no exterior, para entregar dólares ao ex-presidente inelegível.
Mas as bitolas estreitas nacionais ainda não se saciaram com a gordura facilitada da corrupção deslavada das emendas parlamentares, às quais se soma a dinheirama do orçamento secreto, desviada – quiçá – para bolsos particulares de deputados apodrecidos de ética. Esses fundos particulares também realizam a compra disfarçada de votos, que favorecem a eternização dos corruptos, e não a rotatividade da representação parlamentar, como é próprio da essência da democracia.
Nesse clima nacional, a eleição da capital paulista se converte em cenário intermitente de pugilato direitista, depois que a disseminação do discurso do ódio alavancou os fungos e os vermes escondidos no subsolo da desgraça nacional. Eles abasteceram a indignação popular, e ela mesma se surpreende com a vocação deles em ficar mais tempo, intoxicando-a, para iludi-la e fazê-la de joelho, diante dos propósitos disfarçados de autoritarismo e de ditadura.
O Ministro Flávio Dino, do STF, na vertente nacional de salvaguarda da ética e da vergonha cívica, convocou os Presidentes do Senado e da Câmara Federal e demais representantes dos órgãos de vigilância e polícia e os de controle, para cobrar transparência na aplicação da dinheirama dos bilhões derivados das emendas parlamentares e do orçamento secreto. Elas e eles, quando trazidos à mesa da vergonha, fazem com que os Presidentes dos respectivos parlamentos se aproximem sempre do desplante de ameaçar, pela cassação do Ministro, via parlamentar, que é a do impeachment. Eis os larápios com força política, querendo “carteirar”, com arrogância e ousadia.
A figura sinistra desse palco de horrores políticos é o Presidente da Câmara dos Deputados, que recebe, não mais com surpresa, a possibilidade de continuação do inquérito instaurado pela Polícia Federal, em razão das emendas destinadas a seu estado de Alagoas. Quando a investigação policial chegou nas cercanias do Presidente da Câmara, através da perseguição dos denominados “kits robótica!”, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito com as provas em frenesi, e cujo fedor de túmulo descoberto traz de novo a possibilidade de a investigação ser continuada. Afinal, até aconteceu a apreensão de quatro milhões de Reais, em notas colocados uma em cima da outra, até formar o conteúdo de um imenso armário, que espera a apresentação da prova lícita da origem do dinheiro, até agora sem pai, nem mãe.
O Ministro Flávio Dino ressurge para fazer ressurgir a exigência constitucional, que a danação parlamentar jurou respeitar, cumprir e fazer cumprir, sempre em solene juramento. Essa exigência constitucional restaura a relevância da regra ética-jurídica – a da transparência – que ficou no limbo desde que a ascensão do espírito infernal dirigiu a desgraça do país, durante quatro anos de impunidade, instigando o medo e as armas.
Nesse mar, a mediocridade, exibida como talento novo, procura navegar em mar revolto provocado por ela mesma, e o país fica desassossegado, pois se baixar a inflação o consumo sobe, o comércio vende e a indústria produz, mas o divino mercado financeiro não gosta, pois há redução da dívida interna brasileira, diminuindo a farta exploração. As bitolas estreitas nacionais querem permanentemente dificultar o governo de governar, e o divino mercado financeiro, beneficiário dos juros altos, fica mal-humorado, e se dispõe a conspirar contra a moeda brasileira, o que significa contra o país.
Na Assembleia Geral da ONU o Presidente do Brasil é ouvido e respeitado, depois até homenageado por Bill Gates, mas as bitolas estreitas nacionais aplaudem as estrepolias do bilionário Elon Musk, sem se preocupar com a colonização técnica, política e ideológica, que ele, colonizador, patrocina afrontando a dignidade e a soberania do Brasil. Um colonato atual festejado sob aplausos das “maritacas” do país do “Deus, Pátria e Família”, que alternam com a lembrança nazista do “A Pátria acima de tudo e Deus acima de todos”.
A esperança é que um terremoto ético sufoque as bitolas estreitas, e que um sentimento de nação ocupe o deserto da inconsciência e da alienação.