Este Natal acontece no mundo, como se não tivesse havido outros Natais, depois de mais de 2000 anos do nascimento de Cristo, sua vida, seu calvário, sua morte.

A estupidez ocupa a mentalidade de tantos, como uma encarnação da sombra tenebrosa, facilmente trazendo para o seu redil outros tantos desavisados, que se incorporam facilmente na turba alienada.

Se a mensagem do Natal, na simplicidade de sua ternura, é essencialmente universal, com sua prudência, tolerância, respeito, dignidade, amor, o mundo através de políticos e não políticos, pastores e não pastores que ocupam microfones e púlpitos para propagar o ódio e a destruição.

Impressionante, nesse ideário do ódio que a pessoa se liga com paixão doentia a uma ideia salvacionista, que se torna incapaz de ouvir um argumento da razão, que não rompe relações, nem se engrandece com rupturas definitivas.

A marcha da estupidez conta com o concurso de religiosos que, esquecidos da mensagem fundamental do cristianismo ou do humanismo sem fonte declarada, se tornam soldados do ódio enrolando nesse torvelinho primeiramente pessoas, depois instituições, e das ofensas das quais não escapam países e outros povos. É um enlaçamento do que há de pior na natureza humana, que ultrapassa fronteiras.

A guerra, que seria localizada, vagarosamente vai se expandido, em nome do espaço vital e da segurança, e o genocídio de homens, mulheres e crianças passam a ser as vítimas modernas do avanço tecnólogo e científico.

Somas vítimas da desinformação, como se isso fosse a predestinação de povos inferiores, incapazes de olhar o panorama do país sem registrar que o governo não é de um só partido, mas de uma frente ampla, que traz a contradição de estar no governo, para garantir estabilidade e nas votações do Congresso votar contra o governo. Essa contradição serve de avaliação da ausência de ética e de moralidade pública, porque tais partidos, majoritários na vergonha, atacam o orçamento da República, com voracidade maior do que as máfias organizadas e poderosas. O Parlamento se tornou o palco do assalto legalizado de bilhões de Reais, que são desviados de áreas prioritárias. E o requinte desse assalto é que é da lei a obrigatoriedade da transferência dessas verbas. E os deputados se ofendem com a aplicação do princípio constitucional da transparência. Assim, para os deputados, o assalto para ser assalto inteligente tem que ser no sigilo, mesmo no caso de dinheiro público.

Esse exemplo brasileiro, assim próximo, é o melhor exemplo da inversão de valores que a doutrinação do ódio conseguiu, porque é da sua essência o distanciamento da ética e da moralidade públicas o rompimento com valores de solidariedade.

O salve-se-quem puder, alentado por essa pregação odienta e divisionista, individualista, não corresponde ao convívio pacífico e solidário que sempre se pretendeu e lutou sob as luzes natalinas.

Agora, nesse Natal, é o sentimento de que mais do que nunca devemos encarnar sua mensagem, com esforço heroico, para que nossa cautela, temperança, respeito à dignidade não abra mais espaço à truculência e ao ódio.

Natal, teimosia histérica do Amor.

Feliz Natal.