• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos Mensais: fevereiro 2025

Por que a música une e quando?

24 segunda-feira fev 2025

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Se o encontro fosse de filosofia, ele, que já foi premiado nessa matéria, teria o sucesso natural. Se fosse um encontro de geografia, autor de livros, ele, que já foi premiado nesse campo, teria o sucesso natural. Se fosse paraninfar pela sexta vez um grupo de formandos, ele o faria, outra vez, com o brilho de sua sensibilidade e de sua inteligência. Mas a alma peregrina de Sérgio Adas, que se oferece ao universo atemporal, foi descobrir depois de ser levado pela Uber por mil quilômetros lá da Holanda à Bélgica, o violonista Marijn van der Linden (Rotterdam, Países Baixos), amante da música brasileira, adepto da língua portuguesa, e que mantém em Rotterdam um Centro para a disseminação de nossa cultura musical. E formando com ele a célebre dupla “DUO GAITAR” a revelação musical da gaita, Rutger Marthys (Gante, Bélgica) que ambos, dia a dia, sobem a rampa do reconhecimento internacional, como os melhores. Alunos de música, frequentaram o que podiam para burilar a técnica da respectiva arte e apresentaram seus dons em dezenas e dezenas de palcos europeus.

Essa dupla se apresentava numa daquelas fazendas tocadas por idosos, que recebeu o brasileiro, Sérgio, de braços e alma abertos, até pelo inédito daquela visita e daquela surpresa.

A empatia estabeleceu a primeira relação, reforçada pelo fato de o violinista, nascido na Curaçao holandesa, falar o português, e com isso a relação afundou naquela amizade de admiração recíproca, que iria crescer no inesperado que nunca espera para surgir.

Sérgio Adas recebeu, no seu WhatsApp, o recado de que a dupla viria ao Brasil para inter-relacionar com música e músicos brasileiros, enriquecendo com isso o que já conheciam dela e deles.

Vieram sem saber do que o Sérgio Adas era capaz, pois, ele à distância organizou uma turnê que se iniciou com a apresentação de três dias, em três turnos diários, em Brasília, com sucesso absoluto, igual ao acontecido naquela noite de quinta-feira, aqui em Ribeirão Preto, no Restaurante Toscana, aconchegante, quando a irmandade musical passou um pano milagroso nas maldades do mundo e nas separações brutais de pessoas e povos, unindo a todos pela mão invisível da beleza, quase divina, que atrai pelos ritmos e particularmente pela harmonia. Na segunda parte dessa apresentação, dois músicos brasileiros, Ricardo Perez no pandeiro e Alexandre Gonçalves Peres no cavaco, entraram tranquilos na terra estrangeira como se ela fosse eternamente de todos. E ainda contando com a presença do brasileiro Robson Ribeiro, que fala de sua profissão de dentista, como se não fosse o violonista que justifica a reciprocidade de ir para a Europa, fazer o que outros fazem aqui, com maestria, levando os outros dois, do cavaco e do pandeiro.

No dia seguinte, à noite, foi a vez da dupla encontrar-se com a trupe de instrumentos e dos cantos, apresentando-se no Bar do Chorinho, capturando da rua o aplauso admirado, que louvou a sua simplicidade. E depois o caminho foi a capital de São Paulo, seguindo a pista do prestígio do Sérgio.

Bélgica, Holanda e Brasil, seus povos, suas diferenças, suas distâncias, seus céus e suas nuvens, receberam o som abençoado da música, que é o esperanto da arte.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

A viagem que não fiz e como aprendi meu país

17 segunda-feira fev 2025

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Quando fui aos Estados Unidos, há anos, voltei me prometendo retorno para estudar de perto, e por um tempo razoável, aquela sociedade utilitarista, que era o império hegemônico e militar do mundo. Mas não tive o ensejo de voltar, mesmo com o passaporte valendo por dez anos. Já na época, como universitário da Faculdade de Direito (USP), tive possibilidade de ir, como convidado, logo após fundar o Partido Acadêmico Socialista, o único do movimento estudantil, e sem nenhuma ligação com qualquer agremiação exterior à escola. O certo é que não aproveitei um dos dois convites. A razão era a de preservar íntegra a posição nacionalista de defesa da soberania nacional. Um excesso, quiçá! Com essa viagem — supunha — estaria exposto à maledicência da época, em razão daquele Programa do governo americano, identificado como Ponto 4. Ir e ser chamado, no mínimo, de inocente útil? Esse era o receio das críticas dos amigos que militavam na mesma corrente nacionalista. E mesmo não indo, como não fui, escrevia artigos sobre a necessidade dos outros viajarem, conhecerem, aprenderem com novas culturas.

Hoje, comparo esse rigor jovem, moço, de pensar e sonhar o Brasil, formador e conformador de minha atuação política pela vida afora – comparo-o – com o governador de São Paulo, atual, usando ridiculamente o boné com o slogan da campanha de Trump: Make America Great Again. Junta-se a ele aquele bando de idiotas, que se contentaram em ir e assistir, de lá mesmo e pela televisão, à posse solene e pomposa. Boné político é como oferenda de carne fraca ou de entrega sem ônus, só para agradar cliente esfomeado. Esse gesto só tem simbologia um pouco menor, quando comparado com a continência, ato privativo de militares, feita pelo presidente inelegível, à bandeira estrangeira, quando flamulava somente ela, lá no seu país. Um servilismo inaceitável! Máxime de quem é militar!

Hoje, no outono da vida, testemunhamos o vento implacável da história engolindo todos e tudo, pessoas, instituições e impérios.

Quando começou a crise do império americano? Uns falam que as famílias perderam ou deixaram de vivenciar a força de princípios éticos e religiosos, que sustentavam o crescimento do poder, que seria hegemônico.

Outros recordam o discurso de despedida do Presidente Dwight D. Eisenhower (1890-1969), general comandante das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, cuja gestão cobriu o período presidencial de 1953 a 1961. Naquele pronunciamento ele se referiu ao “complexo militar-industrial”, que o tempo compreendeu como o monstro insaciável, que se alimenta do sangue de rupturas e de guerras eternas. Em razão disso, a sociedade norte-americana se armou de tal sorte e maneira que hoje mais de 345 milhões de armas estão em posse da população. No interior dela há 15 milhões de veteranos de guerra, insatisfeitos e armados, e seu líder, em discurso recente, se referiu aos multimilionários que circundavam Trump na sua posse, fazendo comparação da riqueza monumental deles com a situação social de fraqueza de 160 milhões de irmãos norte-americanos. É discurso de guerra civil anunciada?

No exterior, fez guerra à Coreia, entrou na Indochina, substituindo os franceses, invadiu o Afeganistão, de onde saiu deixando armados os opositores com armas que totalizavam 80 bilhões de dólares, destruíram o Iraque, mas lá não ficaram por causa do petróleo, como pensavam que ficariam, destruíram a Líbia. Na verdade, a resistência heroica e vitoriosa era de povos militarmente fracos.

Agora, um Presidente, que mais parece um esqueleto sem alma, quer recuperar o poder de amedrontar, revogando regras, violando leis, falando grosso e muito, e até quer resolver conflito histórico construindo hotéis e cassinos, sua especialidade, nas terras ensanguentadas e resistentes de Gaza.

Só que agora o mundo não é mais unipolar.

A estupidez não prevalecerá.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

Cada registro e a lembrança da violência

10 segunda-feira fev 2025

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Quando viajei para a Alemanha, conheci sua capital, Berlim. Uma cidade com a organização espartana de seu povo, cuja disciplina é insuperável. O trem saído de Baden-Baden chegou às 11:53 na estação central. E chegou exatamente às 11:53. Nem um minuto a menos, nem um minuto a mais.

A lembrança dessa viagem ocorre-me em razão do que acontece atualmente nos Estados Unidos, o país que era a terra da liberdade, como disseminado após a 2ª Guerra Mundial, conflito esse festejado mundialmente como o enterro final do nazifascismo, para o qual colaboraram, corajosamente, os pracinhas brasileiros. Morreu o nazifascismo, mas deixou filhotes esparramados pelo mundo, quando introjetou em suas vítimas a maldade e a torpeza que seriam repetidas em Gaza, com juros extorsivos e correção monetária, inaugurando o maior genocídio do novo século, com direito à televisão contrariada, por ter mesmo de veicular, intermitentemente, o heroísmo palestino.

Nessa viagem, nas andanças por tantas ruas daquela linda capital, registramos tantas e muitas placas, em imóveis residenciais, nas quais estava o nome da família então residente, que foi arrastada pela SS dos nazistas para os campos de concentração e neles, em regra, para os fornos crematórios.

Atualmente, na pátria que teria sido a pátria da liberdade, assiste-se à polícia da Imigração norte-americana invadindo residências, hospitais, clubes, para arrastar imigrantes, que recebem o apelido de bandidos, simplesmente porque são imigrantes. A violência é a mesma, se lá na Alemanha nazista o inimigo era o judeu, na atualidade torpe norte-americana o inimigo é o imigrante. Geralmente quem adere à desregulação total (extrema-direita), exclui a tradição do debate e da busca da verdade, mediante o diálogo profícuo, que coloca a pessoa como princípio fundamental da vida, ela que é o centro sagrado da Democracia, estampada na estrutura nacional do Estado Democrático de Direito.

O traçado do programa Trump, com os asseclas que o cercam, desde a solenidade da posse, essencialmente os magnatas das plataformas da Tecnologia Digital, tem por finalidade a destruição de todos os órgãos de fiscalização, que vão da saúde à defesa da natureza, e suas mudanças climáticas, passando por todos os setores da administração pública. A destruição dessa extrema-direita antropofágica é de tudo e de todos que representem imposição de limites. Essa atuação que o governo anterior do Brasil fez estrebuchando venenos e falsidades para desmoralizar tudo. Não se conhece precedente presidencial de convocar-se reunião com embaixadores para desacreditar as instituições do próprio país. Essa é uma contribuição brasileira à estupidez universal que não pode ser esquecida, porque foi o pavio da “alcateia” de 8 de janeiro.

Com a inauguração pomposa desse estilo de governo ameaçando e querendo exercitar retoricamente seu poderio militar, confessa-se, primeiro, o declínio americano, nessa reação patológica, que começou indo e voltando, com a da taxação da Colômbia e do México.

Em relação à China, o cuidado foi maior, mas a China respondeu como deve responder uma potência econômica e militar como ela. Mas a paulada inesperada veio da tecnologia digital, já que os chineses contam com um invento de custos insignificantes comparados aos bilhões gastos pelos norte-americanos na fabricação de tecnologia igual, o que serve de alerta, já que as empresas norte-americanas dessa mesma área acusaram um prejuízo de um trilhão de dólares, pela queda do valor de suas ações no mercado.

O mundo não é mais unipolar, já que outras grandes potências dançam no tabuleiro do mundo, e essa furiosa vontade de taxar, agregar países, em razão de necessários recursos naturais, poderá ter menor intensidade, ou procurar outras formas de exibição desse poderio fraturado, mas que promete durar muito tempo.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos

Posts recentes

  • A soberania do Brasil e o espírito de vira-lata
  • A traição da fé
  • A PAZ, rediviva ou ressuscitada
  • A escumalha parlamentar na fase pré-natalina
  • Os vampiros do dia e da noite

Arquivos

  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d