Os Estados Unidos constituem a maior potência militar do mundo? A resposta é afirmativa. Tão grande e tão poderosa que seu Presidente se apresenta como o “imperador” do mundo. Sua demonstração com suas armas foi com o sequestro do Presidente da Venezuela e ainda com a promessa de anexação da Groenlândia, quiçá do Canadá e do México, não se esquecendo de tratar e falar da irrelevância de seus parceiros europeus.

Para Gaza, ele prometeu inicialmente uma sucessão de resorts, como homem de negócios imobiliários. Sua insensibilidade negociante não distingue aquele solo ensanguentado da resistência e do povo palestino, sobre o qual se abateu a ação genocida de Benjamin Netanyahu, um homem devidamente processado, juntamente com a mulher, pelo Tribunal de Justiça de sua terra, como corruptos, e no Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, que aliás já expediu ordem de prisão contra eles.

O “imperador”, que, de repente, no Parlamento israelense, pediu o perdão para o primeiro-ministro, agora apresentou proposta para a formação da Comissão da Paz em Gaza, com a anuência de Israel. Essa proposta desmoraliza de vez a ONU.

E para compor essa Comissão Internacional não faltariam convidados, pois, se começa com Lula, seguindo para Putin, Macron e outros que, se aceitarem, ficarão sob as ordens do imprevisto “imperador”.

A Comissão da Paz apresenta vícios insanáveis: o primeiro deles é o querer legislar e administrar, como se donos fossem, uma terra, que não lhes pertence. Tal como ele diz em relação à Venezuela e seu petróleo ambicionado.

Os palestinos e o Hamas, grupo político que chefia a resistência, não foram convidados, e sobre o Hamas, mesmo não os ouvindo, ele inclui na pauta a anistia para seus chefes. E com essa promessa de anistia está a condição – ou aceitam, ou o “imperador” liberará a ferocidade canina sionista, para fazer o que sabem fazer – destruí-los.

Até ontem, muitos pensavam que depois de tantas mortes anunciadas, inclusive de lideranças insubstituíveis, o Hamas teria desparecido do mapa, mas pelo que se vê, apesar de tanta matança, ele ainda permanece vivo, constituindo pauta importante dessa Comissão de Paz. Será que a narrativa de imprensa ocidental é verídica?

A anistia oferecida ao Hamas é a medida que, por simetria, se estenderia ao primeiro-ministro israelense, o corrupto que se converteu em descarado genocida. A propósito, o “imperador” já tentou livrá-lo, junto à Corte de Justiça israelense, e não o conseguiu. Esse genocida, como todo ele, se alimenta de sangue, e ainda precisa da guerra permanente para garantir-se no Poder.

Essa tal Comissão de Paz apresenta mais um vício mortal, que é a falta de confiança entre seus convidados.

Quem acredita no “imperador” norte-americano ou no regime sionista de Israel? Flávio Bolsonaro acredita piamente, já que foi lá agora, e outra vez, com nosso dinheiro, para quê? Historicamente, Israel sempre violou as regras internacionais, quando se dizia que elas valiam para todas as nações. Nessa ação perversa de revogação pelo seu descumprimento sempre foi protegida pelos norte-americanos. Antes, todas, todas, todas as decisões em favor do povo palestino, exaradas, durante meio século, pelo Conselho de Segurança e pelo plenário da ONU, foram ignoradas, agora se pode acreditar na palavra escrita e assinada dessa gente?

Depois, o verbo anistiar, e suas benéficas consequências, fica à porta do descrédito total, porque o maior criminoso da Terra pode praticar a brutalidade do genocídio, e o outro que o apoia pretende ganhar o prêmio Nobel da Paz? Rasga as regras do direito internacional, sequestra Presidente de um país, trai seus parceiros, como fez e faz com os perplexos europeus, descumprindo tratados e convenções assinadas até recentemente, denigre a dignidade de pessoas inocentes, extraditando-as simplesmente, estabelece ambiente de insegurança no mundo, no qual a taxação de produtos de importação torna-se instrumento de ação política colonial, e ainda fala em prêmio Nobel?

A Comissão da Paz é, na verdade, uma armadilha. Muitos chefes de Estado que aderissem ficariam sob a batuta direta do “imperador”, que não suporta debate, oposição e o contraditório.