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O humanismo de David Grossman

02 segunda-feira mar 2026

Posted by Feres Sabino in blog

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O “judaísmo é secular e humanista. Tem fé nos seres humanos. A única coisa que considera sagrada é a vida humana. Os que acreditam nesse judaísmo defendem o diálogo e jamais, de modo algum, a coerção”. Essa crença se coloca do lado oposto “a mistura da religião com o messianismo, da fé com o fanatismo, e do nacional com o nacionalista, e o fascista”.

É essa diretriz que desenha o espírito crítico de David Grossman, escritor formado em filosofia, nascido em Jerusalém (1954), autor de vários livros, traduzidos no Brasil pela Companhia das Letras, tal como esse livro de bolso, O coração Pensante, que encerra artigos e discursos com reflexões humanísticas, que abalam qualquer preconceito.

Não transige em julgar o Hamas pelo seu ataque de 7 de outubro, julgando-o uma avalanche de bárbaros, mas não consegue comparar ou igualar tal violência ao ódio reprimido, ora expresso nas intifadas, de 55 anos, desde a criação de dois Estados, com a marca exuberante da humilhação e mortes de milhares de crianças e mulheres palestinas.

Gaza se converteu na terra ensanguentada do genocídio, que Trump quer aproveitar para construir hotéis grandiosos para as classes abastadas do mundo. Entretanto, Grossman diz que é quase impossível não ter o sentimento de retaliação após o ataque do Hamas, mas o Estado não poderia esticar isso como política de extermínio, já que no meio das desgraças sangrentas das guerras, a liderança deve ter sempre a perspectiva de paz, o que pressupõe início das cicatrizações e das feridas da estupidez. Mas, se o ódio só se depara e confronta com o ódio qual será o milagre para o momento inaugural do processo da paz?

A paz é resultado da pregação prolongada e aceita e praticada, de convívio respeitoso, em que a maioria só abastece a Democracia de seu verdadeiro conteúdo se respeitar as minorias. Dentro de Israel tem a minoria árabe, absolutamente discriminada, agora absolutamente ignorada, com a Lei da Nacionalidade, votada pelo regime sionista de Benjamin Netanyahu, que define Israel como Estado Judeu, não deixando ponto algum de integração das minorias árabes residentes no mesmo território, “que continuam sem solução depois de 75 anos de existência do Estado, mantendo-se num equilíbrio quase impossível”. E a ocupação vagarosa e persistente e bárbara da Cisjordânia, com milhares de palestinos e suas famílias vítimas de violência dos colonos transplantados, ainda protegidos pelo exército israelense. “E mal tocamos no assunto da ocupação. Os líderes do movimento de protestos sabiamente resolveram suspender – pelo menos por enquanto – o debate mais crucial que divide a sociedade israelense há 55 anos, desde que Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza”.

A vitória eleitoral, em si, não bastava para Netanyahu ter maioria na Knesset (Parlamento), e na composição, para obtê-la, reuniu-se o que deu maioria ao fanatismo messiânico e religioso, nacionalista, robustecendo o movimento político sionista, discriminador, violento, expansionista, que pretende a anexação dos países do Oriente, e que para isso até ataca de surpresa, covardemente.

A extrema-direita israelense está exportando estupidez, confronta a Suprema Corte, procurando deslegitimá-la, como no Brasil, para o domínio do seu Parlamento. No entanto, encontrou feroz resistência de parte da sociedade israelense, tal como a Emenda da Blindagem no Brasil já que lá, como aqui, o perigo é o mesmo, ou seja, o perigo da autocracia. Aliás, é corrente lá, tal como aqui, a certeza de que a razão primordial dessa tentativa é arquivar processos de corrupção. Netanyahu já é réu em processos de corrupção, aqui contam noventa parlamentares investigados; até por isso ele precisa de guerra continuada. Recentemente, Trump pediu, lá em Israel, que o genocida fosse perdoado. Não o foi.

David Grossman, celebra a irmandade entre a língua hebraica e o árabe, “são línguas irmãs, sempre estiveram interligadas ao longo da história”, e pergunta com a frase que formulo: E daqui a cinquenta anos, como estará essa realidade cruenta? Afinal, houve um homem que disse ter sido “Um escritor que viveu num país que ocupou uma nação”.

Não é fácil entender como um país de mais de cinquenta anos de sua fundação ainda vive sob o sobressalto de não ter fronteiras fixas e permanentes, e que ainda não assumiu em todas as instâncias que para viver é preciso conviver, em paz, com seus vizinhos.

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