Entrevistas e debates sempre alargam o conhecimento sobre o assunto em pauta e sobre os derivativos que repercutem em cada pergunta para desafiar o interlocutor.

Quando o entrevistador representa um admirável quociente cultural diante de outro de igual nível, eis que emerge algo até raro, no panorama político-cultural da atualidade, no qual a mediocridade tem a ousadia de se apresentar como talento novo.

Circula pela internet a entrevista de Fernando Haddad dada a Breno Altman, no seu programa Opera Mundi, que, judeu, traz de sua tradição familiar um acentuado espírito crítico ante o movimento sionista, discriminador, racista, violento, fascista, e mais um espírito crítico, humanista, diante do mundo e das coisas e das pessoas.

Fernando Haddad é advogado, mestre em economia e doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), na qual é professor. O convite tinha por referência responder à competente arguição sobre seu último livro, lançado no início de 2026, Capitalismo superindustrial: caminhos diversos, destino comum”, publicado pelo grupo Companhia das Letras (selo Zahar), que confirma sua preocupação teórica e prática com o futuro possível para o Brasil e para o mundo. Intelectual, está, há tempo, na militância política, dando sempre exemplar contribuição. Observá-lo sem preconceito ideológico é encontrar verdadeira raridade no cenário político-partidário atual.

Esse tipo de debate, que fatalmente se depara com perguntas relativas aos números e estatísticas e a política do governo que representa se convence não só de sua estatura ética como também de sua competência administrativa.

Provável candidato ao governo de São Paulo, tem a oferecer o trabalho que realizou durante tão longo tempo, como Ministro da Educação, depois como Prefeito de São Paulo, depois como Ministro da Fazenda, que a oposição no início da discussão sobre o Projeto de Reforma Tributária elogiava sua capacidade de diálogo, após tanta discussão e tanta divergência com os parlamentares, culminando com a aprovação do que se tentava resolver há quarenta anos.

Como Prefeito, indiscutivelmente foi um grande Prefeito, só não sendo reeleito porque seu partido (PT) estava em sua pior fase, sob a metralha canalha da Lava-Jato, estrebuchada e exposta como centro negocial incrustado no sistema de justiça, então denominado “república de Curitiba”. É da sua gestão a criação do órgão fiscalizador que descobriu a corrupção dos fiscais, que até expunham na internet a foto dos barcos grandes e milionários que navegam pela costa brasileira.

Como Ministro da Educação, longevo naquele governo Lula, fez de sua pasta um modelo de inovação, de decência e de eficiência administrativa.

E ainda traz na sua biografia o fato de não ter nenhuma ação judicial que colocasse em dúvida a lisura e a transparência de sua gestão, nas três funções públicas que exerceu.

Se nas entrevistas políticas, como Ministro da Fazenda, sua palavra tem forte assertividade, em defesa de tudo que sua pasta propõe ou realiza, e é determinado na assertividade que denuncia o descalabro financeiro, orçamentário, administrativo e político deixados pelo governo anterior.

Esse encontro entre Haddad e Breno deve ser assistido e celebrado como a festa da inteligência militante.