É do filósofo francês o pequeno volume de Lições da História, editado pela L&PM Editores, Inverno de 2025, em que somos atraídos, quando já se desenrolava pela Ucrânia conflito que só não terminou, em acordo celebrado na Turquia em 2022, entre as partes conflitantes, porque os Estados Unidos e a Inglaterra se opuseram, e o mensageiro dessa negativa foi o histriônico premier britânico. Foi prometido ajuda, apoio e armas, a Operação Militar Especial tornou-se uma guerra por procuração contra a Rússia, e a indústria do ódio ocidental, fabricado historicamente, facilitou o trabalho de enganação da opinião pública, já que a Europa, literalmente quebrada, com sua população empobrecendo, não constitui interesse de dominação russa, pois o território dela é imenso e riquíssimo em todos os minerais inexplorados, sendo que, ele sim, é motivo da ambição das potências ocidentais. A única barreira atual é que a Rússia se converteu na maior potência militar nuclear do mundo, apesar do número sem precedentes de sanções aplicadas ao seu governo.
Não bastasse uma fronte de guerra. A soberba imperial da nossa potência imperialista adotou, por duas vezes, a prática de dar início e fingir prosseguir em conversações, como forma de esperta jogada para uma guerra rápida e conjunta, já que pegariam o Irã de surpresa, como pegaram, matando comandantes e com eles famílias de civis em prédios residenciais, ao gosto de Israel-sionista, especialista em matanças aéreas. A reação inesperada aconteceu depois de 48 horas. Israel, surpreso, atacado, pede aos Estados Unidos para conseguirem suspender o conflito.
Depois de um ano, o figurino da traição e da covardia se repete, e aqui, Edgard Morin nos ensina – “O resultado de uma ação pode ser o contrário da intenção original”, mesmo com a antecedente e preparada rebelião das ruas iranianas, que a CIA e o Mossad, serviços secretos dos países atacantes, provocaram, matando preferencialmente policiais e militares, com a certeza de que um bombardeio subsequente alteraria o regime iraniano. Lá seguramente tem a quinta-coluna que temos aqui, que pede bombardeio da baía da Guanabara, ou aceita a invasão estrangeira sob pretexto de combater grupos criminosos com apelidos dados pelo estrangeiro ou pelo governador de estado, que aceita, correndo, assinar protocolo de terras raras, como instrumento de pressão ao governo federal. É verdade, eles estão aqui também. Mas no Irã, de repente, surge uma consciência de dignidade, ínsita na consciência histórica, que revela como a nação se preparou para essa guerra anunciada, há mais de vinte anos, e por causa do Petróleo do Oriente. A narrativa ocidental oficial sobre o Irã era do regime assassino, terrorista, quando a realidade revela inclusive o que teria sido o investimento feito na educação e na ciência para se chegar à conquista da maior inovação nas armas das guerras, e não só das armas, mas o planejamento competente; não só para esgotar as armas de defesa inimiga, como calibrar cada ataque com armas progressivamente mais potentes. Disseram que fariam e fizeram ataque aos radares bilionários que eram os olhos de defesas, que sucumbiram. Atacaram todas as bases aéreas americanas, exigindo que elas deixem o Oriente; e ainda fecharam o estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo consumido no mundo.
Atacam e matam o Aiatolá, fazendo um homem religioso, que era um símbolo, tornar-se um mártir e um mito para milhões de seguidores do islamismo no mundo, sendo que para esse fato Edgard Morin escreve a quarta lição – “Os mitos exercem grande influência na História”.
A surpresa da reação competente, minuciosamente preparada durante anos, é a de uma consciência de dignidade enraizada na civilização persa, de tanta grandeza e de guerra e de paz, de sentimento de soberania e de unidade nacional, que a escumalha nacional poderia pedir a suspensão da guerra por vinte quatro horas para fazer o que fizeram, como vassalos, visitando o genocida da Palestina, isso se os iranianos deixarem, o que é quase impossível.