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O apelido comunista como elogio

26 segunda-feira dez 2022

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O Brasil contaminou-se historicamente com a luta imaginária do anticomunismo. Diz-se imaginária porque o comunismo, que se confundiu com o socialismo real, ficou esvaziado com a queda do muro de Berlim.

E a estreiteza mental de elites civis e militares, ora por interesse em defesa de posições sociopolíticas, ora por repetição cansativa no estamento militar de velharia teórica, fazem o Brasil girar nesse pequeno espaço no qual não se suporta reforma social alguma. E o país fica sem identidade e sem rumo.

Aliás, toda reforma que tenha um caráter de solidariedade social, como são as reformas que democratizam benefícios, em favor da maioria da população, logo a mentalidade estreita ataca seus defensores com o apelido tenebroso de comunista, que nesse quatriênio último, a má-fé misturou o significado de um com o outro, comunista-petista.

Assim, o comunismo primitivo que era sugerido como comedor de criança e destruidor do lar e da propriedade, na realidade brasileira atual ganhou o nome de petista. Tal a lonjura histórica, entre um fato e outro, que sua velhice doente e cancerosa é revelada.

A estreiteza mental é tão grande nessa prática política de etiquetar o outro de modo a marcá-lo de infâmia, que ela não percebe que tudo que a dimensão da justiça sugere, como solidariedade ao outro, a burrice coloca no campo chamado de comunista ou petista. Com isso atribui-se a eles a simpatia atraente de que é com eles e só com eles que acontecerá o desenvolvimento social e a redenção do país, quando além deles há tantos e tantos sonhadores. A consequência brutal dessa estreiteza surge com o nome do educador Paulo Freire, perseguido pelo Golpe de Estado de 1964, e cujo método reconhecido internacionalmente o levou a trabalhar em tantos países. Com ele a educação acontecia, no entanto, preferem ficar gritando, repetidamente, que o problema do Brasil é a educação. E objetivamente fica no grito.

Um exemplo, esse mais próximo, do absurdo está nessa separação propalada e agravada pelo governo que está indo para casa, com relutância e promessa de vingança. Tanto pregou a separação, o descrédito de pessoas e instituições e Poderes, e tanto procurou desmoralizar a estrutura democrática incipiente em que vivemos e construímos dia a dia, que, em nome do neoliberalismo autoritário, ele deixa as finanças do país esvaziadas, assim como a estrutura do Estado Democrático com a alma cansada, mas de pé, na resistência para espantar os fantasmas saídos do bueiro da nação.

A tarefa que se nos coloca é enorme, pois, misturadas com nossos preconceitos atávicos, que compõem nosso passivo social, como história de sequestro de terras e de exploração humana e da natureza, temos as ideias fixas, mais atuais, inoculadas na nossa cabeça, por falsas notícias, disseminadas aos milhares e milhares, criando blindagem mental ao que pode gerar o espírito crítico e a visão da realidade. O símbolo delas foi o símbolo da campanha anterior, a espingarda, e a propagação da facilidade das armas contra a violência, que não sabem combater nas suas raízes sociais.

A mentalidade vigorante e ignorante é demonstrada em uma única frase semelhante a essa – só as forças armadas podem enfrentar o socialismo. Primeiro, faz tempo que não há guerra externa. Segundo, como não há guerra externa, não se deve fazer a interna, considerando opositores como inimigos. A palavra que ameniza o comunismo é socialismo, quando tanto um como o outro pouco contribuem à redenção da diversidade de nosso país. O território brasileiro foi consolidado, na sua extensão, pelo trabalho diplomático, pelo diálogo, e será pelo trabalho da inteligência e da criação de um projeto nacional que se fará nossa redenção, aproveitando a experiência de tantas instituições e de milhares de associações e pessoas. Formar-se-á assim a estrutura do Estado soberano e livre, onde as forças armadas, como instituição permanente, deverá guardar seu papel importante de cuidar de nossas fronteiras pelas quais transitam clandestinamente armas e drogas, defendê-las de exércitos ou milícias externos. Não poderão elas pretenderem interpretar a Constituição, substituindo o Poder Judiciário, nem pretender ser Poder moderador, que não são. E quem só fala delas pretende, na verdade, que sejam sua parede de proteção. Uma confissão descarada de um aprendiz de ditador.

Mas, primeiro, precisamos sentir vergonha do país rico que temos, que alimenta ou pode alimentar o mundo, mas não alimenta seu povo.

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Cristo, prisioneiro político

21 quarta-feira dez 2022

Posted by Feres Sabino in blog

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O tempo atual traz contradições profundas. A maior delas é a da mensagem cristã que confronta com tantos que, em nome dela, praticam infâmias, mentiras, violências, torturas e morte. Frequentemente, como atos de governo.

A infâmia e a violência, quando praticadas por quem não tem responsabilidade de função pública, afetam o espaço sagrado de individualidades conviventes, oprimem os do seu lar e projetam para fora o falso figurino do devoto do amor ou a exalação da maldade. Mas quando a pessoa é responsável pelo governo das políticas públicas, o respeito à fé cristã se torna um apanágio de falsário.

Cristo foi um perseguido político. A matança das crianças, em tenra idade, o procurava. Ela inaugura, na era da cristandade, a ordem desumana e brutal do que seria um Estado terrorista.

A pregação do respeito ao outro tem origem na mesma fonte, que nos torna solidários, ou que deveria nos tornar, quando a competição da inveja e da ambição ou da obsessão do poder não destroem esse sentimento de unidade e de igualdade.

Apesar de tão prolongada pregação de amor ao outro, durante mais de vinte séculos, o cuidado com o outro para uns é um imperativo da alma, para tantos é um descuido total, que leva à estonteante invisibilidade que esconde a realidade que os ataca. O outro não é visto.

Quando se analisa o Poder político, a lição da matança de crianças recém-nascidas, vê-se como as palavras bíblicas não servem de inspiração, já que elas afrontam o Poder político, na perversão brutal do que seria, e é, um Estado propenso ao terrorismo.

Se Cristo salvou-se da matança no início de sua vida, no final dela, os soldados identificaram-no pelo gesto traidor de um dos seus.

Entre o tempo de seu calvário até o momento de sua crucificação, fica a lição, que se finda na humilhação redentora. É um exemplo para os sofredores de todo sofrimento, que ganha o tempo sem tempo.

Não se compreende a confusão das lições religiosas com o interesse pragmático da política de conveniência de interesses privados, com pastores exigindo barra de ouro para seus favores criminosos. A palavra do Mestre do humano e do divino torna-se um incômodo para quem se torna um profissional do ódio, e o incauto não distingue essa mistura tóxica com que a esperteza apresenta a política misturada com religião.

O propagador do ódio nunca diz “eu sou o propagador do ódio”, tal como aquele déspota não diz “Eu sou um ditador”. Sempre se utilizam da palavra democrata, democracia, como se amor e ódio fosse aquilo que os aprendizes de ditadores falaram sobre a democracia. Ela seria um estágio para se chegar à democracia. Estágio, sim, compreendido como campo de batalha da coragem moral, que quer conquistar a luz contra a escuridão. Pior, quando abusam do direito que a democracia garante, para destruí-la, como a liberdade de expressão sem limites. O ditador ou seus aprendizes não toleram limites.

A paz sugerida por Cristo não é a paz dos cemitérios. É a paz da justiça. A promessa de paz que fez tremer o império, lá no início da jornada. O império reagiu, como terrorista, com a ideia revolucionária em propagação descontrolada – “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, com o clamor amplificado pelas catacumbas.

O Natal não é só a criança na manjedoura. Ela simboliza, sim, a lembrança doce que nos faz amar as crianças como elas são e como poderão ser. Natal, no entanto, celebra a manjedoura, mas no ventre dela tem a fuga para sobreviver à matança. Natal celebra a manjedoura, mas no ventre dela há pregação no templo e a expulsão dos mercadores, há o pão e o vinho partilhados, há a pregação às multidões, os milagres, a ceia, a traição, a prisão, o julgamento pelo grito assanhado da multidão. Há a abjeta covardia de Pilatos e o calvário com a sua tortura continuada e a sua humilhação. E, finalmente, a crucificação e depois de três dias a ressurreição.

Natal celebra a manjedoura, que agasalha o patrimônio de uma vida humana e divina, breve, que celebramos, sabendo ser essa data – A TEIMOSIA HISTÓRICA DO AMOR.

Feliz Natal!

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O país herdado

19 segunda-feira dez 2022

Posted by Feres Sabino in blog

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O nervosismo do divino mercado, que ninguém sabe quem é, aparece no sobe e desce do preço do dólar, e no vai e vem da bolsa de valores. No entanto, nada se ouviu dele sobre a informação do IBGE sobre o fato perverso de que 62 milhões de brasileiros estão na linha de pobreza.

Esse silêncio somente é registrado porque a situação brasileira e sua reconstrução necessária estão exigindo a união de todas as correntes políticas e de todos os setores da sociedade, simplesmente porque a situação das finanças brasileiras colocou todas as áreas da administração pública carentes de dinheiro, comprometendo políticas que vão da educação, cultura, inovação tecnológica até a segurança pública.

Essa situação de casa arrasada está no relatório do Tribunal de Contas da União que, pela primeira vez, realizou um trabalho prévio, que vai servir ao novo Governo, para estabelecer diretrizes e rápidas providências.

A primeira tarefa de qualquer cidadão ou homem público é trabalhar, como pode, para desintoxicar a cabeça de quem insiste em defender o indefensável, que é esse vendaval de quatro anos, que termina como a maior arruaça constitucional da história brasileira.

Nesse quadro, a ideia de se criar a figura de senador vitalício para os ex-presidentes da república cria a impressão de que, se para uns seria uma honraria desnecessária, para outros representaria um esconderijo criado, em nível constitucional, para vergonha nossa, como esse tal de orçamento secreto, que coloca de cabeça para baixo a racionalidade política do planejamento de obras e serviços, que a Constituição da República determina. Com esse planejamento as necessidades sociais, apontadas ou indicadas por deputados e técnicos, aprovadas por aqueles, são substituídas pelo direito do deputado de mandar a verba fabulosa para onde lhe convenha.

A Comissão de Transição, quando se dedica juntamente com o Congresso Nacional para garantir o benefício da Bolsa Família, mostra que o orçamento não previu o pagamento desse valor, sem o que ele não pode ser pago. Mas não é só, pois a farmácia popular está sem muitos remédios. As Universidades tiveram bloqueio de milhões. O reclamo foi tanto que ocorreu um desbloqueio por algumas horas, e o bloqueio das verbas aconteceu novamente. A Polícia Federal suspende a emissão de passaportes, por falta de milhões, recebe uma parte, faz emissões, para, logo em seguida, suspendê-la, outra vez.

Mas, para não haver acusação de cegueira política, aponta-se sucesso desse governo que ingressa na história do Brasil, como sendo aquele que não teve vergonha de declarar, logo no início, que defenderia a família e os amigos. Seu sucesso foi a política das armas, porque a fiscalização do Exército foi enfraquecida, e tantos tiveram acesso ao armamento pesado, como se fossem enfrentar as forças da lei. Lá em Minas Gerais, a estupidez realizou-se através da Prefeitura que organizou um evento e nele incluiu a exibição das armas. As crianças até manusearam granadas, num exemplo sinistro daquilo que foi despertado no país, no último quatriênio. Tem ainda a história mortal daquele garoto de 16 anos, que de posse do armamento do pai, militar, fuzilou crianças e professores na Escola, voltou para casa, guardou as armas, e almoçou. Os pregadores das armas estão certamente felizes porque a sua estupidez está sendo irradiada, alcançando pontualmente o final desenhado por ela: separação, ruptura, violência e morte.

Não registremos as mortes dos que levaram às últimas o seu ódio político, invadindo festa alheia para matar, ou daquelas discussões descompassadas e fatídicas.

O Brasil se descobriu violento, em setores. E teremos nesse Século XXI o dever de continuar a evangelização pela Paz, entre os irmãos, que somos.

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