• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos do Autor: Feres Sabino

Os debates no Centro

15 segunda-feira ago 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

O artigo de Rui Flávio Chúfalo Guião, advogado, empresário, historiador, veiculado no dia 4 de agosto nesta Tribuna, sobre o histórico Centro de Debates Culturais, que a emissora pioneira do interior do Brasil, a PRA-7, nosso orgulho, relembra a importância de sua existência, para a formação de nossa consciência cívica, social e nacional.

O excelente artigo trouxe-nos inesquecíveis recordações.

Era tempo da Frente Parlamentar Nacionalista, formada na Câmara Federal, por parlamentares de muitos e diferentes partidos políticos, mas que atuavam coesos nas matérias sensíveis aos interesses nacionais.

Era época de debates nacionais, que valem ser lembrados, para comparar-se com nossa atualidade político-institucional e social, em que decisões importantes como, por exemplo, da Câmara Federal, são tomadas irresponsavelmente à noite e por plenário virtual, que até executou reforma da Constituição, o que significa dizer que a arruaça institucional do Brasil enterrou a prática necessária e obrigatória do debate aprofundado.

Uma palestra inesquecível foi a do deputado Dagoberto Sales, que fora o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre “Minerais Atômicos”. Ele pertencia ao partido de Ademar de Barros, o PSP – Partido Social Progressista.

Nessa palestra a revelação nos trouxe a prova provada de um Brasil sequestrado, sujeito à traficância criminosa de materiais atômicos, como aconteceu com as areias monazíticas das praias do estado do Espírito Santo. Elas eram levadas aos montes, como calado de navio sob a vista grossa de nossa inconsciência e de nossa ignorância.

O outro palestrante foi o deputado Gabriel Passos, que pertencia à UDN – União Democrática Nacional, e que integrava a Frente Parlamentar Nacionalista, hoje nome de uma refinaria da Petrobras. Ele falou sobre o tema Notas Reversais do Tratado de Roboré, cujo objeto é a demarcação de limites geográficos entre Brasil e Bolívia. Ele era cunhado do Presidente Juscelino Kubitschek.

Ainda, os nomes dos deputados Abguar Bastos e Rogê Ferreira ficaram inscritos nessa memória que trazia, à época, nos problemas em debate, a certeza de um Brasil promessa, que se tornou essa pasmaceira oficial com que nos brinda a figura sinistra que se reúne com embaixadores estrangeiros para humilhar o país.

Quando se lembra das areias monazíticas sendo levadas só para ajustar o calado dos navios estrangeiros, e se vê que hoje nos céus da região amazônica circulam aviões de contrabandistas, que aterrissam e decolam de mais de mil e seiscentos campos de pouso clandestinos, número superior ao das pistas legais existentes, avalia-se a diferença entre aquele tempo de técnica de controle inexistente e esse nosso tempo de possível controle técnico avançado e primoroso, mas que é calculadamente inexistente ou calculadamente precário no Brasil de hoje. O mesmo país sequestrado, mas com tantos militares no governo, ocupados em atacar as urnas eletrônicas, ao invés de integrarem um projeto nacional de desenvolvimento gerado por civis e militares, só para não dizer das associações de classe e das universidades, ou da sociedade civil.

A geração daquela época, formada na vigência da Constituição de 1946, educou-se no rico período da tolerância democrática, com uma forte presença da imprensa nacionalista, combativa, que denunciava a tentativa de Internacionalização da Hileia Amazônica, quase entregue, de graça, a um conjunto de países, cujo instrumento jurídico de entrega o Brasil não teria nem a versão em português. Na Câmara Federal, os discursos do deputado constituinte Goffredo da Silva Telles e o pronunciamento do Ministro da Guerra foram a tábua de salvação da dignidade brasileira.

O Centro de Debates instituído pelo pioneirismo radiofônico do “seo” Bueno serviu de campo de irradiação de cultura e consciência.

Hoje, por sugestão do advogado e professor Sergio Roxo da Fonseca, a OAB – 12ª Subseção, presidida pelo advogado Alexandre Nuti, resolveu reavivar o Centro de Debates, que será inaugurado pelo desembargador aposentado Artur Marques da Silva Filho, atual Presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

Convite à leitura

12 sexta-feira ago 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Meu primeiro livro DA PALAVRA AO FATO (Círculo das Artes) reúne artigos e discursos do período compreendido entre 1974 e 2004.

Nele a celebração é da palavra que, como ação, constitui a arma e a elegância do advogado e do jornalista. Viver, conviver, convencer, persuadir, amar, pressupõe o vínculo comunicativo da palavra. Reivindicar, orar, lutar, defender direitos e interesses, através da palavra, constitui o elo invisível da aproximação ou da comunhão de todos na sociedade.

Às vezes, a palavra serve à disseminação da falsidade, ou à confusão de conceitos, quando em nome da democracia a liberdade de expressão é usada para destruí-la, no reinado dos impostores. E é com a palavra e pela palavra que eles são desnudados, desventrados, condenados e punidos na infindável caminhada da civilização.

Pode-se dizer que tais artigos e discursos perpassam o tempo da militância da política partidária, o da advocacia, com a participação na política da classe, lê-se Ordem dos Advogados do Brasil, o tempo da Associação dos Advogados, o tempo da Procuradoria Geral do Estado, o tempo da Assessoria Jurídica do Governo, o tempo da Secretaria dos Negócios Jurídicos da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, o tempo de Diretor Executivo da Funap (Fundação Manoel Pedro Pimentel), direcionada à ressocialização da pessoa prisioneira, e, finalmente, da Academia Ribeirãopretana de Letras.

Os artigos ou discursos não se sucedem cronologicamente, a sequência é temática.

Convido-o à leitura.

Clique no link para comprar seu livro impresso diretamente nas lojas:

  • Amazon
  • Americanas
  • Shoptime
  • Submarino
  • Bok2
  • Mercado Livre
  • Magalu

Clique no link para as lojas em que o e-book está disponível para compra:

  • Apple
  • Amazon 
  • Google
  • Kobo
  • Livraria Cultura
  • Storytel
  • Wook

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

O dia 11 de agosto

11 quinta-feira ago 2022

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

A celebração do dia 11 de agosto é a da fundação dos cursos jurídicos no Brasil, lá em Olinda e em São Paulo.

Não se iludam, supondo que tenham saído dessas unidades universitárias somente gerações sucessivas de jovens idólatras e reprodutores da ordem jurídica consagrada, sob o manto de um conservadorismo imobilizador. Esses também saíram.

No entanto, o imobilismo não condiz com o tempo histórico. A melhor prova disso é a ruína guerreira ou pacífica de governos ou impérios que se pensavam eternos. “Dai a César o que é de César, a Deus o que é de Deus” corroeu o gigantesco império romano.

Mas se disse que de lá não saíram só conservadores, foi porque no “jardim de pedras” da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde o “pátio não tem dono”, na expressão de Flávio Bierrenbach, são vividos momentos extraordinários da vida nacional, pois, o espírito crítico e criador, animado pela sagrada liberdade de expressão, captura o espírito do tempo presente, sua necessidade, e inspira seu grito de redenção.

Foi assim em 1977, com a Carta aos Brasileiros lida pelo mestre Goffredo da Silva Telles, nosso professor de Introdução à Ciência do Direito, cuja experiência enriquece o patrimônio da liberdade, a ponto de sua mulher, nossa colega de turma, Maria Eugênia Raposo da Silva Telles, testemunha privilegiada daquelas razões e realidade, agora, diante da nova Carta aos Brasileiros e às Brasileiras, como que lança um alerta motivador sobre os perigos que sobressaltam a cidadania e geram a insegurança prolongada que vivemos. Ela disse à Folha de S.Paulo, em 1/8/2022, “Hoje nós temos um ambiente de ameaças de que nossas conquistas possam ser atingidas, violadas, retiradas à força. Temos uma vida democrática de relativa qualidade que há alguns anos vem sendo ameaçada por bravatas, por atos públicos de promessa de ruptura”. E ainda testemunha a realidade sobre a qual a primeira Carta foi concebida: “Nós vivíamos em 1977 uma época de ausência total dos instrumentos democráticos. Havia censura, havia tortura, as pessoas desapareciam, sofriam ameaças de todas as formas, colegas de faculdade eram presos ou tinham de fugir para o exterior, viver no exílio…”

Indiscutivelmente, a força de cada cartilha contida em cada Carta aos Brasileiros representa a arma de mobilização, para que enfrentemos com pensamentos, palavras e obras essas ameaças, pois, a honra do país já foi atacada pelo nosso magistrado político, em reunião com embaixadores estrangeiros, quando se deu à pequenez de humilhar o Brasil e suas instituições. E não foi gesto isolado, gesto sequencial, prolongado, impune.

11 de agosto é uma data de emergência da inquietação da alma brasileira. Se, no século 19, em 1827, era a ambição de que as letras jurídicas conseguissem facilitar os estudos dos filhos das pessoas ricas, que construiriam devagar as regras que dariam base à organização jurídica da incipiente sociedade brasileira, o fato é que, em 2022, a inquietação segue no sentido da participação democrática, conferindo a cada cidadão os direitos e os deveres para ficar vinculado ao sistema da produção e ao sistema do consumo e ao sistema educacional da criação.

Essa democratização se confronta com o receio do conservadorismo malsão, historicamente achatado já que ameaçaria privilégios enraizados, que definem o atraso do desenvolvimento nacional e impedem a formação de uma consciência de nação. A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco faz o milagre de inspirar o seu grito de liberdade da singela e terna dureza de seu “jardim de pedras”.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos
Posts mais Recentes →

Posts recentes

  • O nome dele é Fernando Haddad
  • Da hipocrisia ao ataque traiçoeiro
  • O humanismo de David Grossman
  • Banco Master – A sua rede política de proteção
  • O Melhor da Vida

Arquivos

  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
 

Carregando comentários...
 

    %d