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Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

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O que fica

07 segunda-feira mar 2022

Posted by Feres Sabino in blog

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Quando impera o silêncio da morte, a lembrança da pessoa emerge na sua essência, deixando extinguir-se junto com o corpo físico tudo que aparecia como acessório.

Assim, surge o que fica de Said Issa Halak, que é a controvérsia projetada na expressão pública da sua personalidade.

Nada mais fala do homem do que o ser controvertido pelos seus atos e ideias, especialmente quando defendidos, com segurança, honestidade, determinação e coragem. Sua profissão tinha que ser a do advogado, pois a ela pertence a ética da parcialidade, na defesa de interesses e direitos materiais e imateriais da pessoa. E não só por isso, pois é essa profissão que tem o convívio obrigatório com o direito fundamental da liberdade da pessoa, como defensor dela, na projeção que se espraia pelos campos, cidades, vertentes e florestas pelos quais o homem caminha na sua vida. Os direitos fundamentais da pessoa, eis bandeira.

Said circulou pelo campo movediço da política partidária, antes de 1964, como vereador. Depois, trouxe pela vida o orgulho de ter sido preso e depois vigiado pelos assaltantes da democracia, os mesmos que hoje têm o desatino de falar que a ditadura é uma etapa da construção democrática, mas sem esclarecer que, como etapa, é o episódio abominável da construção, porque de consequências deletérias e perversas, até hoje. Mais recentemente foi Vice, quando Sérgio Roxo foi candidato a Prefeito.

A defesa criminal atraiu a competência de Said, para a tribuna do júri, cuja voz era ouvida com atenção e respeito.

Quando transmiti a notícia ao advogado de Tatuí Benedito Antônio Dias da Silva, o Bene, ele imediatamente retornou com o seguinte testemunho: “Um grande líder da política corporativa em toda Região Ribeirão-pretana. Meu amigo, companheiro em dois Conselhos da OAB”.

Esteve, como participante, na fundação da Associação dos Advogados de Ribeirão Preto, sempre a prestigiou, alcançando depois, por duas vezes, a Presidência da 12ª Subseção da OAB, de Ribeirão Preto e da Região.

Um típico grande advogado, felizmente controvertido, como sói acontecer com quem tenha posição definida expressada com ênfase.

Essa é a expressão pública da personalidade.

A expressão interior, especialmente a do seio familiar, é analisada pelos seus frutos. Deixa a mulher com quem conviveu mais de meio século, deixa filhos, deixa noras e netos, numa longitude de tempo, morreu com 91 anos, que dá gosto de admirar e aplaudir.

Nós não queremos nos aproximar da morte, apesar de a espreita dela ser diária e permanente, mas especialmente com o tempo prolongado de vida, e sendo ela comum a todos, temos que bendizer quem nos deixa, arquivando no coração e na memória de todos o mesmo que a memória da cidade não pode esquecer.

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O Pecado Oculto

24 quinta-feira fev 2022

Posted by Feres Sabino in blog

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A pessoa ou indivíduo ocupa um lugar no mundo, em torno do qual ele circula, quando não se aventura por linhas divergentes, que podem no seu tempo e espaço convergir.

Nesse seu percurso ela deixa suas digitais nas paredes da vida, que refletem sua fé, paixões, sentimentos, crenças, o sentido que deixou para ser lembrado como alguém que já se foi.

E dentre os sentimentos é a vez da inveja ser comentada, porque ela é o tema do livro O Pecado Oculto, que Cezar Augusto Batista incorpora ao seu patrimônio de autor, com o prefácio de Marcos Zeri Ferreira, ambos da Academia Ribeirãopretana de Letras. Eles juntos invadem a alma humana, como garimpeiros tomados pela obsessão do enigma de energia etérea, alojada no corpo físico, que pode ser fragilizado e ficar doente pelo sutil império de um sentimento negativo, como é o da inveja. Um “defeito ético”.

O tema do livro sugere muitos exemplos, como o da mulher abastada querendo se separar do marido pela razão tola e menor de que a mulher do sócio dele trocava de carro todo ano, e ela não. A cura veio da conscientização que ela mesma assumiu, quando advertida da pequenez de sua razão ética e moral, e dos valores ameaçados pela pretendida separação.

A inveja é o querer aquilo que não se tem, mas de forma defeituosa e negativa, pois se compara com o outro, que tenha ou que ela pensa que ele tenha. Diferentemente do ciúme, diz o autor, pois esse nasce do medo de perder o que se tenha possessivamente como seu. Dentre outros autores, o livro refere-se a Francis Bacon, quando nos seus Ensaios diz da inveja “[…] É uma paixão inquieta e acolhedora que obriga o caminhar pelas ruas, e não permite que fique em casa”.

Esse invejar atinge degrau diminuto, quando a inveja é pela compleição física do outro, seu modo de se vestir, sua fluência no falar, seu conforto material, o seu sucesso reconhecido na vida profissional ou política, sua capacidade de se relacionar com toda e qualquer pessoa, em qualquer situação, sua vida organizada com família, ou sem ela.

A inveja é a inconsciência de seu lugar, de sua potencialidade, de seus limites. Sem isso, é um sentimento corrosivo, como lembra Cezar avalizado pelo Marcos.

Não já inveja, porém, no diálogo, entre duas senhoras abastadas, relatado pelo motorista de táxi, no qual uma dizia à outra estar indignada porque sua empregada doméstica fora de férias para o nordeste, visitar a família, e foi de avião. Que absurdo!

Nesse episódio emerge preconceito da discriminação econômica e social, herdada culturalmente do longo período da escravidão.

Mas, o mais expressivo exemplo de inveja, dissimulada, surge na e da política, esse palco das paixões, como ocupantes permanentes da flor da pele.

Como se sentem muitos servidores togados do Estado, que deveriam estar discreta e eficientemente exercendo suas funções, exigentes de estudo e concurso público, diante de um retirante, torneiro mecânico, que perdeu um dedo no seu trabalho, dono só das primeiras letras, e que a universidade da vida fê-lo político, estadista, Presidente da República, homenageado 36 (trinta e seis) vezes com a láurea de Doutor Honoris Causa, inclusive por universidades do mundo? A inveja, soberba e arrogante, pode dissimuladamente querer dar uma lição nesse atrevido, afetando até o dever de julgar, exigente do esforço heroico da imparcialidade. Souberam humilhar e em seguida souberam gargalhar. Será que o “defeito moral da inveja” não está presente no julgamento que atrai outros graves interesses, de poder, de promessa de cargo de Ministro, e até mesmo dinheiro? A inveja, na política, tende a surgir como fúria.

Mas o exemplo mais patético da inveja é a que acontece no velório de alguém. Quando há quem sinta inveja do morto, só porque ele está sendo chorado, reverenciado.

Cezar e Marcos, juntos, procuraram interpretar a intimidade do ser humano, e se saíram bem, desventrando a inveja.

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Você é um babaca?

21 segunda-feira fev 2022

Posted by Feres Sabino in blog

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Essa maneira de perguntar, um pouco provocativa, muito desrespeitosa, nada mais representa do que uma advertência, uma vontade de chamamento à razão, para quem entre ou esteja entrando, de corpo e alma, nas redes sociais, e ficando magnetizado com a riqueza das informações e das inacreditáveis e volumosas falsidades.
As redes sociais revolucionam a vida das pessoas, da sociedade e do mundo. A lei é atacada e o sistema jurídico entra em crise, com seus guardiões às vezes perplexos.
O fato é que as redes sociais deram ensejo a muitos imbecis de aparecerem, vomitando o que lhe interessa, por dinheiro ou interesse político e ideológico. Milhares de noticiais falsas e comentários mentirosos são lançados ao ar e ao vento, para o consumo de milhões de pessoas desavisadas e muitas vezes ingênuas.
O direito que mais sofre nessa enxurrada, em forma de tsunami, é o direito de expressão, a liberdade de expressão.
Se antes o pressuposto desse direito era o de se expressar sem destruir a pessoa ou o outro, ou as instituições, hoje o ataque vertiginoso a ela emerge como justificativa à liberdade de expressão. Tem-se assim como um normal, para essa leva de imbecis, que a democracia pode ser destruída por instrumento que ela oferece como seu direito em convívio social.
O gravíssimo, porém, não está na expressão visível da estupidez. Ela está na raiz onde ela nasce. Ela está no espírito e na alma de quem se sujeita à maravilha das redes sociais.
Diz-se gravíssimo, pois, as plataformas criadas pelo gênio do homem, hoje, retiram invisivelmente de você o que você é, de que você gosta, o que você pensa, o que você prefere e, automaticamente, vão oferecendo em cascata aquilo que você aciona primeiro como de sua preferência.
Esse domínio apodera-se de você, porque as redes sociais tornaram-se um negócio altamente rendoso, e quem pode pagar utiliza esse poderoso instrumento de dominação da pessoa.
É o que sustenta o cientista da tecnologia da informação Jaron Lanier, no livro Dez mandamentos para você deletar agora suas redes sociais, apresentando já no seu Argumento Um – “Você está perdendo o seu livre-arbítrio”, e escrevendo logo em seguida: “Algo totalmente novo está acontecendo. Nos últimos cinco ou dez anos todo mundo começou a carregar consigo, o tempo todo, um aparelho chamado smartphone, feito sob medida, para modificações de comportamento pelos algoritmos”.
Claro que essa é uma primeira etapa de vivência desse tsunami oferecido pela tecnologia da informação. Seguramente, essa experiência terá controle eficaz um dia. Mas, até lá, o mundo das relações sofrerá com essa ruptura fantástica.
Você ainda não é um babaca, com certeza!

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