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A teoria da conspiração e a Vaza Jato

21 terça-feira jul 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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O renomado jornalista brasileiro Pepe Escobar, que vive no exterior ora em Washington, onde viveu muitos anos; ora na Tailândia; ou em Paris, sem deixar de frequentar a crueza de guerras; ou ainda Afeganistão, por exemplo. Ele possui extensa capilaridade informativa, na qual se incluem jornalistas, analistas políticos e intelectuais dos Estados Unidos, da França, da Rússia, da China e de tantos outros países da Ásia. Conhece os labirintos e os meandros da política internacional e nos esclareceu sobre a invenção e a origem da chamada “teoria da conspiração”.

A teoria da conspiração tem sua maternidade no seio sagrado da CIA, que é a instituição-mãe da espionagem norte-americana. Historicamente, ela derrubou governos, estimulou guerras civis, praticou assassinatos e realizou operações especiais em países de qualquer bandeira ideológica. Seu poder cresceu tanto que, atualmente, ela formula e realiza a política externa do poderoso império norte-americano, assustado com o crescimento da China e com a possível parceria dela com a Rússia. O que fez crescer seus cuidados com o seu quintal composto pelos países da América Latina.

E o epíteto “teoria da conspiração” serve de proteção contra qualquer espírito crítico que se aventura no exame de situações políticas que não interessa que sejam esquadrinhadas, analisadas no contexto da realidade nacional e internacional. O pensamento deve ser hegemônico. Para isso a massificação é internacional, tal como condiz com o poderio imperial. E os incautos ou os espíritos de má-fé simplesmente imprimem no analista ou no político que visa o bem de seu país, com análise de sua história, de seu presente e sua projeção para um futuro possível, a pecha desatualizada e vencida de “comunista”.

Assumindo tal palavra como um palavrão condenatório, sem julgamento algum, por mera intoxicação midiática massiva, impede-se que se forme um movimento de opinião rebelde e redentor. Defender a equidistância do país, por exemplo, no choque de interesses imperiais que colocam frente a frente Estados Unidos e China, não é permitido pelo pensamento hegemônico, apesar dos interesses reais de nosso país desaconselharem alinhamento, muito menos alinhamento vassalo. Pela equidistância, os interesses nacionais circulam em busca de sua redenção. Essa redenção libertadora não interessa a nenhuma grande potência que não admita concorrência, só vassalagem. Tal redenção, simultaneamente com outras políticas, inicia-se pela reindustrialização do país, apequenada gradativamente, desde 1980, quando a crise da dívida externa foi criada externamente com a elevação dos juros de 5% para 12% e, finalmente, a 20%. Tal variação era direito conferido abusivamente ao credor. Um instrumento de dominação que desarticulou as economias da América Latina, como convinha ao império.

Assim, com a tal teoria da conspiração como blindagem, aparece agora para provar suspeitas antigas de que a Lava Jato – com a bandeira simpática do combate à corrupção, que deve ser diária e de todos – cometeu tais e quantos abusos que até seu vínculo com o FBI, outra instituição norte americana, faz de procuradores e seu juiz comandante reles servidores de interesses estratégicos de país estrangeiro. A denúncia sobre a visita de autoridades estrangeiras no ano de 2015, em Curitiba, estabelecendo vínculos pessoais de cooperação, sem conhecimento do governo brasileiro, viola o Tratado de Cooperação em matéria penal, assinado em 2001, que estabelece o óbvio de que a relação era, como é, entre governo e governo.

Mas a impunidade cresceu; cresceu na ilegalidade até chegar ao confronto atual e público do procurador coordenador da Lava Jato com sua colega, que foi a Curitiba, representando o Procurador Geral da Justiça. Se houve ilegalidade deve ser apurada, disciplinarmente, e se houve crime, ninguém está acima da lei, como eles mesmos diziam no auge do abuso. Afinal, na sua arrogância impune, ele pensa ter o FBI, quem sabe, a CIA, quem sabe, a Quarta Esquadra norte-americana, para sustentá-lo, a ele e ao desejado (por eles) candidato a candidato à presidência da república, em 2022.

A quinta-coluna do país agora é formada por togados e ex-togado. Enquanto isso, o Conselho Nacional do Ministério Público adia mais uma vez o julgamento do coordenador desse câncer jurídico-ético, que cresceu no seio da instituição, com projeto de poder augusto e imperial, mas vassalo de potência estrangeira.

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Necropolítica

14 terça-feira jul 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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A maior contribuição da “nova política” do Brasil, além da vassalagem à geopolítica dominada pelos norte-americanos sob os auspícios do emagrecimento da Petrobrás e da desossada praticada contra o Estado Brasileiro, é a descoberta oficial de que o centro da divulgação da mentira massificada encontra-se mesmo dentro do Palácio do Planalto.

Essa dádiva à verdade foi dada, publicamente, pela Direção do Facebook, que ligou 73 contas falsas ao centro do poder político brasileiro. A manchete do jornal está assim: “Facebook remove 73 contas falsas ligadas aos Bolsonaros” (Folha de São Paulo, 9/7/2020).

Existe precedente na história do Brasil de tanta vilania, de tanto apodrecimento da moral pública?

O hábito impune que influenciou nas eleições de 2016 construiu o vírus que atacou, e ainda ameaça, a incipiente democracia brasileira, quando elegeu o “vírus” que propaga a necropolítica.

“Necropolítica” é o agasalho da morte no discurso e na política do poder, que subjuga a vida, valor ético-jurídico consagrado como primordial na Constituição do Brasil. Esse conceito foi construído pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, no ensaio que leva esse mesmo nome.

Sob a luz desse conceito pode-se didaticamente colocar os atos e palavras do Presidente da República. Devoto explícito da tortura e sacristão devotado do maior torturador da fase brasileira do “nunca mais”, eleito, é verdade, por cinquenta e sete milhões de brasileiros, cristaliza só com essa impulsão a centralidade preferente de sua política.

Hoje se sabe que a vida está celebrada na sua ligação com o meio ambiente saudável, tal como previsto na nossa Constituição. No entanto, a palavra presidencial reiterada incentivou incêndios na Amazônia e desmatamentos e invasão mineradora de terras indígenas – “Bolsonaro tem sabotado os órgãos ambientais” (Valor, A19, 9/07/2020); o “Desmatamento já causa ‘bloqueios silenciosos’” (Valor, 9/07/2020) –, devido à maior exigência de compradores internacionais ao agronegócio.

O receituário da cloroquina, sem aprovação científica para debelar a formidável crise sanitária reproduzida pelo mundo no Brasil, ultrapassa o limite da atuação de um Presidente da República, e sua reiterada aparição pública, sem máscara, pode ser considerada como um propagador do vírus. Tanto que o atingiu, fazendo-o vítima de sua própria opção.

Outra questão ligada a essa surge da interrogação: qual teria sido a motivação expressa, e legalmente necessária, para sustentar a compra gigantesca de cloroquina pelo Exército? Não se pode alegar que o presidente, travestido de médico ou cientista de ocasião, quer porque quer que sua vontade imperial seja seguida. Com isso não se atende ao interesse público, o único que justifica atos administrativos. Qual será a motivação necessariamente escrita para tal compra? Eis o que se deve saber.

Seu confronto, sem razão nem lei, com governos estaduais e prefeitos, culpando-os pela negatividade humana da crise sanitária, é um despautério absoluto, porque a Constituição fixa claramente a competência de cada ente federado, e cabe à União a coordenação de políticas adequadas a cada região do país.

O não cumprimento dessa imposição legal está debitada na conta da responsabilidade genocida. Não fez, não faz, e culpa os outros que estão fazendo. E o Supremo Tribunal Federal só decidiu para lembrar a Constituição jurada de cumprimento, por autoridades civis e militares.

Para a necropolítica, o poder soberano decide quem deve viver, quem deve morrer. A morte antevista de milhares de brasileiros foi antecipada pelo poder da morte com a seguinte justificativa –  muitos morrerão, porque muitos morrem simplesmente.

Assim, para esse poder desumanizado e insano, a inteligência científica, como a liberdade de opinião, representa um estorvo à propagação do vírus que, desde sempre, quer matar a democracia.

Esse poder sempre camuflado, como na Espanha de 1936, berrou o que seria vitorioso para um longo período de trevas institucional e para as armas:

“Abaixo a inteligência, viva a morte!”

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A ditadura na terra do quem sabe ou do talvez

10 sexta-feira jul 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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A leitura da história não é assim tão generalizada a ponto de se ter uma consciência alerta, densa e forte organizada para a defesa da democracia, por exemplo. O grunhindo ignorante a favor da ditadura por uma pequena parcela de jovens, e mesmo adultos, sem esquecermos dos esquecidos pela má-fé, corre por conta dessa indisposição ao conhecimento da realidade. Melhor, por ignorância. Tal o efeito desse estado que quando se diz que tortura faz bem e o torturador é um herói, nada acontece para tais pessoas, nem ânsia de vômito.

Agora, porém, se tornou fácil compreender o que foi a ditatura por meio da campanha da Folha de São Paulo, de vocação continuada, até as eleições de 2022, sob o título “O que foi a ditadura”, iniciada no domingo, dia 20 de junho, com manchetes que, se não despertam o interesse da leitura, ao menos, por si, já dão o mote do alerta sinistro.

 “Ditadura formou geração de militares que hoje povoam governo federal”;

 “Dissimulada, ditadura militar criou miragem de separação de Poderes”;

“Regime agigantou as empreiteiras e foi rico em escândalos financeiros”;

“Engrenagem de abusos perseguiu, matou, torturou e saiu impune”;

“Regime impregnou polícia com valores e métodos repressivos”;

“Artes e imprensa sofreram mordaça para não atrapalhar o ufanismo oficial”;

“Foi fácil entrar na ditadura, difícil foi sair”;

 “‘Milagre’ revê PIB recorde e semeou década perdida”;

“O afã de integrar Amazônia levou a desmatamento e morte de índios”.

A projeção histórica do malefício da ditadura pode ser vista na lei de segurança nacional, diploma nascido no auge da Guerra Fria, que trata o opositor político não como um adversário, mas como inimigo. Essa dicotomia invadiu sub-repticiamente o discurso político posterior do país, às vezes, com roupagens ou etiquetas ideológicas diferentes, mas rigidamente bifronte, discriminador, implícita ou explicitamente violento.

Com o Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, no governo de Artur Costa e Silva, sobreveio o fechamento do Congresso Nacional; a cassação de mandatos parlamentares; aposentadoria compulsória de três ministros do Supremo Tribunal Federal (Hermes Lima, Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva) e dois outros, que saíram porque discordaram da violência verde-oliva (Gonçalves de Oliveira e Antônio Carlos Lafayette de Andrada). Houve a cassação de professores; estudantes; prisão de pessoas críticas do regime; sobreveio a suspensão dos predicados da Magistratura e da garantia constitucional do habeas corpus; a intervenção em Estados e Municípios. O AI nº 5 gerou o êxodo dos cérebros nacionais, que foram lecionar e/ou pesquisar em outros países, indo também opositores daquele Estado policial, no qual as liberdades e garantias individuais e civis ficaram cerceadas no cenário nacional do medo e do terror, enquanto nos porões se desenvolviam as práticas de tortura e humilhação, quando não de morte, que depois diziam ter sido em confronto. A liberdade de imprensa ficou cerceada.

Em 1977, o líder do MDB, Alencar Furtado, criticando o AI nº 5, declara: “O programa do MDB defende a inviolabilidade dos direitos da pessoa humana para que não haja lares em prantos. Filhos órfãos de pais vivos – quem sabe, mortos, talvez. Órfãos do quem sabe e do talvez”.  O General Geisel o cassou.

Quem viveu ou sobreviveu tem o dever de contar, e quem nasceu depois tem a obrigação de conhecer, para que o país não repita seus erros nem como farsa e possa debruçar-se sobre si mesmo, se perguntando: o que queremos ou podemos querer de nós mesmos? Eis o início da consciência.

Apesar disso, foi nesse glorioso Brasil que se ouviu a estupidez: a ditadura ajudou a democracia. Essa é a ousadia de todos aqueles que saíram protegidos pela amplitude da anistia.

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