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A juventude musical como orquestra

04 sábado abr 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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No domingo, dia 22 de março, a TV Brasil apresentou às 23 horas um programa imperdível, daqueles que nos fez e faz esquecer tantos vírus quantos forem os jovens brasileiros que se abrem à vocação de viver alegremente num país estruturado na democracia, e que sabem se orgulhar da confluência do índio, do branco e do negro em nossa formação histórica, realizam a promessa –  já cansativa e sempre adiada –, de ser um país igual, soberano e livre.

Não é possível assistir a um espetáculo como o apresentado sem pensar na lição de Mangabeira Unger, quando enaltece a potencialidade dispersa e anárquica do povo brasileiro, seu gênio, sua criatividade, que aguarda sua cristalização organizada, para inspirar a criação de instituições enraizadas nessa diversidade rica de talento e de vida.

A TV Brasil simplesmente apresentou a JOVEM ORQUESTA DE PAQUETÁ.

Paquetá, nome indígena, que significa “muitas pacas”, situa-se ao noroeste da Baia da Guanabara e tem aproximadamente 4.500 habitantes, salvo a quantidade de turistas flutuantes, que faz crescer o número de pessoas durante a temporada.

No entanto, nasceu ali o projeto BEM-ME-QUER PAQUETÁ, que se dedicou à formação continuada de música de concerto, estimulando crianças para essa atividade como um despretensioso traço, um norte, uma vela acesa, um rumo, construindo a animação do desejo de ser e de conquistar. E eis que esse grupo, o qual começou só com violinos, acabou se constituindo em orquestra de concerto, com violinos, clarinetas, oboé, percussão, violoncelo, contrabaixo, clarineta, viola. A maturidade desses jovens os levou à sua primeira turnê, na Alemanha, em 2014, que durou trinta dias, conquistando a admiração e o sucesso daquele auditório com um público musicalmente exigente.

A turma se formou ali, na Casa das Artes Paquetá, essa ilha cuja geografia, lindíssima, forma com 15 outras um belo arquipélago. Já em 1556 o local extasiava seu descobridor, o francês André Thevet, líder da expedição francesa. O arquipélago chama-se Paquetá, nome dado por ele. Mas a sabedoria do tempo impregnou-o de um sentimento de espera sem nome, que hoje a gente confere a ela o perfil de um sonho de todos os habitantes daquela área; esses que um dia adivinharam algo, que não sabiam o que era, mas seguramente seria de jovens, uma vez que a juventude é a esperança e a música é o esperanto, linguagem universal da arte.

Impressionante a maturidade dessa turma que se expressa movida, quem sabe, pela sensibilidade dos antepassados que o tempo traz invisivelmente, ensinando às almas o como capturar e converter em expressão de beleza o essencial do marulho do mar, a brisa ou o vento, castigando suave ou forte o rosto da realidade que todos querem transformar, para que todos possam usufruir da vida decente de que temos direito, e mais: ligados à natureza que não gosta de ser machucada, muito menos destruída.

A juventude musical, como orquestra de concerto de 20 jovens, entre 13 a 22 anos, numa cidade de aproximadamente 4.500 habitantes converte-se no evangelho de que é possível.

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Não se ouve falar do divino mercado

30 segunda-feira mar 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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A desgraça, ou a ameaça dela, sempre nos ensina.

Durante esses tristes e últimos anos, por exemplo, cansamos de ouvir que o “mercado disse”, “o mercado decide”, o “divino mercado tudo sabe e tudo resolve”, “o mercado apoia e o mercado não apoia”, “o mercado não gostou”, “o mercado supre a base política daquele Presidente carente dela”… É a celebração da livre concorrência desenfreada, livre iniciativa absoluta, desejosa de substituir o Estado, essa pessoa jurídica intervencionista, foco da corrupção, essa senhora sempre disposta a se casar com qualquer adjetivo. E com essa mentalidade reducionista, o Estado deveria ser escrito com letra minúscula, tal o desprezo que merece.

O Estado e sua necessidade nas crises, especialmente para os pregadores de sua desvalia, só aparece quando tais pregadores invocam, eles mesmos, a falta de coordenação do Estado, os milhões do Estado, as diretrizes do Estado, para realizar o que ele, Estado, deve fazer na crise, pois sem ela, agora viral, o discurso salvacionista premiava, até recentemente, o “divino mercado”.

Reclamou-se da posição realista e produtiva do governo da união federal, dispersa, com o Ministro da Saúde ocupando a cena, enquanto governos estaduais estão mais cooperativos entre si. Tal era a situação descoordenada nacionalmente que até ciúme o subalterno da saúde despertou. Ele estava trabalhando mais e melhor, dialogando, sugerindo, propondo. O ciúme, justamente esse sentimento menor e forte, serviu de ingrediente para o Presidente da República sair da letargia do que chamou de “gripinha”, que teria sido prestigiada exageradamente pela imprensa espalhafatosa, para continuar dizendo “gripinha”, após a reunião com governadores, contrariando as diretrizes de seu próprio Ministério.

O Ministro, no palco nacional e sozinho, era demais. Era preciso que o Ministro o agradasse, então escolheu um tema sensível, que revelaria simbólica lealdade, propondo até o que não lhe cabe – o adiamento das eleições municipais.

Ora, esse adiamento interessa justamente ao político que perde popularidade, crescente e crescentemente. Aquela tensa reunião com governadores, no entanto, não evitou a prática do vai e vem, do diz não diz do discurso presidencial, que só gera maior instabilidade, maior incerteza e confusão institucional e política, que só se explica como preliminar obrigatória de um golpe sonhado e para o qual ele dobra qualquer aposta.

Mas estamos falando dos homens do Estado, não dos homens do divino mercado. Aqueles têm por dever da função pública coordenar medidas e programas; colocá-los em prática; atender e prevenir a população; recomendar o que é necessário para sua integridade e, acima de tudo, garantir o abastecimento do comércio; o trânsito nas ruas e estradas; estudar a estratégia do consumo que é obrigatório para se alimentar, e dinheiro, dinheiro, para pode comprar. Mas se o poder aquisitivo emagreceu com a ausência de políticas desenvolvimentistas e com a reforma das relações do trabalho, ampliou-se a taxa de desemprego e aumentou-se a informalidade errática, como invocar o poder aquisitivo? Afinal, a solidariedade social está acuada pela santa individualidade empreendedora.

Os homens do divino mercado têm como objetivo, até patológico, o lucro, o ganhar mais, sem pagar imposto algum sobre lucros e dividendos, tal como Ciro Gomes democratizava essa informação e exigência, há meses.

Se Trump, esse exemplar de dinossauro político, revogou o sistema de saúde do Presidente Obama, agora na crise criada pelo vírus da “gripinha”, ele, preocupado com a proximidade da eleição, quer distribuir trilhões em dinheiro diretamente à população. Mas ninguém se iluda, o dinheiro não é de seu bolso milionário, tal como foi na grave crise de 2008, quando os bancos receberam dinheiro do Estado para se salvarem da situação que eles criaram. E por sua vez, os seus filhotes nacionais, que abandonaram milhares de pessoas pelo desmonte apressado e ideológico do programa Mais médicos, agora falam em diminuição de hora trabalhada, suspensão do contrato de trabalho, em voucher para o trabalhador, uma espécie de bolsa família distribuída para milhões do nosso universo nacional.

É preciso colocar os pobres no orçamento, mas quando se fala assim, não se pode entender que o orçamento é o do “divino mercado”, pois o orçamento pensado é o orçamento público desse Estado, que procuram destruir.

O Estado não deve hostilizar o mercado, mas precisa traçar seus limites, hoje ampliados pela globalização financeira, que intoxica a soberania dos Estados, enfraquecendo-os, exigindo consciência e atitude hercúlea para que recuperemos nosso sentimento de nação.

Estado e mercado se completam. Na crise, seguramente, o mercado se encolhe, para que o Estado surja imperativo com a força que procuraram antes enfraquecer e destruir.

Vamos reforçar o Estado, na paz retornada, para que ele possa coordenar um projeto nacional de desenvolvimento, que não existe só com dinheiro alheio e sem poupança nacional.

A desgraça, ou a ameaça dela, nos ensina.

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A sequência do vírus ideológico

26 quinta-feira mar 2020

Posted by Feres Sabino in blog

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Para os ideólogos da Terra plana – que procuram dar interpretação ideológica e política de tamanho nanico a qualquer ato ou fato –, a acusação que imputa à China a responsabilidade pelo surgimento do coronavírus, a fim de enfraquecer a economia das nações cristãs do mundo ocidental, já tem resposta científica.

Essa versão momentânea, sem nenhuma originalidade, foi difundida pela grosseira sabedoria de Trump, o líder do Império, que causa atrativa admiração no deputado federal, filho do Presidente da República, e a esfuziante entrega, assim gratuita, do próprio Presidente brasileiro, que sinalizou simbolicamente a submissão, batendo continência à bandeira estrangeira, quando a do Brasil não tremulava ao lado dela. Sem que lhe fosse pedido e sem contrapartida, alinhou-se subalternamente aos interesses estratégicos norte-americanos.

Mas a resposta científica à acusação irresponsável está no estudo genético, que exclui a possibilidade de ser um vírus criado em laboratório. Assim foi a conclusão de pesquisadores dos Estados Unidos, Escócia e Austrália, segundo matéria veiculada no Jornal da USP, assinada por Júlio Bernardes.

Essa notícia científica, que ensina outra vez aos nativos locais da contraciência a solidariedade da pesquisa sem fronteiras, foi objeto de carta escrita para a revista Nature Medicine, dando conta de que tal surgimento deriva de “processos naturais de evolução dos seres vivos”.

O texto aponta “mutações no genoma do vírus que o tornam mais infeccioso em seres humanos e que surgem aleatoriamente durante sua replicação. Essas mudanças são imperfeitas, o que torna improvável a hipótese de terem sido produzido pelo homem”. Para o professor Daniel Lahr, do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), “os pesquisadores, ao analisarem as variações de todo genoma do vírus, conseguiram determinar que o SARS Covid-2 é muito proximamente relacionado a um vírus já descrito em morcego”.

Vê-se, outra vez, que os boquirrotos de todos os matizes, que desejam falar em privatização de tudo, desmoralizar universidades e órgãos públicos, assim como seus professores, pesquisadores e servidores, recebem um tranco mundial para que respeitem instituições, quaisquer delas, que possam precisar de reformas, o que é natural, uma vez que a própria democracia é sempre inacabada. Para isso, no entanto, não pensam em destruir o patrimônio acumulado daqueles que enriquecem o patrimônio público com seu trabalho científico. É o que acontece nos espaços universitários e órgãos públicos, cujos laboratórios instrumentalizam conquistas silenciosas e inestimáveis, cujos esforços cooperativos e solidários ligam-se a outras universidades do mundo.

Se o fascismo espanhol vociferou na universidade de Salamanca, em 1936, com o grito de guerra “Abaixo a inteligência! Viva a morte!”, proferido general Milan Astray; é justo que façamos, por justiça histórica, a sua inversão – “Viva a inteligência! Abaixo a morte!” , mas com o sobreaviso de que hoje querem nos convencer de que democracia e ditadura são uma única e mesma coisa, apesar da perda de milhões de soldados e civis que morreram sonhando com a democracia.

Cuidemos e façamos o nosso país solidário, igualitário e justo, assim ajudaremos o mundo.

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