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Feres Sabino

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A arte como foto e como pintura

18 quinta-feira out 2018

Posted by Feres Sabino in blog

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A arte da pintura se manifesta com a sensibilidade visual ou imaginativa que movimenta o lápis ou o pincel, na fixação de um perfil, quem sabe, com as linhas suaves ou fortes dedicadas a um retrato, a uma paisagem, a uma cena ou a uma flor.

A arte da fotografia tem a sensibilidade do olhar e da descoberta do melhor ângulo, para fixar a paisagem muda, o personagem primitivo de um índio, de uma pessoa, de uma cena do cotidiano ou de uma flor.

A fotografia não acentua nas cores nem nas linhas.

Mas, a admiração de uma e de outra arte faz com que aqueles que as admiram, às vezes, se aventurem a dizer que a foto parece uma pintura, ou que a tal pintura parece uma foto.

Ambas com isso celebram o enigma dos que sabem retratar o mundo para deixá-lo aos que devem continuar a tentativa de melhorá-lo.

A arte, se é individual, como as palavras, tem função histórico-social, como o sentido histórico-social da formação e significado das palavras. O conhecimento do contexto histórico-cultural do ontem favorece descobri-lo nas entranhas artísticas do hoje.

É o que se dá com os retratos da escravidão, nas fotos de Johann Moritz Rugendas, que estão em nossos livros. A crítica de Lilia Moritz Schwarcz, em Dicionário da Escravidão, diz que “Se olharmos com cuidado para esses documentos visuais, será possível não apenas notar as hastes de ferro que passam por trás das roupas dos escravizados, para evitar que eles se mexessem e borrassem as imagens, como perceber que as vestimentas e instrumentos são detidamente selecionados pelos fotógrafos. É possível ver mais: o constrangimento das pessoas submetidas a tais situações”. Na verdade, ela vai além, porque era preciso ver o público-alvo para aquisição das fotos, em regra escravocrata, e para quem a escravidão era uma dádiva.

Contemporaneamente, a arte celebra o gênio do homem e da mulher. Ela é o que é como sempre.

Na arte da fotografia, por exemplo, desponta André Dib, com sua coleção recolhida por tudo que é belo e verdadeiro no seu país e no mundo. Enquanto na arte da pintura, beleza estética incomum, o traço suave captura a veracidade do objeto olhado ou imaginado, na obra de Patrícia Brandstatter.

Os dois já podem ser admirados pelo mundo, via internet. Eles têm aquele dom de saber olhar e ver, imaginar e construir – cada um – a mensagem sua na sua biografia.

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A verdadeira ameaça à Lava Jato

21 terça-feira ago 2018

Posted by Feres Sabino in blog

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Publicado em: Jornal Enfim. Ribeirão Preto, 18 ago. 2018.

 

A ameaça que paira sobre a credibilidade e a continuidade da Lava Jato não reside em quem a combate. Afinal, desventrar a corrupção constitui obrigação dos órgãos e instituições do Estado e também da cidadania, tanto que uns investigam com base em indícios fortes, outros denunciam com probabilidade de crime, e outros julgam com provas, jamais com presunções ou convicções pessoais substitutas de provas. Tanto mais perigoso é julgar por suposições ou preconceito quando se sabe que a imparcialidade constitui uma ficção que a jurisprudência veicula como doutrina consagrada. O que deve existir é o esforço honesto para se chegar o mais próximo possível da imparcialidade, evitando-se que o preconceito ou a conveniência político-partidária ou ideológica arraste o servidor do Estado, que deve agir discretamente, para o pântano enganoso da justiça de fancaria.

Por exemplo, se for adotado o critério de se pagar indenização para pessoas presas, cautelar ou preventivamente, se e quando absolvidas, tal como sugeriu o juiz curitibano, o abuso impune das autoridades refletirá no bolso de cada um de nós: nós pagaremos a indenização com dinheiro nosso.

Surge, como exemplo, a consequência de uma absolvição de grande ameaça ao nosso bolso. O prejuízo é da pessoa jurídica, que se investe dos direitos fundamentais da pessoa naquilo que couber, diz a lei civil.

O BTG Pactual, banco de investimentos cuja prática bancária é de “rigoroso controle de riscos”, teve seu presidente preso. A prisão dele variou entre domiciliar, temporária, depois preventiva. O mercado ficou abalado e a consequência foi que a notícia assustou investidores. Alvo de saques, o banco vendeu carteiras de empréstimo e ativos e levantou uma linha de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito. Esse tsunami financeiro foi provocado pela santidade das leis aplicada por seus fiéis e abusivos operadores.

No caso do BTG não se tem notícia de valor provável de seu prejuízo, mas banco, quando ganha, ganha muito, quando perde, perde muito. Qual teria sido o prejuízo dessa pessoa jurídica? Milhões, bilhões? Quem estimá-lo certamente não será premiado pela Lava-Jato. Com certeza esse valor será maior do que se conseguiu recuperar da corrupção descoberta.

Se o abuso é o tema, torna-se necessária – outra vez – a lembrança daquele cometido pelo grande juiz espanhol, Baltasar Garzón, que ficou internacionalmente conhecido com a ordem de prisão expedida contra o general Pinochet, o genocida chileno. Ele autorizou uma gravação ilegal de um empresário preso coincidentemente por corrupção. O Supremo Tribunal Espanhol aplicou-lhe dura e exemplar sanção, suspendendo-o das funções por onze anos. Aqui, nesse Brasil desossado, um juiz, sem competência legal, veiculou na imprensa uma gravação presidencial. Quando o ministro do Supremo Tribunal disse ser ilegal tal publicidade, o juiz correu, pedindo desculpas à Corte, mas o calculado mal social e político já estava consumado com sucesso calculado. Apesar da ilegalidade manifesta – e do abuso confessado –, o pedido de desculpas foi ignorado na entrevista dada posteriormente pelo juiz, para matutino paulista, pois ele simplesmente justificou absurdamente o ato absurdo. Nada de falar das desculpas.

Esse é o nosso risco por causa de abusos oficiais e a verdadeira ameaça à Lava Jato.

 

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Aquele menino

15 quarta-feira ago 2018

Posted by Feres Sabino in blog

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Essa história não pode ser usada contra as necessárias políticas de proteção social aos desvalidos só porque ela é a afirmação individual de um talento nascido no seio de família pobre.

Uma vez, Fernando Sabino, cujo nome propositadamente reverencia o escritor, era garoto de escola pública do bairro da Vila Virginia, em Ribeirão Preto, quando assistiu pela primeira vez à exibição do balé clássico do casal Marisol Gallo e Elydio Antonelli. Meio seduzido, meio perplexo, logo disse à sua diretora: “Quero aprender isso”.

Não demorou e Elydio leva-o à Escola de Dança da Renata Celidonio. Ela o inicia no espaço reservado ao jazz e, tempo depois, pergunta-lhe se suportaria a roupa colada ao corpo e as delicadas sapatilhas do balé. Naturalmente que sim.

Iniciou, indo de bicicletinha, ao balé. Fazia-o às escondidas dos amigos, porque o preconceito era grande e a gozação maior. O mistério foi revelado quando o treinador de futebol, criticando o time no vestiário pela falta de folego, só elogiou o  bom de bola que era o Fernando, porque ele fazia balé. Balé? Foi o espanto. Sim, balé.

Não durou muito a ameaça materna. Ele não poderia continuar porque precisava trabalhar e ajudar nas despesas da casa.

Renata Celidonio conseguiu a doação de duas cestas básicas mensais. E o garoto continuou a progressão de seu talento na dança. Era impressionante a sua evolução, que o colocava no sítio do muito diferente.

Até que veio o concurso patrocinado pela ProDanza de Cuba, que se realiza em São Paulo, e ele foi vencedor, como vencedor em tantos outros. Mas o prêmio desse concurso rendeu-lhe um estágio em Cuba. Se as aulas eram financiadas pelo governo daquele país, a passagem e a estadia foram regadas pelo dinheiro arrecadado pelo “passa-chapéu” da professora Renata, para o qual contribuíam parentes e amigos. Era por seis meses, esticou para doze.

Por que Cuba? Lá o balé clássico, e para homens, se desenvolveu com a chegada de artistas russos, que implantaram a escola. Sua disciplina é tão grande quanto à sua honestidade pessoal que o impediu de marcar casamento antes de obter o visto de permanência no país. Insuportável a suspeita da família dela de que o ato era simplesmente para fixá-lo no país. Seria burla à lei, seria uma afetação de amor.

Foi para os Estados Unidos e fez curso intensivo de verão no Juilliard School de Nova York. Antes de alcançar o estrelato, no corpo de baile do Richmond Ballet, na Virginia, como um dos primeiros dançarinos e coreografo, fazia jardinagem, fazia transporte de encomendas, ficava na bilheteria. Não perdia tempo, como se respondesse, no dia a dia, a certeza verbalizada desde cedo: “Não dançarei a vida toda”.

Fernando Sabino, que tem como sobrenome paterno o “de Jesus”, Fernando Sabino de Jesus, casou-se nos Estados Unidos no dia 24 de junho. A mãe, depois de anos, conseguiu o visto de entrada e irá com o outro filho para a cerimonia civil, lá mesmo, na cidade de Richmond. A cerimônia religiosa ocorreu em Ribeirão Preto, no dia 7 de julho.

A professora Renata Celidonio esteve presente, como convidada de honra.

O texto é carente da figura paterna porque o pai separado da mãe ficou distante em outra cidade e, inveterado machista, criticava a vocação do filho. Só depois, vendo-o no palco, aplaudido e vitorioso, aceitou o seu sucesso com sapatilha e tudo.

Pela internet, a arte do bailarino da Vila Virginia já se comunica com o mundo.

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