• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos de Categoria: blog

A justiça saiu da cova

12 segunda-feira jun 2017

Posted by Feres Sabino in blog

≈ 3 Comentários

Quando o ministro Herman Benjamin, relator do histórico processo da cassação da chapa presidencial de 2014, pronunciou a frase “como juiz, recuso o papel de coveiro de provas vivas. Posso até ir ao velório, mas não carrego o caixão”, estavam carimbados os votos vencedores da absolvição decretada por 4 x 3 do Tribunal Superior Eleitoral.

A rigor, seu longo voto, denso, minucioso, lógico e jurídico, hábil em se referir à diretiva seguida, que outra não foi senão a do voto anterior do próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, que desempatou a votação, contrariando o que votara para a reabertura do próprio processo, foi se configurando como uma prensa intolerável para quem já tinha seu voto decidido, e não declarado, antes de saber do voto do relator.

A importância histórica desse processo relatado por Herman Benjamim é que sua leitura prolongada foi impondo aos votos não declarados uma espécie de “mania de perseguição”, pois estavam se achando “pressionados”, “constrangidos” pela exposição inteligente e hábil do ministro relator, sem perceberem que se expunham como centralidade de interesses subalternos, que se incomodava com o dever da imparcialidade.

Aliás, se houvesse cobrança de direitos autorais pelo uso da carapuça, Herman Benjamim ainda teria faturado algum, porque um deles não se aguentou nas calças e perguntou para o país ouvi-lo: “O senhor está me pressionando?”.

Um final triste para uma Justiça singular, apequenada sob o pretexto invocado da sacralidade da soberania popular, como se ela gostasse de ser enganada, mas só por muito dinheiro.

O positivo foi a revelação de que, apesar do abuso com que tantos magistrados e procuradores e policiais têm infernizado na dança infernal dos egos a coerência interna do sistema jurídico do país, a esperança não pode ser perdida, pois há quem se recuse a ser coveiro da credibilidade de nossas instituições democráticas.

Se a Justiça entrou na cova, ela saiu depois de três dias e três noites, flutuando no voto de Herman Benjamim, e carregando a frase de Bertold Brecht – “Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça”.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

É bom lembrar-se dele

22 segunda-feira maio 2017

Posted by Feres Sabino in blog

≈ 2 Comentários

A morte é simples assim, às vezes. “Morreu dormindo”, diz a voz comovida ao telefone, lá do outro lado. Era o filho com a derradeira notícia do Antonio Calixto. Ele morreu.

E a sua Altinópolis, da trepidação política e de seu refúgio familiar, ela o atraia sempre e com frequência, e finalmente naquele dia o recebeu pela última e definitiva vez. Foi enterrado ali, com o acompanhamento de parentes, amigos, conterrâneos.

Quando se perde assim o horizonte da pessoa, volta-se naturalmente para trás, no garimpo da marca digital de quem foi e era, pois a vida é uma construção fácil de se encontrar nela os sinais da passagem. Muita vez o caminho é parceiro, outra vez é distanciado de outro, ou do seu. Mas, a convergência de um e outro é irresistível quando há amizade, esse altar de bem querer diante do qual tantas vezes as pessoas nem sabem o porquê desse singelo vínculo. São amigos, pronto! Não importa uma ou outra divergência.

Do Calixto político, vereador, deputado estadual e vice-prefeito, fica do trato pessoal à palavra elegante, sempre respeitosa, até na discordância. Da política emerge a figura da coerência na preocupação de olhar o mais pobre, que a advocacia sindical abasteceu de conteúdo.

Ele sempre esteve ao lado ou à frente de boas causas, lugar em que guardou coerência nessa simplicidade de ser coerente. Assim na vida familiar, assim na vida social, assim na vida política-partidária.

Ultimamente, víamo-nos pouco. Em cada tentativa de trazê-lo para o almoço, ele disfarçava a recusa, como se não quisesse ofender, agradecia muito, desnecessariamente, como se não estivesse bem de saúde, querendo ficar mais no seu canto, com sua Sonia, a mulher de ternura e do companheirismo de sua vida, com seu filho, nora e netos.

A morte, que é irmã siamesa do nunca mais, oferece a sensação de que a pessoa, quando morre, vai para frente, como se invadisse o infinito, de vez. E cada um que fica pensa no dia da sua invasão.

O Calixto é uma lembrança de simpatia, de amizade.

É bom lembrar-se dele.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

Pobre país!

15 segunda-feira maio 2017

Posted by Feres Sabino in blog

≈ 1 comentário

Um shopping instalou máquinas para receber o dinheiro decorrente do estacionamento, e, de quinze funcionários, onze foram despedidos.

Muitos taxistas não conseguem o dinheiro para pagar as prestações de seu carro. O aplicativo Uber atacou de frente a categoria e com vocação mundial.

O Banco do Brasil recentemente planejou a saída voluntária de milhares de seus funcionários, porque a tendência é de cada cliente ser também o empregado do banco no autoatendimento; ou, para acabar com as tradicionais agências, com a chegada do banco digital.

As empresas aderem à força imperativa de racionalização proposta pela tecnologia, que gera uma produção muitas vezes maior, e dispensam quase todos os seus funcionários. Para não se dizer das fusões empresariais, que alimentam o lucro maior pela quase exclusão dos gastos com salários.

Muitas plantas industriais dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento foram transferidas para a China ou para a Índia, visando baratear o custo, ganhar da competividade chinesa, que invadiu o mundo, fechando empresas nos países invadidos, porque o preço dela é muito inferior ao custo do produto nacional. Mais desempregados nos países invadidos, porque as unidades fabris encerram suas portas. O Brasil não é exceção. Será que a sabedoria trumpiana, toda ameaçadora e autoritária, conseguirá retroceder a força intrínseca e expansiva do capitalismo?

Tanto na França como nos Estados Unidos, cidades que eram industriais se tornaram quase fantasmas, garantindo à direita eleitoral, furiosa, odienta, a titularidade do canhestro verbo separatista.

A Constituição do Brasil, em seu artigo 7º, item XXVII, assegurado ao trabalho a sua proteção contra a automação nos termos da lei. Como é que essa norma programática pode se antepor à força imperativa do avanço tecnológico?

Como ficará a previdência social se a sua receita for drasticamente reduzida, reduzida a quase zero, porque o futuro de cada máquina é simplesmente ser substituída por outra máquina, e não pelo braço humano trabalhador?

Como ficará a organização da produção e do Estado com esse exército descomunal de mão de obra rondando a casa e a consciência e a vida de cada pessoa ou empresa dentro de curto e breve espaço de tempo, se não há regra de contenção tecnológica, sendo absolutamente impossível tê-la?

Se não houver emprego, não haverá empregado, não haverá salário, não haverá poder aquisitivo para adquirir a produção centuplicada pela tecnologia, não haverá receita previdenciária. O divino mercado entrará em parafuso?

E onde irão viver, conviver, sorrir e amar, milhões e milhões de pessoas, já que desempregados somarão um número maior do que 13 milhões?

A pressa nas decisões do governo brasileiro em pontos cruciais da relação do trabalho e da previdência, retirou da pauta a necessidade de ouvir as vozes da rua, optando pela maioria parlamentar, faminta de verbas e cargos. O pré-sal foi entregue no auge da perplexa crise institucional. Ainda, o governo oferece, de lambuja, e em ministérios suspeitos de ilícitos, as ações ou as omissões que incentivam a violência nas terras indígenas, o que corresponde a um incentivo geral da violência, porque a estupidez tem sua coerência. Não falta nesse time de comerciantes oficiais quem queira vender terras brasileiras em nome de maior facilidade de financiamento, numa vocação de mercado persa. Sem se dizer do esquartejamento da Amazônia como prova da supina alienação. O Ministério do Meio Ambiente, já abriu licitação (O Estado de S. Paulo, 3 maio), para que empresa privada monitore, por satélite, os biomas brasileiros, serviço até hoje prestado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A dignidade da então diretora fê-la sair na véspera da divulgação do edital.

A aviação civil 100% nas mãos estrangeiras não significa uma área estratégica negociada e vendida?

Que balburdia jurídica foi instalada no Brasil, quando “juiz do Paraná esmagou o devido processo legal com um desassombro inédito em tempos democráticos”, no dizer de Reinaldo Azevedo (Folha de S.Paulo, 12 maio), e o Tribunal Regional Federal da 4º Região dissera antes, para não punir o mediático magistrado, que vivemos em época excepcional, apesar de a Constituição consagrar o Estado Democrático de Direito? Tudo com a arrogância togada, impune. Felizmente, teve um voto contrário naquele tribunal.

E o familiar de integrante da Lava-Jato, que, como advogado, é contratado para cuidar da delação de preso, em prisão duradouramente provisórias, como veiculado pelo Painel da Folha de S.Paulo, de 13 de maio?

Quando discutiremos a política de resgate do sentimento e da consciência de nação? Quando discutiremos a soberania nacional diante do dissolvente de fronteiras, que representa a chamada globalização? Quando discutiremos um projeto nacional para o Brasil, apesar de nossas oligarquias estarem ligadas ao capital financeiro internacional?

Por que a experiência da escola integral, iniciada com os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), no Rio de Janeiro, não prosseguiu nos governos posteriores? Quantas crianças não teriam sido afastadas do mundo das drogas e do crime se a bendita escola não tivesse sido desmontada lá atrás?

Essas são algumas questões que deveriam estar vibrando nos meios de comunicações, que atualmente incutem na cidadania, ou querem incutir que o maior problema do Brasil é a corrupção, e a nossa salvação é a polícia e seus parceiros da lei.

O destino do grandioso Brasil é ser uma eterna promessa?

Pobre país!

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos
Posts mais Recentes →

Posts recentes

  • O lixo do pastor
  • A soberania do Brasil e o espírito de vira-lata
  • A traição da fé
  • A PAZ, rediviva ou ressuscitada
  • A escumalha parlamentar na fase pré-natalina

Arquivos

  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d