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Da Paz e da Guerra: a Guarda Desarmada

14 segunda-feira abr 2025

Posted by Feres Sabino in blog

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A questão da paz e da guerra está na preocupação atual e diária do mundo, com a percepção atroz de que a paz está excluída da gramática política, especialmente da europeia. É o que nos repetem os entrevistados dos “Estudos de Imparcialidade” comandados pelo professor suíço, sediado na Universidade de Kyoto no Japão.

A narrativa de hostilidade à Federação Russa é um sentimento tão feroz, quanto gratuito, acentuado pela atitude do imperador Donald Trump, que de parceiros dos europeus e inimigo da Rússia, de repente, coloca a Europa na casa da irrelevância ignorando-a, desde o início, da proposta de paz na Ucrânia. Aliás, ela foi vista com natural desconfiança, porque parceiro num dia, propagador da guerra, simplesmente vira a moeda para o anverso dela, e alça o voo único da presunção, da soberba, da arrogância, querendo impor a paz falando como o inimigo de ontem, que era tratado como vassalo, vassalo continuaria.

O mundo, agora multipolar, assiste verdadeira reversão de valores jamais imaginada. Chefes ou ex-Chefes de Estados vinculados a processos criminais, e neles condenados até, assumem governos e desacreditam as regras da justiça local como as regras da convivência política e comercial do mundo.

O Brasil não está fora dessa disseminação medíocre. Ela quer se mostrar como virtude nova. E ele está perfeitamente enquadrado por essa sombra de ameaça do terrível.

O exemplo dessa realidade está nessa gritaria para anistiar os bandidos de 8 de janeiro, que supostamente vestidos pelo véu da inocência, destruíram e também pintaram e bordaram nos prédios e nos recintos das sedes dos três Poderes da República. E não só isso, já que o caminhão esteve estacionado próximo ao Aeroporto de Brasília, preparado para explodir. Ainda, a invasão anterior do prédio da Polícia Federal. E inclusive a articulação para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Morais, ação iniciada, mas suspensa por imprevisto que tirou o Ministro da mira covarde e homicida.

Esse tóxico homicida está inoculado na atuação atual dessa barbárie, que sobressaltou o país durante quatro anos de desordem calculada e com o cultor da morte, hoje inelegível, aguardando no exterior o resultado do que preparou, tal quando capitão expulso do Exército.

Esses braços, essas pernas, essas cabeças que servem só para separar as orelhas, arrancadas do submundo da estupidez, estão no Congresso nacional, roubando o povo através das emendas parlamentares, usando palavrões nas tribunas, sem a ética do decoro parlamentar. E agora não surpreenderam com a defesa do projeto de lei absolutamente inusitado, que tem clara característica de preparação de assassinato, para não deixar esse vazio maluco na história política do país.

O projeto dispõe que a guarda, segurança do Presidente da República e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seja proibida de usar armas.

Não existe país no mundo, não existe fundamento de segurança necessária de autoridades que possa servir de base a essa estupidez escrita, defendida e proclamada, com toda desfaçatez.

Não é possível que nosso Parlamento tenha membros que queiram fazer nele um espaço pequeno de seu verdadeiro covil.

É verdade, o Brasil já anistiou muitas vezes, jamais quem cometeu crimes militares com a intensidade jamais vista.

Os militares golpistas de hoje são filhos da generosidade de uma anistia, que fez com que torturadores fossem chefiar as máfias das drogas, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, que fizeram do Rio de Janeiro o exportador nacional das milícias e das drogas.

O problema da paz e da guerra está plantado no espaço de cada cidadão ou cidadã nacional e de cada cidadão ou cidadã do mundo. Espera-se que surja uma consciência forte e militante para definir essa questão e que o país possa traçar um projeto de seu desenvolvimento e soberania.

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Música, outra vez

07 segunda-feira abr 2025

Posted by Feres Sabino in blog

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Ele disse mais de uma vez que não é produtor musical. Falo do Sérgio Adas. Mas os amigos que ele fez na Holanda não acreditaram quando ele declinou, se esquivando pela primeira vez da nobre profissão. No entanto, ele prepara, ele articula, ele escreve, ele fala, como que deixando um exemplo de sua atuação competente, que se aposenta precocemente, sob ruidosos protestos.

E dessa vez foi a vez de exímio pianista holandês, que mandou as partituras, via e-mail, para que ele, Sérgio, escolhesse um exímio baterista e um exímio contrabaixista, para acompanhá-lo, com um piano designado, que só foi encontrado como propriedade de um pianista, na cidade de São Carlos.

Apesar desse disfarce provisório e final, a competência de produtor musical, lançou o convite, em nome de Mike del Ferro, célebre pianista de Amsterdã (Países Baixos), internacionalmente conhecido. Nele está indicada a dupla brasileira e ribeirão-pretana, Carlito Rodrigues (contrabaixo acústico) e Dudu Lazarini (bateria), que o acompanhou, “tocando jazz, música contemporânea e influências brasileiras”, ali no aconchego do Restaurante Toscana, que se prestou à exibição sonora do trio. No final o mérito indistinto, de cada um na sua, os três fraternalmente desapareciam na maravilhosa harmonia musical, da qual não escapou a de Tom Jobim “Chovendo na Roseira”.

A apresentação ficou maravilhosa com “um profundo apreço à improvisação e ao ecletismo musical”, sendo que o pianista tocou inclusive músicas suas.

A homenagem feita naturalmente na noite de duas horas acontecia no final de cada tempo musical, quando se perguntava se os três eram brasileiros ou se os três eram holandeses, pois era incrível como seus instrumentos construíam o êxtase que não tem limite, nem material, nem imaterial, impossível imaginar fronteira territorial por causa da música.

A música celebrada por um trio como esse lembra a obra humana, sempre coletiva, sempre mais de um e de muitos, colocando o corpo e a alma do ouvinte na trilha do desconhecido amorável, desejoso, ansiando pelo sem-fim do infinito.

A música constitui formidável descoberta para oxigenar o ambiente, despertar os sentimentos mais puros da alma humana, apronta para as juras de amor, faz com que os desconhecidos se tratem como amigos, estimula a vontade de cada um ser irmão ou irmã do outro, descobrem que no ruidoso mundo de hoje o abraço da fraternidade não está arquivado e que a paz não está morta.

A música é um isolante da maldade, apesar de o Sérgio Adas não ser produtor musical. Imagine se fosse!

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O voto divergente e a jornalista

31 segunda-feira mar 2025

Posted by Feres Sabino in blog

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O plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, primeiramente, se a 1ª Turma teria competência, ou não, para julgar a denúncia contra os organizadores – a alta cúpula – do assalto criminoso aos Poderes da República, naquele fatídico e inesquecível 8 de janeiro. A votação terminou com o placar de 9×1, favorável à competência da 1ª Turma.

No dia seguinte, houve a votação na 1ª Turma, favorável ao recebimento da denúncia. E a votação foi unânime de 5×0.

O que nos levou a considerar esse julgamento foi o comentário da Globo News, que explicava o acontecimento historicamente inédito, marcado então pela divergência de um voto.

Não é preciso se lembrar da responsabilidade jornalística com a verdade dos fatos, que deve informar com a mesma imparcialidade com que um juiz julga qualquer ação, admitindo-se para isso um esforço quase heroico.

A(o) jornalista não escapa do caminho desse esforço, não só quando noticia um fato ou ato-fato. Não podendo se igualar aos que debruçam em interpretações para formar ou deformar a opinião que integra a opinião pública.

A comentarista da Globo News aparenta saber todas as coisas, narrando o que fala como certeza irrevogável.

Descuidadamente, comentou o voto divergente do Ministro Luiz Fux, atribuindo a ele um valor que absolutamente ele não tem, e do qual não se pode aceitar a interpretação dada pela descuidada jornalista.

Ela atribuiu ao voto divergente uma espécie desconhecida, porque seria denunciador do voto da maioria, que seria de natureza política, enquanto tal voto divergente seria o voto solitário, absolutamente de natureza técnico-jurídica.

O absurdo é tão grande que a maioria não utilizaria, como Ministros da Corte, a técnica jurídica usual e naturalmente extraída de qualquer voto de qualquer ação.

Assim, os Ministros podem divergir de opinião, uns dos outros, mas sempre devem corresponder ao texto expresso da lei, ou corresponder aos princípios e à lógica do sistema jurídico.

Essa afirmação descuidada da jornalista abastece os incautos, ou aqueles de má-fé, ou aqueles de caráter deformado, com tal falacioso argumento, que gritariam, como gritaram, que o julgamento mesmo foi político, numa calculada tentativa de desmerecer o voto da maioria e criando uma dúvida como convém na latitude da miséria moral.

No país que se reergue do tsunami da preparação do golpe dado, mas frustrado, a impressa tem responsabilidade redobrada, só que ela está vinculada aos grupos de interesses que, seguramente, não morrem de amor pela Democracia.

Quem eventualmente assiste a um programa como esse de comentários não pode deixar de ouvir e saber dessa diferença absurda que a jornalista divulga, desmerecendo não só a Instituição, como cada julgador e, especialmente, a seriedade e a responsabilidade do julgamento colegiado.

Entretanto, apesar de ainda causar danos, hoje as narrativas dos jornais televisados, como a imprensa escrita, estão caindo no descrédito popular, pois, as lives e os podcasts independentes atraem mais a atenção do público em geral, e servem de orientação e de comparação, diante de comentários incabíveis, omissos ou falsos.

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