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E os outros Natais?

23 segunda-feira dez 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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Este Natal acontece no mundo, como se não tivesse havido outros Natais, depois de mais de 2000 anos do nascimento de Cristo, sua vida, seu calvário, sua morte.

A estupidez ocupa a mentalidade de tantos, como uma encarnação da sombra tenebrosa, facilmente trazendo para o seu redil outros tantos desavisados, que se incorporam facilmente na turba alienada.

Se a mensagem do Natal, na simplicidade de sua ternura, é essencialmente universal, com sua prudência, tolerância, respeito, dignidade, amor, o mundo através de políticos e não políticos, pastores e não pastores que ocupam microfones e púlpitos para propagar o ódio e a destruição.

Impressionante, nesse ideário do ódio que a pessoa se liga com paixão doentia a uma ideia salvacionista, que se torna incapaz de ouvir um argumento da razão, que não rompe relações, nem se engrandece com rupturas definitivas.

A marcha da estupidez conta com o concurso de religiosos que, esquecidos da mensagem fundamental do cristianismo ou do humanismo sem fonte declarada, se tornam soldados do ódio enrolando nesse torvelinho primeiramente pessoas, depois instituições, e das ofensas das quais não escapam países e outros povos. É um enlaçamento do que há de pior na natureza humana, que ultrapassa fronteiras.

A guerra, que seria localizada, vagarosamente vai se expandido, em nome do espaço vital e da segurança, e o genocídio de homens, mulheres e crianças passam a ser as vítimas modernas do avanço tecnólogo e científico.

Somas vítimas da desinformação, como se isso fosse a predestinação de povos inferiores, incapazes de olhar o panorama do país sem registrar que o governo não é de um só partido, mas de uma frente ampla, que traz a contradição de estar no governo, para garantir estabilidade e nas votações do Congresso votar contra o governo. Essa contradição serve de avaliação da ausência de ética e de moralidade pública, porque tais partidos, majoritários na vergonha, atacam o orçamento da República, com voracidade maior do que as máfias organizadas e poderosas. O Parlamento se tornou o palco do assalto legalizado de bilhões de Reais, que são desviados de áreas prioritárias. E o requinte desse assalto é que é da lei a obrigatoriedade da transferência dessas verbas. E os deputados se ofendem com a aplicação do princípio constitucional da transparência. Assim, para os deputados, o assalto para ser assalto inteligente tem que ser no sigilo, mesmo no caso de dinheiro público.

Esse exemplo brasileiro, assim próximo, é o melhor exemplo da inversão de valores que a doutrinação do ódio conseguiu, porque é da sua essência o distanciamento da ética e da moralidade públicas o rompimento com valores de solidariedade.

O salve-se-quem puder, alentado por essa pregação odienta e divisionista, individualista, não corresponde ao convívio pacífico e solidário que sempre se pretendeu e lutou sob as luzes natalinas.

Agora, nesse Natal, é o sentimento de que mais do que nunca devemos encarnar sua mensagem, com esforço heroico, para que nossa cautela, temperança, respeito à dignidade não abra mais espaço à truculência e ao ódio.

Natal, teimosia histérica do Amor.

Feliz Natal.

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A conversa pra boi dormir

17 terça-feira dez 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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O governador de São Paulo fixou seu espírito verdadeiro, sua fé política, sua dependência da fonte autoritária, não foi só porque vendeu a Sabesp, lucrativa em bilhões, sem fazer a pergunta óbvia sobre a vantagem do lucro da estatal ou parestatal, que deveria estar nos cofres oficiais, ou no cofre faminto do empresário privado. Agora o CEO da Sabesp declara para quem quiser ouvir: “A SABESP NÃO FARÁ POLÍTICA PÚBLICA”. Agora, se o Estado que faz política pública das águas, quem o fará… pois a empresa privada quer lucro. Eis a equação da redução das despesas, da redução de pessoal qualificado, preparado durante anos, da redução da qualidade do serviço e os consequentes desastres que já se vislumbrou com a privatização da Vale do Rio Doce, com Minas Gerais devastado com mortos, feridos e destruição da natureza.

Não foi só por isso que o espírito governante se marcou indelével perante a cidadania. A rigor, essa vertente vendedora do patrimônio público está ligada a outra vertente de desrespeito violento, revelada pela explosão verbal que saiu como resposta ao protesto da inaugural violência policial, após atuação no litoral paulista, e depois repetida, somando mortes de dezenas de pessoas.

Aos apelos de racionalidade legal, de respeito aos direitos humanos, o governador bufou: “Pode ir à ONU, aos direitos humanos, aos raios que os parta, que eu não estou nem aí”. Coragem indômita! Já que, ainda, mantém na Secretaria da Segurança o policial militar, devoto da morte, que só reconhece bom policial aquele que já matou três, e que de repente afastou ou aposentou 32 coronéis legalistas.

Mas depois disso, a violência policial continuou matando jovem com 12 tiros nas costas, matou criança, em cujo enterro os policiais foram para pressionar a família, matou velhinha, e por fim alcançou o ápice da estupidez filmada, porque um policial militar jogou da ponte um jovem.

Para indignação geral, a resposta do governador foi uma atitude de estudada e fingida humildade, aparecendo como alguém que errou, pois antes rejeitara as câmeras corporais nos policiais, com filmagem ininterrupta, e funcionamento não dependendo do policial que a mantinha ao corpo. Diz ele: “Eu errei, sim”. Humildade aparente.

E abriu concorrência para câmeras que filmam quando do interesse do policial que a carregue, só que agora decisão do Supremo Tribunal Federal coloca a calibragem da lei, na obrigação do governador.

Os antecedentes da atitude do governador nasceram da atuação da Defensoria Pública de São Paulo, que ingressou com ação judicial, sustentada no direito constitucional à vida (art. 5º da CF), que “abrange a dignidade, a integridade e a existência como pré-requisito e exercício de todos os demais direitos”. Esta ação da Defensoria tem a finalidade de obrigar o governador a continuar a política de câmeras de funcionamento ininterrupto. O Tribunal de São Paulo julgou improcedente a ação, porém, a Defensoria Pública, que faz excelente trabalho, recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que concedeu prazo ao governo paulista, até recebendo visita do senhor governador, que nunca respondeu eficazmente ao questionamento que lhe faziam, formalmente. E, assim, na certeza de que seria condenado, ele resolveu pegar, um pouco antes, a capa da humildade e confessar que teria errado. Ele errou verdadeiramente, já que pesquisas sempre revelavam em números surpreendentes que as câmeras protegem o policial e o cidadão. A conclusão de antes é que morrem menos policiais com a existência delas.

Não basta dizer, portanto, que errou, nem repetir uma série de providências que ouviu do encontro de Brasília, é preciso fazer a segurança pública funcionar devidamente interligada com os governos estaduais e a centralização da União Federal, nos moldes em que o Ministério da Justiça está se debatendo e propagando.

Está no Google “Conversa para boi dormir é uma expressão popular em português (do Brasil) utilizada quando se diz que alguém está de conversa mole, lero-lero, desculpa esfarrapada ou mentira contada com a intenção de enganar alguém”.

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A traição

03 terça-feira dez 2024

Posted by Feres Sabino in blog

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A Constituição, que é o pacto de convivência social, votada e promulgada depois da maior consulta popular realizada no país, num processo democrático de debates prolongados e finalmente colocado no mundo jurídico-social, com a designação memorável de Ulisses Guimarães, como “Constituição Cidadã” é a “bíblia sagrada” sobre a qual servidores públicos, e com destaque aqui para vereadores, prefeitos, governadores, deputados e Presidente, juram cumprir e fazer cumpri-la, ainda defendendo as instituições democráticas.

Esse texto inspirador da vida diária da cidadania foi e é violentado seguidamente pela composição da Câmara dos Deputados, presidida pelo sinistro Arthur Lira, gestor da maior corrupção instituída no país, as emendas parlamentares, que chegaram ao ponto de abastecer senadores e deputados de bilhões para distribuição corrupta a seus comparsas, que lhe dão vitórias eleitorais, e ainda não querem nem transparência, nem identificação de lugar e necessidade, como Flávio Dino o está exigindo, em defesa dos princípios e das regras constitucionais.

Essa afronta à cidadania brasileira não é a única, nem a primeira, porque o cordão claro e determinado foi realizado durante quatro anos de propagação do ódio, e de centralização da crítica no Supremo Tribunal Federal, criando um movimento de destruição que fanatizou incautos, inocentes úteis, corruptos, sonegadores, civis e militares, todos interessados nas gordas facilidades do Poder, especialmente se não houver freio e contrapeso de fiscalização e de limite.

Até se ouviu de um leão ocasional que não respeitaria mais as decisões do Supremo Tribunal Federal, em discurso feito à porta dos quartéis de “seu exército”, e que agora descarnado pelas revelações de crimes sequenciais aparece como um cordeiro pedindo anistia ao próprio Supremo Tribunal Federal, abastecido por investigação da Polícia Federal sobre o covil de criminosos em que foi convertido o Palácio do Planalto durante os quatro anos de ódio propagado e de tentativa de envolvimento de militares na tentativa de golpe, com realização prévia de violência, que seria sucedida por atos autorizativos da intervenção militar, com discurso presidencial pós-golpe, descoberto na sala reservada do PL, partido oficial do golpe, com o planejamento de execução frustrada da morte do Presidente e do Vice-Presidente eleitos e do Ministro Alexandre de Moraes.

Nesse quadro de terror no qual até lideres religiosos refazem sua pregação de violência política, dizendo agora que política não pode entrar nos cultos, envergonhados de fazerem um ato claro de confissão e arrependimento, é entristecedor que políticos tentem, logo, logo, com declarações apressadas e vaziais de verdade e conteúdo ético-político, tapar o sol com peneiras de intenções eleitorais, contanto que a banda da estupidez nacional possa lhe garantir dinheiro e apoio político em futuras eleições.

É o caso entristecedor dos governadores do Paraná, de São Paulo e de Goiás, cuja ambição os leva ao absurdo de desconhecer a solidariedade federativa, que a Constituição impõe como forma convergente de fazer a redenção do Brasil.

Estados e União têm um entrelaço de poderes e atribuições que só tem sentido de convergência e necessidade de esforço comum em todos os setores da vida municipal, estadual e federal.

Essas três figuras, pretendentes ao casamento continuado com a extrema-direita, na linha de propagar o descrédito da Polícia Federal, falando como um agrado gratuito e mal-intencionado, contra as provas volumosas, compridas, exageradas contra o golpista engendrado no país, com requintes de crueldade, até com previsão e morte de autoridades públicas assassinadas por servidores públicos, exatamente militares, que pagamos para nos defender, e aquelas figuras públicas, exercentes de poder político, procuraram minimizar, como se tudo fosse do conhecimento deles, pois desmentem categoricamente – contra o óbvio ululante – o que diariamente surge como provas e mais provas da canalhice traidora da nação brasileira.

Ser de esquerda e de direita, no plano político-ideológico, é absolutamente natural. Agora, a extrema-direita desventrada na sua real e concreta estupidez não poderia servir de estímulo à solidariedade disfarçada dos três governadores, dois deles, o de São Paulo e o do Paraná, que se mostram desconhecedores dessa solidariedade federativa e democrática, enquanto o de Goiás, já há mais tempo na militância política, imagina, esperta e erroneamente, usufruir frutos ponderáveis para sua ambição presidencial.

Mas os três se qualificam como traidores da solidariedade federativa que só tem a encimá-la os símbolos nacionais, que não alimentam nenhuma traição de princípios e valores nacionais. E eles juraram cumprir e fazer cumprir, mas sem alma e consciência.

Um oportunismo político, que leva a pecha de traição.

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