• Biografia

Feres Sabino

~ advogado

Feres Sabino

Arquivos de Categoria: blog

O Cabo lá de Minas

05 segunda-feira jul 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

O temor de investigação amedronta o governo da “nova política”, envelhecida antes da hora, aliás precocemente, no reinado do “mito”, que “mito” se converteu por mera conveniência eleitoral, já que, exercitando as potencialidades da mediocridade, apresentou-se como porta-estandarte da nova política.

A impostura foi lancetada e o governo, que sempre incentivou a mentira como informação, dedicou-se a preparar a retaliação política, em relação aos que se arrependeram de ter estado em conúbio com ele, ou que acirram a oposição contra ele. Afinal, ele não disse naquela inacreditável reunião de abril do ano passado que precisava ter ligação direta com a Polícia Federal, pois ele precisava proteger amigos e familiares? Eis como desgoverna a alma confessa do miliciano.

Nesse contexto aparece o relatório da Polícia Federal incriminando Renan Calheiros, em investigação aberta desde 2017, e que aguardava não se sabe o quê, durante tanta demora. Talvez o perigo de uma CPI!

Só para argumentar, vamos tirar a suspeita desse inquérito de oportunidade manifesta. Esse ato artificial poderá fazer calar ou desaparecer a prova exuberante já recolhida pela Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a demora dolosa do governo federal em adiar não só a compra de vacinas e insumos, como estabelecer, como é de sua competência, as linhas gerais da política nacional da saúde, muito mais responsável nessa espantosa e aterradora crise sanitária?

Hoje, pode-se induzir ou deduzir que a neblina sobre a obrigação governamental, seguramente, era para dar tempo ao tempo, ao menos até que uma única negociação se concluísse, não de governo para governo, mas de uma empresa, quiçá com dias de existência legal, que surge assim de repente, como intermediária, entre o governo e o laboratório fabricante, para venda/compra de gigantesca quantidade, que a própria fábrica não poderia fabricar, tal seu gigantismo: 400 milhões de vacinas. E tudo na mão de um Cabo, que deveria estar trabalhando em Minas Gerais, mas que a deusa fortuna certamente o blindou com a proteção divina, para ele ir e vir como o reizinho da cocada preta. Nada, no entanto, compromete a bomba atômica das provas contundentes contra a inércia boquirrota do governo federal, taxado como genocida, agora pelas ruas e avenidas do país.

Mas a história dessa trama apodrecida de ética e de verdade, se tem vários pontos de exame, ela apresenta um que não foi destacado devidamente: é cabo da ativa, repita-se, da ativa da Polícia Militar de Minas Gerais, que deve estar ciente de que, na hora do trabalho, o militar circulava pelas cercanias do poder, em Brasília, cavoucando a mina de ouro da podridão antecipada da nova política.

Mas o que se pretende destacar de seu testemunho mentiroso na CPI é do tempo em que foi alçado a essa condição de garimpeiro do ouro podre, destinado a algum banco de algum paraíso fiscal e à disposição de colegas militares e civis, que servem com devoção a esse governo, que só sabe falar em armas, tortura, xingamentos e desrespeito até com seus auxiliares próximos, como fez publica e recentemente com o quarto Ministro da Saúde, dizendo à imprensa: “Vocês conhecem esse tal de Queiroga”. E Queiroga não pediu demissão…

Pois bem, ele falou em um ano e meio, desde a sua convocação para trilhar a senda brilhante da riqueza fácil, que seria adquirida pela propina nos negócios da vacina. Esse é justamente o tempo inaugural da “nova política”.

Eis aí o belo exemplo de quem não aprendeu o respeito à hierarquia e à ética profissional e ao civismo na carreira que escolheu. Certamente seu superior hierárquico não poderá puni-lo, como aconteceu com Pazuello, mas seguramente aplicará nele a severíssima sanção da advertência borbulhante de rigor: “Por favor, não faça mais isso, caro colega. É muito feio”. E, fraternalmente confiante, bate três vezes nas costas do Cabo iluminado.

A penúltima vez que um Cabo ocupou páginas da história do Brasil foi o chamado Cabo Anselmo, que liderou corajosa e ousadamente a insurgência de cabos e soldados, construindo a definitiva ingovernabilidade do governo de Jango Goulart, mas como espião, como pau-mandado da CIA, agência de espionagem norte-americana.

O Deus-me-livre não é suficiente.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

Sobre o fascista da motocicleta

28 segunda-feira jun 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Meu professor de Introdução à Ciência do Direito, o inesquecível Gofredo da Silva Telles, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, proferia lições maravilhosas, com seu raciocínio lógico, claro, umedecido pela ternura de sua alma leve, que emocionava seus alunos, admiradores e quem teve o privilégio de ouvi-lo. Foi constituinte em 1946. São dele os dois discursos, depois somados à manifestação do Ministro da Guerra, que denunciaram a entrega gratuita da Amazônia a um organismo internacional, dentro do qual o Brasil não teria vertido ao português, nem a cópia da entrega vassala. Aula de filosofia, que causava vibração na alma, era a dele.

E de vez em quando emergia a expressão, que um dia ele pronunciara: “Tudo tem relação com tudo”. Portanto, no tempo e no espaço, as experiências humanas se comunicam, não se sabendo por quais canais invisíveis. “Tudo tem relação com tudo.”

Essa lição antiga emergiu, depois do passeio emblemático de motocicleta, no Rio de Janeiro, antes aconteceu outro em Brasília, do Presidente da República, acolhendo a tiracolo o estrategista de grandes combates, general Pazuello. Inadvertidamente, seu ato político sugere aos seus adeptos e seguidores que em vez de manifestações de rua, o ato-fato político deveria acontecer com passeios aglomerados de motocicletas.

Eis aí a mente humana recolhendo, lá do passado, não se sabe de que sarcófago da estupidez mussoliniana, o que sentem no espírito pervertido, e atual, para capturar a reserva da liberdade desumana. Afinal, “tudo tem relação com tudo”.

Eis que a Folha de São Paulo, na sua “Ilustrada Ilustríssima”, do dia 30 de maio último, veicula a figura patética de Benito Mussolini, na sua motocicleta, em foto ampliada, para que ninguém se esqueça de seu tempo de fascínio e glória. Nem de longe se poderia adivinhar que sua morte seria tão trágica, com seu corpo dependurado, sem motocicleta, de cabeça para baixo, naquela praça pública de Milão.

A brilhante matéria, veiculada sob o título “O fascista da motocicleta”, é assinada pelo professor da USP Fábio Palácio, que em resumo nos ensina historicamente que a motocicleta é um símbolo do ideário daquelas trevas.

“Mussolini promovia passeios semelhantes de moto.”

Ele preleciona, ainda: “A resposta pode ser encontrada nos manifestos futuristas do poeta Filippo Tommaso Marinetti. Como sabemos no início do século 20 pipocaram uma série de vanguardas artísticas que, em seu conjunto, iriam configurar o modernismo. A primeira – talvez a mais importante – foi a do futurismo. Em consonância com seu nome, esse movimento pregava oposição radical ao passado…”.

Se em outros países, o movimento ressoou em vanguardas diferentes, especificamente, na Itália, ele pendeu para o lado fascista.

E segue o professor, ligando o passado ao presente: “Sabemos que imagens de força, potência e vigor são caras aos fascistas. Elas contribuem para fixar no imaginário a ideia de ’raça superior’. Nessa visão a tecnologia é concebida como extensão do corpo humano, capaz de torná-lo mais vigoroso. É esse o significado que se oculta por trás da apologia fascista das armas e meios de transportes, como o automóvel, o avião e a motocicleta”.

“Isto quer dizer que a cultura motociclista é fascista? De maneira nenhuma. Significa apenas que o fascismo reclama essa formação cultural, como várias outras – incluindo a própria cultura motociclista”.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...

De um Presidente e de outro Presidente – 2

25 sexta-feira jun 2021

Posted by Feres Sabino in blog

≈ Deixe um comentário

Qualquer matéria sobre a CPI da covid-19 deve iniciar exaltando o equilíbrio e a prudência do Presidente Omar Aziz, que indeferiu o requerimento de prisão, secundado por quem a requerera, que foi o Relator Renan Calheiros, que tinha o dever de fazê-lo, diante da desfaçatez do ex-Secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten, em dedicar-se deslavadamente à mentira e à contradição espantosa com sua própria versão publicada na Revista Veja e gravada em áudio. O requerimento de prisão e prerrogativa irrecusável, até para ficar clara a possibilidade do exercício desse poder pelo Presidente da Comissão, como também avisar, didática e pedagogicamente, o risco da mentira após o testemunho de falsear a verdade.

A pergunta é: por que um Chefe de Comunicação se planta como negociador do governo, em matéria sanitária? Por que ele se reunia com os servidores do mencionado laboratório e, surpreendentemente, por que Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, participou da reunião?

Fabio disse que a reunião com a Pfizer foi para que ela o agradecesse por ter feito um ato só de resposta. Ora, isso se faz por e-mail. Ele disse ainda que da reunião não participara mais ninguém. Ele e os representantes do laboratório tão só. No dia seguinte, Carlos Murilo, Chefe Geral da Pfizer na América Latina, em depoimento desmente o ex-Secretário da Comunicação, incluindo o ingrediente inesperado: estava presente nessa reunião o filho do Presidente, vereador do Rio de Janeiro, que se dedica à destilaria do ódio.

Compartilhar:

  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Curtir Carregando...
← Posts mais Antigos
Posts mais Recentes →

Posts recentes

  • O lixo do pastor
  • A soberania do Brasil e o espírito de vira-lata
  • A traição da fé
  • A PAZ, rediviva ou ressuscitada
  • A escumalha parlamentar na fase pré-natalina

Arquivos

  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • dezembro 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • agosto 2012
  • junho 2012

Categorias

  • blog

Meta

  • Criar conta
  • Fazer login
  • Feed de posts
  • Feed de comentários
  • WordPress.com

Blog no WordPress.com.

  • Assinar Assinado
    • Feres Sabino
    • Junte-se a 58 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Feres Sabino
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d