Pacu não é peixe do mar

A entrevista da ex-deputada, Joice Hasselmann, ex-bolsonarista arrependida, concedida ao ICL-Notícias, canal independente, depois que a Polícia Federal visitou a mansão praieira da “sagrada família”, em Angra dos Reis, faz revelações coincidentes com o que já se sabia através da palavra do próprio Presidente, naquela única reunião ministerial que só não envergonhou quem dela participou. O dever da visita, determinada por ordem judicial, aconteceu às 5 horas da manhã, para busca e apreensão de provas, face à descoberta da espionagem paralela (Abin paralela), que funcionou acoplada ao Gabinete do Ódio, instalado no Palácio do Planalto, durante o governo do pai batizado no Rio Jordão.

Seguramente houve vazamento, pois, o quarteto correu para lanchas, barcos e jet-ski, que estavam na praia, e se projetaram para o mar. Dizem ter câmaras e filmagens do que levaram correndo. Quando chegaram de volta, alegam que tinham ido pescar. A propósito ainda da deputada, ela foi enfática em afirmar que “Carlos Bolsonaro é um psicopata capaz de tudo”. Teria sido dele a ideia sinistra da espionagem.

No entanto, a alegação da pescaria ganhou forte estranheza, já que ninguém pesca sem vara e nem rede, nem arpão, e o grupo seguramente não conseguiria pescar com as mãos. Essa impossibilidade ganhou elasticidade no absurdo, quando Carlos declarou que teria saído “para pescar pacu”.

Então, coloca-se necessariamente ressalva na declaração da ex-deputada, arrependida, quando diz ser ele “um psicopata capaz de tudo”. Essa ressalva é relevante, já que por mais que ele seja “capaz de tudo”, ele não alcança absolutismo impossível, e a prova disso está na experiência dele como pescador sem vara, sem rede, sem arpão, declarando piamente que “foi pescar pacu no mar”, quando pacu é peixe de água doce.

O fato é que esse recorte simbólico da pescaria sem vara, sem linha, sem arpão, sem nada, constitui o episódio hilário dessa vergonha infamante descoberta pela Polícia Federal, que nada mais é do que o órgão de espionagem do governo anterior, que se denomina “Abin Paralela”, porque institucionalmente existe a Abin, Agência Brasileira de Inteligência, como se vê, entregue a bandoleiros.

O ex-presidente, papai generoso, que aparece com os filhos em foto divulgada, com a camiseta trazendo ao peito um nome conhecido de todo mundo, DEUS, para falsificar a aparência da verdade e se colocar como ajudante, em perpétua campanha eleitoral. Agora, DEUS teria sido contratado, mediante a isenção tributária de igrejas ou pastores evangélicos, como se tivesse acontecido o milagre do retorno, com a escolha do pior lado para enaltecer sua obra da Criação, agora ameaçada de aniquilamento, mediante a democratização da baba venenosa do ódio.

A aquisição dessa tecnologia coincide com o número de mortes matadas, para salvar o Brasil e seus impasses históricos. Foi esse o compromisso público assumido em discurso na Câmara Federal, quando o então-deputado federal Jair Bolsonaro, fixou, como programa, 30.000 (trinta mil) pessoas seriam mortas, se um dia, ele fosse alçado ao Poder. Ninguém pode falar que ele não trabalhou por isso. Liberou armas, desmontou o que poderia desmontar do Estado brasileiro, usou verbas para os maiores absurdos. A compra e o uso dessa tecnologia de espionagem foi adquirida ou alugada, por uma montanha de dinheiro seguramente, que a sociedade ainda não sabe de onde saiu. Certamente, esse valor gigantesco é muito maior do que o valor das joias recebidas como propina da Arábia Saudita, e que enredou alguns militares nessa patranha. O que é certo é que militares estão nessa outra ilegalidade criminosa, porque a Abin tinha como seu diretor o General Heleno, famosíssimo por suas falas corajosas e não por seus atos sorrateiros, o mesmo cuja “capivara” registra que esteve ao lado daquele militar, no tempo da Presidência do General Geisel, e Ministro da Guerra chamado Sílvio Frota, um grosseirão ambicioso, que preparava um golpe quando foi defenestrado pelo Presidente.

A coincidência nessa arte espiã canalha é que teriam sido espionadas 30.000 mil pessoas, políticos, autoridades, jornalistas, amigos e opositores políticos; dizem até que muitos já estavam ao lado do Presidente, mas que mereciam conferência de lealdade.

Essa maneira de coletar informações, o ex-Presidente declarou publicamente que a possuía porque ele não confiava nos órgãos institucionais, para proteger a família e os amigos. A família e os amigos.

A descoberta dessa Abin paralela virou notícia internacional. Em Israel, sob a liderança de advogados, houve petição dirigida ao Ministério Público daquele país, porque a venda ou locação da aparelhagem espiã ofendia o direito internacional. Se não me falha a memória, também direito nacional daquele país fornecedor.

Essa é mais uma podridão lancetada pela Polícia Federal. Dentro dela dois servidores protegidos montaram uma empresa para vender as informações que captavam. O que é podre gera podridão.

Mas, cuidado, não pensem que um Estado democrata dispensa uma Agência de informação governamental. Mas é preciso dar lição de patriotismo verdadeiro e ética para os civis que devem dirigi-la.

Pacu é peixe de água doce. Saibam os psicopatas e os não psicopatas.

O Equador e o Brasil

O Equador, como o Chile, não tem fronteira com o Brasil. Pouco importa o limite geográfico, nos dias de hoje. Afinal, a ciência e a tecnologia da informação tornaram o mundo uma aldeia.

Por isso, ficou claro: não são só as guerras que impactam todo o globo, os atos e fatos políticos sempre têm incidência, ora no comércio, ora na cultura, ora na política-ideológica, ora simultaneamente em todas as facetas que compõem um país, um Estado.

O atual presidente da Argentina tornou-se, por via eleitoral, outro enclave da ultradireita política, que se identifica, hoje, com o sionismo do Estado de Israel, fonte da desgraça palestina e exemplo para o governante argentino, tal como fora para Bolsonaro, que até se batizou nas águas sagradas do Rio Jordão, crendo acontecer o milagre do esquecimento de sua proximidade com a milícia do Rio de Janeiro, através do maior pistoleiro então conhecido, homenageado por ele e por seu filho nos respectivos Parlamentos que ocupavam. O bandido de elite, ex-membro da Polícia Militar daquele Estado, e que foi morto na Bahia, no estilo da queima de arquivo, e cujo corpo teria chegado oco para que qualquer nova perícia não identificasse a entrada e o trajeto das balas bandidas.

Essa ideologia, esparramada não só pela América do Sul, e que ainda ameaça a democracia brasileira, alcançou no pequeno Equador o auge da pregação igual ao esplendor do nosso lavajatismo, já que o Parlamento daquele país se curvou à infâmia do servilismo ao autorizar o ingresso e a permanência de forças militares estrangeiras no seu território. Aqui, conseguiram destituir uma Presidente com acusações falsas, abrindo brecha para um período de enfraquecimento do Estado e de redução de conquistas sociais, sob a égide da mediocridade apresentada como talento novo.

Lá, para chegar a esse ponto, foi preciso seu Poder Judiciário condenar um ex-Presidente da República à prisão, sob o incrível argumento de que teria ele “influenciado psicologicamente os corruptos”.

Aqui no Brasil, a toxicidade era da mesma natureza que se expandiu para outros países, como prova da existência planejada por uma única fonte de sua criação. A condenação do Presidente, afastado de disputar eleição presidencial, teve sentença da mesma natureza, mal redigida, sem prova, mas a tempo e a hora declarada nula.

No Equador desacreditou-se a legitimidade dos Poderes constituídos, para revelar a incapacidade do Estado de combater as milícias e as gangues que ameaçaram as estruturas do pequeno Estado. Nós tivemos, ao estilo da preparação de quatro anos, o nosso 8 de janeiro, felizmente como a maioria de nossas Forças Armadas somaram-se com a maioria da sociedade brasileira e da emergente firmeza de instituições, como o nosso Supremo Tribunal Federal. Mas, não nos iludamos porque nossa presença geopolítica inicia-se dentro do mapa imperial norte-americano, que de quando em vez faz exercícios combinados, entre militares dos dois países, como o último realizado na desejada Amazônia, no fundo, para lembrar discretamente a relação do império com o país aspira, ansiosamente, a não ser colônia.

Diz-se que a democracia brasileira está ameaçada, inclusive porque a democratização da informação de nossa imprensa não diz claramente que o governo brasileiro é um governo de frente ampla, em que ministros de um chamado “centrão” foram impostos por quem tem o controle da maioria de parlamentares, que exerce a chantagem política, e ainda como o poder de bilhões das corruptas emendas parlamentares.

No Equador, o neoliberalismo conseguiu que seu discurso fosse vitorioso, porque tudo foi abalado ou destruído em nome do Estado Mínimo, que é Estado nenhum, ou ainda, é um frangalho de Estado como colônia. Aqui no Brasil, a etapa vencedora desse espírito maléfico necessita da condenação judicial de todos os que compuseram a desgraçada República de Curitiba, e com o Juiz explicando ao Conselho Nacional de Justiça, como quer sua Corregedoria, inclusive quanto ao destino dado aos bilhões de Reais que estavam sob a custódia da 13ª Vara, na qual reinou o juiz, parcial, suspeito, portanto corrupto, Sérgio Moro. A notícia sobre a investigação das ilicitudes registradas na auditoria preliminar está assim divulgada, no Google:

“O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma reclamação disciplinar contra o senador e ex-juiz federal Sérgio Moro (União Brasil-PR) e outras autoridades vinculadas à força-tarefa da operação Lava Jato. O processo foi aberto por ordem do corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão.

“Além de Moro, serão investigados a juíza federal Gabriela Hardt e os desembargadores federais Loraci Flores de Lima, João Pedro Gebran Neto e Marcelo Malucelli. De acordo com o que divulgou o CNJ, o motivo da reclamação são as conclusões do relatório de correição feito na 13ª Vara Federal de Curitiba e nos gabinetes dos magistrados da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”.

Sergio Moro, hoje senador, driblou o oficial de justiça, fugindo da citação, durante dois meses.

Os postes e as árvores: a ironia

Na cidade de São Paulo tem mais postes do que árvores, excetuando parques e áreas de preservação. Quantos postes e quantas árvores tem a cidade de Ribeirão Preto ou qualquer outra cidade da região metropolitana? Seria didático que cada uma esclarecesse cada quantidade para que se tenha o conhecimento do cuidado com o meio ambiente, com o verde, para se saber o grau de preocupação com a saúde pública que anima a política da cidade.

Na cidade de São Paulo existem 750 mil postes e 652 mil árvores espalhadas pela cidade.

Essa questão emergiu com as alterações climáticas, que causaram, na capital paulista, tantos ventos fortes, tanta água de chuva, tanta inundação, prolongada falta de energia elétrica, e até morte de pessoa por eletrocussão e por um fio desencapado e energizado, e ainda a derrubada de duzentas (200) árvores.

A queda das árvores, muitas gigantes que interromperam o trânsito e o deslocamento das pessoas, provocou o alerta da imprensa, que levou o jornal VALOR do dia 10 de janeiro último ao professor Giuliano Locosselli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo, que além das pedagógicas lições, destacou a importância de se proceder ao manejo e à manutenção das árvores, pois, essa prática é que previne quedas e garante vida longa a elas. Segundo ele, “… a queda das árvores em ruas e avenidas com edificação acima de cinco ou mais andares é o dobro da média registrada na cidade”.

No entanto, a cidade de São Paulo apresenta uma forte ironia, pois, desde 2005, já tinha como referência de política pública o Manual Técnico de Arborização Urbana, revisto em 2023, editado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de São Paulo.

E um volume originariamente de mais de 100 páginas, veiculado pelo Google, cuidadosa e cientificamente preparado, com gráficos, números e textos, que ensina não só a técnica de como plantar, mas qual árvore plantar, se na calçada, se em área pública ou privada. E registra a importância do planejamento para execução de uma política de manejo adequado e próprio, para manter, preservar ou trocar, quando necessário.

Esse exemplar ainda registra os benefícios múltiplos pela existência das árvores às pessoas, não só porque captura gás carbono, umedece o solo, refresca o meio ambiente.

Esse instrumento de política pública é de tal importância e de tal valor, que vale a transcrição de seu sumário, para se concluir que se a Prefeitura da Capital tivesse seguido o seu Manual, provavelmente muito prejuízo seria prevenido, assim:

Introdução

Apresentação

Por que arborizar?

Planejamento da Arborização Urbana

Plantio de Árvores

Técnicas para o Manejo

Legislação

Glossário

Anexos:

I. Lista de Árvores – Espécies Indicadas para Arborização de Calçada

II. Lista de Árvores – Espécies Indicadas para a Arborização de Área Interna

III. Lista de Árvores – Espécies Inadequadas na Arborização Urbana

Ribeirão Preto tem uma Lei de Arborização Urbana, regulamentada pelo Decreto nº 409/1996, cabe saber se ela está sendo cumprida, se existe algum levantamento entre postes e árvores, como se processam os cortes das árvores para que os fios de energia elétrica fiquem “livres” do estorvo das árvores, se a manutenção é feita regularmente, se há orientação técnica e pública para indicar qual árvore é adequada para a calçada ou outro espaço, qual planejamento existe.

Afinal, o clima de Ribeirão e da região é quente, tem variado muito para ficar mais quente, e o plantio das árvores é que pode atenuar o que não se sabe o que acontecerá daqui para a frente, pois a natureza está cobrando seus créditos à alienação e à irresponsabilidade.