No seu primeiro Congresso Nacional de Procuradores do Estado, lá pelos idos da década de 1980, o Ministro Luís Roberto Barroso já pontificara com sua inteligência e cultura, como Procurador do Rio de Janeiro. Era jovem e promissor. Chegou ao Supremo Tribunal Federal.

Naquela ocasião defendia a desnecessidade de se colocar como princípio e fundamento da Constituição a dignidade da pessoa, justificando-a pelo fato de toda norma jurídica ter como destinatária a pessoa e sua dignidade.

À época, quem se opôs a posição do novel e promissor Procurador contra-argumentou, declarando que se não fosse por outro motivo, um certamente de caráter pedagógico advinha do ato histórico de anos de ditadura, quando a dignidade da pessoa ficou reduzida ao máximo. O valor ético jurídico foi substituído pelo princípio da eficiência, que deu no que deu.

Mais ainda. O respeito ao atual Ministro do STF não inibe discordância em relação a outras de suas atitudes de julgador, como essa de ser um adepto da Lava-jato, mesmo depois de tudo que se soube da intimidade do “bando”, que pôs a perder o que poderia ser um excelente trabalho, que iniciou muito bem e acabou como o maior escândalo do judiciário brasileiro. Afinal, juiz não combate corrupção, juiz julga, ou por outra, só deve julgar.

Também aquela ideia de que, em razão das fragilidades da representação popular, deve o Supremo Tribunal supri-las respondendo positivamente, como um representante de setores e ambições. Mais ainda ele acha que o Supremo deve ocupar o papel de “vanguarda iluminista, encarregada de empurrar a história quando ela emperra” (“A razão e o voto”. Editora de Direito FGV/SP) objeto de debates, entre juristas, professores e advogados. A propósito, essa ideia está no ventre do chamado ativismo judiciário, responsável pelo atrito com o Poder Legislativo.

Mas uma atitude exuberante do Ministro Barroso ficará na história político-jurídica do Brasil, e se efetivou quando é Presidente do Superior Tribunal Eleitoral. Essa atitude é a do seu memorável discurso que desvestiu o Bolsonaro, deixando-o nu.

O Ministro demonstrou a pobreza das ideias do nosso curandeiro da “gripezinha”, que já matou mais de seiscentas mil pessoas, e ainda se dá ao luxo de mentir mundo a fora, falando do crescimento da economia brasileira, quando ela não cresce, dizendo que a floresta amazônica é úmida e por isso não tem incêndio e desmatamento, quando o desmatamento bateu recorde. Ainda visita os invasores de terras indígenas, incentivando só com sua vista a ilegalidade da mineração tosca que envenena rios com o mercúrio criminoso.

Mais, ainda, especialmente, o Ministro desmoralizou de vez a crítica reiterada do curandeiro à idoneidade da urna eletrônica, que nunca mais ouviu dele qualquer crítica. E ainda, Barroso nomeou uma comissão integrada de pessoas especializadas, polícia federal, forças armadas, técnicos, professores universitários, para acompanharem o processo eleitoral, com a eficiência das urnas eletrônicas. E, mais, as emissoras de rádio, diariamente propagam, através de testemunhos gratuitos de pessoas representativas, a integridade das urnas eletrônicas. Acabou o papo de que não aceitara o resultado das eleições, por causa das urnas.

Esse discurso e as providências de esclarecimento da população, colocaram o curandeiro no papel de dizer algo no sentido de: agora, com elas, tudo bem.