Um registro de manchetes e notícias de jornais estabelece claramente a realidade da miséria moral e político-econômica de nosso país. Assim:

A semana foi marcada pelo esconderijo natural do fascismo dissimulado. Se tínhamos avançado no requisito transparência, como vertente democrática, agora a etiqueta é do sigilo protetor, pois, a “Receita impõe 100 anos de sigilo sobre ação em favor de Flávio Bolsonaro” – “Processo descreve como órgão escalou funcionários para provar tese da defesa do senador no caso das ‘rachadinhas’” (Folha de S.Paulo, 15 de julho de 2022). Esse ato tem coerência com a sinistra reunião presidencial, de abril de 2020, pois, nela ficou claro que o Estado seria usado para proteger amigos e familiares. Mas outra violência está na mesma edição: “Família luta por legado de Moa do Katendê, morto em 2018” – Mestre da capoeira foi esfaqueado após discussão política com bolsonarista”.

O crescimento espantoso da corrupção está na coluna de Conrado Hubner Mendes, na Folha do dia 14 de julho pp.: “No mensalão R$ 140 milhões. No petrolão R$ 2,1 bilhões desviados da Petrobras. O secretão (orçamento secreto), entre 2020 e 2022, R$ 53 bilhões de dotação orçamentária, R$ 44 bilhões orçamentados e R$ 28 bilhões já pagos”. No subtítulo lê-se: “Orçamento secreto aluga o centrão, seduz oposição, ainda libera e esconde o ladrão”.

O Rio de janeiro vive espécie de guerra civil, que já foi motivo de intervenção federal. Nosso Exército lá esteve e depois tudo continuou igual. Agora a ocupação do Ministro da Defesa e o ataque às urnas eletrônicas, enquanto isso o “Exército admite falhas em rastreio de armas no país”. “Dados de arsenal em mãos de grupo beneficiado por Bolsonaro são imprecisos” (Folha de S.Paulo, 3 de julho de 2022).

A Eletrobras, empresa estratégica, patrimônio público, é vendida a preço de banana. Há dinheiro sobrando no orçamento secreto, e para benefícios válidos só para o período eleitoral, há dinheiro tirado de outras setores, como saúde e educação. A “Fiesp critica projeto que contingencia pesquisa e inovação” (Valor, 12 de julho). Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o Brasil investe pouco em pesquisas e inovação.

Enquanto a população tem o direito de igualar políticos da oposição e da situação, quando votam do mesmo jeito, os “Senadores aprovam ‘PEC DO DESESPERO’ (Tribuna, 1° de julho de 2022) e Maria Cristina Fernandes (Valor, 7 de julho de 2022) comenta: “A aprovação da PEC do desespero, dará ao presidente Bolsonaro um volume mensal de recursos (R$ 12 bilhões) em valores nominais, quatro vezes maior do que aquele dispendido pelo Bolsa Família (R$ 2.9 bilhões)”.

A Amazônia é palco de desmatamento desvairado e de mineração criminosa e tráfico permanente, lê-se que “Em 1 ano no meio Ambiente, Leite acumula números piores que Salles” (Folha de S.Paulo, 4 de julho).

A situação da população brasileira, com essa política neoliberal costurada muito antes da guerra da Ucrânia, é revelada pela pesquisa do Serasa, divulgada em abril: 66,1 milhões de pessoas estão negativadas, elas não têm dinheiro para quitar suas dívidas. E vai ficar pior, é a previsão (Valor, 10 e 11 de julho).

O governo federal não assume nada, os culpados são governadores e o Presidente da Petrobras, mas Pérsio Arida, no jornal Valor de 9, 10 e 11 de julho, diz claramente: “Inflação é sempre o resultado de uma falha do governo”. “Nosso primeiro compromisso tem que ser com a democracia. Estamos vivendo um retrocesso civilizatório”. “Com uma boa agenda ambiental e respeito às instituições, o Brasil deixa de ser um pária dos investimentos”.

Preocupação única é ficar no poder, acreditando no caos, que promove, e agora “Bolsonaro turbina Auxílio, mas corta verba de outros programas sociais” (Folha de S.Paulo, 10 de julho).

O discurso do ódio, ilustrado pela liberação das armas que chegaram mais fácil para as milícias e os traficantes, tem demonstrado sucesso nos seus efeitos, tanto que “Bolsonarista invade festa e mata petista a tiros no PR – Agressor que foi ao local dizendo ‘aqui é Bolsonaro’ também acabou baleado” (Folha de S.Paulo, 11 de julho). Mas essa violência não é isolada, pois, na mesma edição: “Clima tenso sugere escalada assustadora na eleição”. “Atirador apoia direita e governo nas redes”. E, no mesmo jornal, no dia 13, lê-se: “Escalada da violência é mais provável que golpe, afirma cientista político”.

Sempre a educação é o mantra. O Ministério da Educação recentemente esteve à mercê de pastores corruptos, com CPI para depois das eleições, mas a verdade é que “Vivemos grande retrocesso na formação humana”; “O Brasil desenvolve seu sistema educacional de forma “frustrantemente” lenta e ainda vive uma fase de retrocesso”, diz o cientista social e escritor Eduardo Giannetti, na Folha de S.Paulo de 25, 26 e 27 de junho.

“SP teme mais assalto, e em Minas e no Rio o maior medo é a bala perdida – Risco de ser assaltado assombra 4 em 5 moradores dos três estados, mostra Datafolha (Folha de S.Paulo, 9 de julho). E na mesma edição, como prova de ajuda exposta aos amigos: “Planalto fez pedido ao MEC por pastor, aponta e-mail”.