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Nossas Forças Armadas? Que assim não sejam.

07 segunda-feira ago 2023

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A grande imprensa que fixou a imagem negativa de Lula, mediante um volume inacreditável de notícias fornecidas pela fábrica curitibana da ilegalidade processual, descobertas e reveladas como atos inacreditáveis de verdadeira bandidagem togada – essa grande imprensa – deixa a cidadania desprezada da verdade verdadeira, que felizmente está sendo veiculada, na riqueza das descobertas pela imprensa independente, que se assiste no YouTube, no canal 247, GGN etc. O mesmo acontece em relação à exuberância da corrupção do governo anterior, acompanhada das traições dos juramentos do dever e da fé profissionais.

Recentemente, emerge o comunicado militar sobre o dia 8 de janeiro dizendo que não houve vigilância adequada do novo governo. Ora, ora! Essa não. O golpe foi preparado, durante quatro anos, assim escandalosamente, apodrecendo o que poderia apodrecer, na desorganização do Estado brasileiro, animado pelo discurso do ódio. Esse ódio até convocou mais de 40 embaixadores, para desacreditar as instituições do Brasil. É normal um Presidente de um país falar mal do próprio país, para representantes internacionais, convocados para publicamente ouvi-lo? É normal ouvir-se esse besteirol e ficar apoiando todo tipo de desvio? Militares participaram de toda a sorte de bandalheira, como a do tal tenente-coronel indicado pela sua Instituição, mas seguramente não o foi para agir como “trombadinha” ou “trombadão”, falsificando documentos de vacinas, recomendando a entrega das joias recebidas clandestinamente para o seu chefe, e só para ele, e até procurar vender um rolex cravejado de diamantes. Para não dizer do comício e depois da baderna organizada às portas dos quartéis, berço da impensada invasão dos Poderes da República.

Querer separar essa pública preparação do ato, que até teve o achado de um decreto em papel timbrado, prontinho para anular o resultado das urnas e prender o Ministro Alexandre de Moraes, constitui um desmentido tão tolo quanto ineficaz. Seguramente, só não aconteceu o golpe pela forte reação das forças democráticas, nacionais e internacionais, e também porque muitos generais, nos comandos de tropa, se recusaram a participar dessa loucura, e a não trair o juramento que fazem ao receber a farda e os símbolos da instituição permanente, como defensores da soberania nacional e da democracia.

Afinal, quais são esses generais? Somente os golpistas aparecem com seus penachos de arrogância impune, que ataca a dignidade alheia, ora em nome dessa viúva-alegre chamada corrupção, sempre disponível a qualquer canto da sereia golpista, ora em nome do tal do comunismo cuja carga pesa na Instituição como viseira que impede o global olhar do interesse nacional, desligado de interesses geopolíticos de potências estrangeiras, como impede a visão aprofundada da nossa realidade e das riquezas nacionais postas em benefício de nosso povo. O resultado impede, ainda, a formulação de um sentimento de nação, que animaria um projeto de desenvolvimento nacional equidistante da movimentação guerreira das grandes potências. Todos sabem, ou deveriam saber, que tal projeto não será feito por um partido, ou por um homem, mas por uma consciência que invada a das pessoas e o dever das instituições do país, civis e militares. Não haverá redenção sem todos.

Nessa etapa da vida nacional impressiona o jogo indeciso, duvidoso, carente de determinação clarividente, em manifestações sucessivas que depõem contra a credibilidade da Instituição militar. Haja vista aquela declaração sobre as urnas, que concluiu não apresentar fraudes, mas ainda assim não excluíam a possibilidade de elas existirem. Uma ressalva que circula no mundo da fantasia. Agora, se sabe que o hacker de Araraquara esteve em reunião no Palácio do Planalto e informou ao ex-Presidente não conseguir ingressar na rede das urnas. Mesmo assim foi enviado ao Ministério da Defesa para dar sua contribuição para e naquela fatídica declaração, que só serve para desmerecer a Instituição. A Polícia Federal descobriu essa patranha e muitas outras.

E aquele Almirante que trouxe as joias clandestinas da Arábia Saudita, típicas de propina, e que seguramente não estava autorizado por nenhum regulamento militar a agir como agiu, e muito menos os outros militares, inclusive aquele do Estado Maior, que atiçava para que o golpe acontecesse, com a promessa de que os coronéis atropelariam os generais.

Essa gente está protegida? Um dos atuantes golpistas era militar expulso das Forças Armadas, mas cuja mulher recebe o que ele teria direito, se expulso não tivesse sido. Só que historicamente há questões que permanecem no imaginário, criando desconfiança. Exemplo dela é a recente questão Pazzuello, protegida pelo manto do sigilo centenário, que ainda está para ser revelada. Ainda está no imaginário o atentado do Rio Centro, que ficou enfurnado no arquivo, mas palpitando com o pedido de nulidade do Relator do Superior Tribunal Militar.

Afinal, são essas as nossas Forças Armadas com ética democrática, da qual flui o dever de transparência? Creio que não são, tanto que na Folha de São Paulo do último domingo publica-se essa pergunta incrível, para um professor universitário responder: “As Forças Armadas ainda são ameaças”. Mas elas ameaçam, paradoxalmente, o Brasil? Não são eventuais interesses externos que nos ameaçam?

Que assim elas não sejam.

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A vergonha histórica do racismo

31 segunda-feira jul 2023

Posted by Feres Sabino in blog

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Se a velhice é a carga pesada para as pessoas, para as mulheres e homens negros essa carga passa a ser pesadíssima, quando sobrevivem.

Esse assunto da primeira linha da gravidade ocupa uma reportagem da Folha de São Paulo, do último dia 10 de julho, que é sempre uma advertência, sempre uma proposta de redenção, é sempre um motivo de reflexão para expurgar de nosso meio, cultura ou estrutura pessoal, ou social, esse medo, esse fluxo de discriminação que muitos pensam ser natural, porque afinal negros e negras são diferentes, esquecendo-se de que diferentes eles o são, mas só na aparência.

O trabalho jornalístico é assinado por Laura Mattos e traz o depoimento de mulheres negras, poetas, as três, Célia de Lima (75), Adélia Martins (67) e Terê Cardoso (70), que trabalham no projeto Continuar “que promove ações culturais e educacionais para a terceira idade”.

São elas, na verdade, as vítimas que conseguiram sair da sombra sufocante da escravidão, adquirir a consciência crítica que as coloca num lugar do mundo e da sociedade do qual sabem e conseguem reverberar não só a crueza de sua experiência, como conclamar a humanidade, procurando atrair o que existe em nós de humanos e para começar a quitação de vez desse passivo histórico.

Se elas, poetas, são a carne viva dessa lembrança histórica, que está diariamente na nossa culinária e sua voz afro, está na música com seu ritmo às vezes alucinantes, às vezes pausados, está na nossa cultura e na nossa prosa machadiana, como está nas paredes de Mariana, tratadas com o mesmo desprezo com que se admira, mas não perdoa Aleijadinho, na suposta contradição de quem é como artista e quem foi como cor da pele.

Outra face da discriminação e da violência contra a mulher negra foi revelada pela pesquisa sobre a gravidez, mas quando ela deve ser interrompida. Quando se trata de mulheres brancas existem números, estatísticas, tem-se a informação adequada para ser avaliada e divulgada, podendo definir determinada política. Entretanto, o eloquente é inexistir quaisquer dados, qualquer percentual, em relação às mulheres negras. Ou seja, na faixa social que seguramente apresenta mais problemas, a gravidez é levada até o último minuto. Qual o motivo real dessa omissão? Será medo? Será vergonha? Será o difícil acesso aos serviços médicos? Ou será porque a inferioridade introjetada no espírito da descendência escrava, tão forte no painel de nossa convivência social, impede a mulher negra de procurar, regular e normalmente, a solução de seu problema.

Se a gravidez, que deveria ser interrompida e não o foi, é um problema que atinge a mulher negra de qualquer idade. Essa coerência cultural ou a imutável fixação estrutural incide até na velhice da mulher negra, ou branca, sendo que essa onda histórica atinge a saúde, corporal e psicológica, a situação econômica, a segurança e tudo o mais que engloba a vida em sociedade.

Nesse mundo de tantas guerras, essa de negar a própria formação histórica, que conflui o índio, o negro e o branco, tem a gênese de ser ora invisível, ora visível, mas contínua, lógica, brutal, tanto que para ela nunca existiu armistício: nasce negro ou negra, seu mundo é da violência.

Essa triste vergonha histórica está estampada nos números atuais do Anuário da Segurança Pública, pois, os registros policiais registram o quadruplo dos casos de racismo, entre 2018 e 2021, sendo que em 2022 houve uma alta de 31%, em relação a 2020. Os mortos pela polícia são a maioria negra.

A qualificação de racismo cultural ou estrutural para essa realidade política, social, econômica, pouco importa. O que ataca ou deveria atacar nossa consciência é a emergência da realidade histórica que nos faz um país negro ou pardo, com a imensa contribuição afro em nossa forma de ser, seja na cultura, no esporte, na culinária, na formação de nossa sociedade, que nega estupidamente essa gigantesca presença desigual em nossa formação miscigenada.

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Voltar para casa

24 segunda-feira jul 2023

Posted by Feres Sabino in blog

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Foi o tema da reflexão que o meu irmão “de fé camarada” Marcos Zeri Ferreira apresentou no ambiente teosófico, e que foi irradiado pelo meio virtual, através de muitas redes sociais, disponibilizada pela Sociedade Teosófica.

Sua ilustrada palestra apresentou dois caminhos para as duas casas, uma a que se vive, outra para a qual voltaremos, com o apagar de nossas luzes de vida. A primeira é a do corpo, da alma, do espírito, que compõe a individualidade humana, que se pensa ser a única no universo, quando a própria ciência cria dúvidas profundas quanto a isso.

Essa inflexão, chamada de primeiro caminho, é para o si mesmo. Uma rota sempre inacabada de autoconhecimento e descoberta, que faz da pessoa um centro crítico de si, sem ignorar e desprezar as circunstâncias da vida, mas sem demorar nelas ou retê-las como imposições. É uma libertação que procura o êxito espiritual sem se distanciar delas e sem desprezá-las como fonte de criação. Essa evolução acaba dando uma forma de compreensão que aprofunda mais e mais a curiosidade do conhecer-se, e que a pessoa faz para descobrir, distante do apego material, imposto na atualidade da sociedade de consumo, como em outras épocas em que se produziram outros atrativos à vontade e à ambição. Dedica-se a um espiritualismo crítico de si em si e segue adiante no caminho de retomada plena da sua “casa”.

Existem mil caminhos para essa andança de volta ao si mesmo. Os padres do deserto e os eremitas talvez sejam um ápice desse esforço gigantesco para se atingir uma dimensão espiritual, que sintomaticamente se revela riquíssima na magreza do corpo, e no olhar brilhante de quem conseguiu voltar e assumir sua “casa” corporal e espiritual, fazendo nela a faxina da redenção. Marcos ilustra com as vertentes espirituais da história sua palestra do “voltar para casa”, digo eu, para essa sua casa.

Mas lembra que a partícula infinitesimal que está nas estrelas está nos homens, nas mulheres, nas crianças, nas plantas e nos animais, que estabelece uma invisível interligação entre tudo e todos que existe, como uma sinfonia universal drasticamente traída pelo império da razão, que coloca em nível inferior ou ignora a percepção e a intuição, que fazem os dominadores de si até adivinharem as coisas e o mundo.

Essa é a segunda rota para uma hipotética segunda casa para a qual necessariamente se volta ou voltará.

Lembro-me do que escrevo celebrando, respeitosamente, a morte de quem morreu: ele (ou ela) retornou para os azuis donde veio e para os quais voltaremos.

Marcos Ferreira insiste na interligação entre o visível e o invisível, entre o oculto e o aparente, entre o silêncio e o ruído, em razão do que a volta para si com suas conquistas e redenções é, na verdade, a única casa dos dois caminhos, das duas vertentes da vida.

Quando se tem a humilde coragem ou a coragem humilde de procurar a primeira casa, na verdade, você está construindo o alicerce da outra, já que você leva o que é, e ser como ser humano, abandonando o corpo inerte para ocupar a outra casa, que é a mesma casa, vivenciada agora na dimensão da essência espiritual.

Nela, a pessoa responde por seus atos praticados na terra, como ensina a religião católica, ou retorna para se aperfeiçoar e se purificar, se precisar, em reiteradas reencarnações, como ensina a doutrina espírita.

O fato é que a reflexão é sobre a harmonia do universo, que é a dona da interligação necessária entre o ser humano, os animais e as plantas, decorre, como lição, de correntes religiosas e humanistas, que se ocupam da solidariedade como lei natural da convivência entre os humanos, as coisas, os animais e as plantas.

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