A corrupção é uma prática roedora do interesse público. Não se pode ter, com ela, nenhuma condescendência.
Entretanto, por maior que ela apareça e cause indignação e revolta após a lavagem a jato de seus escaninhos malcheirosos, não se pode perder de vista que ela só aparece assim porque vivemos uma democracia.
Nossa democracia é incipiente, marcada por desigualdades profundas. Ela exige muito tempo de construção abastecida pelo valor ético, atraente e sedutor da justiça. Porém, a verdade é certa: a corrupção só apareceu porque há liberdade. Afinal, na democracia tudo tem possibilidade de aparecer publicamente. No autoritarismo, e particularmente, na ditadura, tudo tende a não aparecer publicamente.
Por isso, qualquer que seja a intensidade de nossa revolta e de nossa indignação diante de relatos sucessivos da desfaçatez dos roedores públicos, não podemos esquecer de que a nossa fé, o nosso credo, é o democrático.
Nosso aparato judiciário tem defeitos e desvios, nossas casas de leis têm defeitos e distorções, como o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, exigentes de compensações ilícitas e determinantes de ocupações de cargos-chaves por indicações partidárias com pessoas que cumprem o serviço de arrecadação de quantias e valores inacreditavelmente grandes. Porém, tudo tende a aparecer, como apareceu e vai aparecer, porque vivemos na democracia e é ela que tem essa vocação inata para a transparência, como é obrigação constitucional da administração pública.
O noticiário sobre corrupção nacional e internacional é imenso. Chama-nos atenção a investigação, entre 2005 e 2014, no Pentágono, centro militar e símbolo do poderio do Ocidente, em Washington. O Departamento de Defesa norte-americano descobriu bilhões de dólares em propinas para obtenção de contratos, além de material com preço superfaturado jamais entregue. Até manutenção dos serviços dos helicópteros oficiais não escapou à sanha dos militares corruptos, que dispunham de prostitutas, nas viagens, como parte do “pacote” roedor.
Na China, a campanha anticorrupção, que tem dado crescente popularidade e credibilidade ao governo, já puniu mais de 100 mil funcionários e chegou ao comando do Exército.
Tolerância zero é o que se recomenda à pratica da corrupção no Brasil e no mundo, mas no exercício pleno dos direitos republicanos, salvaguardando a Democracia, cujo regime ou sistema exige reformas, aqui e acolá, mas sempre com a certeza de que seu perfil está sempre pacientemente inacabado.
Caro FeresVocê lembrou bem, ao final, que os poderes republicanos devem permanecer intocáveis.Infelizmente, não é esse cenário que observamos no momento.Daí a legitimidade dos movimentos populares espontâneos ( não aqueles da “turma do Stedile”, invocados, em ameaça, pelo ex-presidente Lula) que, ao combaterem o Executivo manipulador dos demais Poderes, têm em vista, ainda que em caráter mediato, o equilíbrio das forças republicanas.AbçDora
Date: Sat, 21 Mar 2015 16:05:46 +0000 To: doravendramini@hotmail.com
Muito bom Feres! A corrupção é apartidária e institucionalizada. A manifestação é legítima, o que não é legítimo é o tom de histeria que dela fazem, para direcionar a opinião pública. O mais importante é que, apesar de ser uma prática fundamentada em todas as esferas nesse país, a corrupção vem sendo investigada como nunca pelas instituições democráticas que vem punindo e prendendo executivos de maneira exemplar, em casos como o da Petrobrás e, quem sabe, o da Siemens entre tantos outros.