Ouço rádio, frequentemente. O jornal da rádio Globo, entre 12 e 14 horas, quase sempre. Naquele dia ouvi um comentário daquele jornalista que é da Academia Brasileira de Letras, sobre o pedido de indiciamento de Ministros do Supremo Tribunal, feito no relatório do Senador Alessandro Vieira da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Crime Organizado, que não foi aprovado.
O que todos sabem é que o Crime Organizado continua na mesma, organizado, apesar de ter sido a motivação única para a instalação da tal CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito. Sabe-se que é princípio constitucional a exigência de apuração de fato certo e determinado. Todavia, o acadêmico comentarista nem tocou no assunto do Crime Organizado, absolutamente ignorado. O que ele deu relevância constituiu a matéria jornalista e eleitoral do dia, falando só do Supremo Tribunal.
Com essa atitude omissiva, o Crime Organizado prova que continua mesmo organizado. Uma CPI sob a inspiração meramente política-ideológica protege o crime organizado, mas a imprensa nada disse sobre essa consequência perversa. Mais, a prorrogação de prazo da CPI não está na competência do Supremo Tribunal Federal, no caso, a competência é do Presidente do Senado Federal que deveria prorrogá-la. Seguramente, ele não tem interesse nessa investigação já que se criou situação indigesta para Davi Alcolumbre, pois, o indicado dele, contrariando todos os pareceres administrativos, autorizou o Fundo de Servidores de Aposentados do Amapá a aplicar uma fábula de dinheiro no Banco fraudulento: esse indicado pelo poderoso Presidente do Senado já está preso pela Polícia Federal. Assim, a CPI do Crime Organizado deixa o crime organizado como está, e o crítico acadêmico nada fala, prefere criticar o STF.
No mesmo dia, o comentário da Vera Magalhães sobre a viagem de Lula e sua delegação para a Europa. Para ela, ele deveria permanecer no Brasil cuidando dos problemas da rotina governamental, já que nada traria de benefício para o país, falando até do número de pessoas, inclusive empresários.
O jornalismo responsável deveria se inteirar da pauta da viagem para cada país visitado pelo Presidente. Como a jornalista não teve a cautela de realizar esse mínimo ato antes da viagem, ela tem a obrigação de se inteirar do resultado dela, analisando os atos concluídos em cada país. E, seguramente, o seu comentário, a favor ou contra, seria enriquecido se avaliasse o encontro político internacional da Convenção Progressista acontecido na Espanha, como também poderia analisar, se contra ou a favor, a assinatura dos doze termos de cooperação. Na Alemanha, o Presidente conseguiu que o Acordo Comercial entre Mercosul e Europa antecipasse, provisoriamente, sua vigência para o dia 1º de maio. Ela poderia dizer sobre o significado desse acordo discutido durante mais de duas décadas, e o que e como repercute na produção rural e na economia como um todo.
A omissão relativa ao conceito elevadíssimo de Lula entre os governantes do mundo, que o convidam e se sentem honrados com sua presença, pode continuar assim, nem a desmente, nem a registra, um silêncio total.
Nessa lógica de ferro, outro dia, o jornalismo da CBN – rádio local, Ribeirão Preto, informou sobre o movimento de rua dos servidores da USP, mas omitiu a razão dele, que o era um protesto provocado pelo Decreto do governador, que extingue cargos, inclusive de pesquisadores, e que representa a preparação da precarização, da terceirização, que ele coloca como programa de governo para o extermínio estatal. Hoje, além dessa imprensa omissa, parcial, o cidadão necessita procurar a imprensa independente, para saber não só como nãoficar à margem da realidade, como também saber e poder construir o seu espírito crítico.