Quando soube, a primeira vez, que ele estava internado lá no Hospital da Unimed, eu o visitei, e pudemos relembrar muitas histórias em comum.
Quando fui, numa segunda vez, numa outra internação, ele já recebera alta e voltara para casa.
Esses foram meus últimos movimentos para reencontrar o Joaquim Rezende, falecido no último dia 29 de julho.
Nosso encontro inicial foi no antigo MDB, em 1976, quando candidato a Prefeito, Joaquim foi o vice. Posteriormente, na candidatura do Antônio Palocci, com a coligação PT/PSDB, em 1992, meu esforço foi para que Joaquim fosse o vice, como realmente ele o foi.
O ingresso na política alargou o campo de semeadura que se oferece às pessoas devotas do humanismo, cristão ou não. Joaquim com seus seguidores vieram da prática social da igreja católica, vivenciando a igreja preferencial dos pobres”, “o desenvolvimento é o novo nome da paz”. Época em que a teologia da libertação colocava a salvação dos povos na superação das estruturas sociais injustas, colonialistas, violentas e separatistas.
Os cristãos foram, ardilosamente, confundidos com os comunistas, porque ambos eram contra o imperialismo ocidental. E defender um Estado forte, dono de empresas estratégicas para o país, era o mesmo que ser comunista.
A linguagem igualou duas frentes de luta anti-imperialista, na qual a aproximação entre a União e os Estados e Municípios seria o instrumento aglutinador de nossa fé, de nossa luta, de nosso cardápio político da época.
E a política entrou de vez no coração, na alma e na consciência do Joaquim, que depois da vice-Prefeitura, ocupou os cargos que só vivenciaram aquele espírito inquieto, que nessa última etapa da vida se manifestava através da palavra poética, que disseminava pelo Whatsapp.
Com a experiência de cargos públicos, especialmente como Diretor-Executivo da Funap, cuja finalidade era e é a recuperação do homem e da mulher encarcerados, pude melhor compreender as duas dimensões visíveis do Joaquim, que a rigor se encaixam em todos que têm tal origem de atuação e tal sequência pública dessa vocação: se o trabalho social tem como forte a religião, ou simplesmente um humanismo emergente de uma alma nobre, o trilho é o da caridade; se o trabalho social tem como fonte pública, o trilho é o da justiça.
Assim, recordar nossa campanha é registrar a presença de dois outros companheiros falecidos, que estavam naquele time, o João Cunha, no auge de seu prestígio parlamentar e profissional, era convidado para discursar na Bahia, em Minas Gerais, e o outro era o Flávio Condeixa Favaretto, que até chegou a acreditar que nossa campanha de trintas dias só precisava de um evento inesperado, forte, abalador, surpreendente, para vencer.
Joaquim e nós fomos os lutadores dessa luta. Aos mortos nossa homenagem e nossa saudade.