Geralmente, o Conselho Deliberativo acolhe muitos que sonham em estar no alto do poleiro, para chegar a sua vez de morder o osso, e não querer largar.

O São Paulo Futebol Clube, do qual sou torcedor, como do Botafogo de Ribeirão Preto, teve uma sequência de más gestões, apoiada pelo tal Conselho, que o colocou no patamar do esfarelamento do conceito e das finanças. Esses Conselhos são integrados por pessoas de competência variada, muitas de honestidade reconhecida, mas que geralmente não ficam atentos aos gastos, nem à eventual queda dos serviços do clube ou associação, ou ao perigo que tais gastos representam.

Geralmente, jantares solenes e pequenas benesses oferecidas aos membros do Conselho Deliberativo retiram a consciência de uma fiscalização determinada e determinante dos gastos e das contas para se definir e punir a gestão temerária, em que a boa-fé tende a não acreditar.

Com o São Paulo Futebol Clube seguramente acontece a mesma coisa.

A imprensa e seu noticiário sugerem algumas observações, que revelam o dever molenga que também ataca a arena do futebol, que arrasta não só um clube.

Por exemplo. O Presidente do Conselho Deliberativo do glorioso São Paulo FC, que usava um dos dez carros caríssimos, importados, que o Clube conseguira em protocolo com uma agência ou concessionária, conseguiu ser multado no trânsito 107 vezes, vou até repetir, cento e sete vezes. Ele não pagou nenhuma multa, já que está previsto no contrato que a responsabilidade de pagar é do Clube e da concessionária, disse ele.

Conclusão: essa responsabilidade desconhece a proporcionalidade, que sugere que três ou cinco e até dez multas não chegariam à ideia de um abuso deslavado, como chega o número exagerado de cento e sete multas. A ideia do abuso não passa pela cabeça do Presidente do Conselho Deliberativo, que tem a função de fiscalizar o abuso da gestão temerária.

Outra: a imprensa divulgou que o Clube pagava uma secretária que ficava no escritório profissional do Presidente do Conselho. Depois, o noticiário desapareceu…

Esta é mais do que inacreditável: os jogadores estão sem receber direito de imagem há meses, e ficaram sem o salário mensal também. A Diretoria teria conseguido um adiantamento de cento e quarenta milhões, que daria a tranquilidade aos jogadores para a disputa das partidas, que são absolutamente importantes e decisivas, para evitar o rebaixamento do Clube. Esse contrato dependia de rapidez na análise e aprovação do Conselho.

O Presidente do Conselho não deu à matéria a rapidez que o Clube necessitava, para dar tranquilidade aos jogadores que buscariam pontos importantes, na escala da classificação. Nomeou uma Comissão para analisar o contrato, que fez reparos, e só marcou a reunião demorada do Conselho para o final do mês. Entretanto, foi preciso desistência daquela representação feita pela Diretoria, junto ao Conselho de Ética sobre ato-fato digno do pedido de expulsão do próprio Presidente do Conselho.

É óbvio que jogador que não recebe salário não pode ser chamado de mercenário, nem mesmo ter obrigação de manter a tranquilidade diante dos compromissos familiares e pessoais, que naturalmente ele tem.

E o Conselho Deliberativo segue seu destino, tratando desse jeito-maneira o interesse do Clube, que chegou a ser modelo no futebol brasileiro.