O lema do fascista: não discuta, ofenda

A ordem fascista é criar o Grande Medo

A minuta do decreto de declaração de estado de emergência, em papel timbrado, prontinho para ser assinado e publicado, encontrado na casa do ex-Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, ex-Ministro da Justiça, atualmente preso, que viajou na véspera do ataque terrorista de 8 de janeiro para a Flórida, parece uma alma penada em busca de um corpo, mesmo que canceroso, quando, na verdade, se encaixa direitinho, como auge, na sequência de atos e fatos públicos, largamente conhecidos pela ousadia, desfaçatez e banditismo anticonstitucional. Afinal, quantos golpes foram tentados em quatro anos de governo?

As almas decentes ainda se perguntam: era mesmo para dar o golpe?

Ora, se você assistir à entrevista do Prof. Chico Teixeira, renomado professor de História Moderna e Contemporânea da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro, que se especializou em assuntos militares, depois de ter sido da Escola Superior de Guerra e da Escola do Estado Maior do Exército, você saberá por que estamos, ainda, num processo de golpe fascista. Esta entrevista está no jornal GGN-20 horas, jornalismo virtual independente, Luiz Nassif.

Ele elenca vários fatos e atos acontecidos durante os quatro anos do último governo, golpes tentados, em que a mediocridade foi apresentada como talento novo, redundando no desmonte das políticas públicas do Estado Brasileiro. Todas, sem exceção.

Nesse contexto não se dá a devida relevância às 16 (dezesseis) torres de transmissão de energia elétrica danificadas, que servem a milhões de pessoas, e que desde o dia 8 de janeiro, de acordo com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica enviados à BBC News Brasil, que o Google registra sob o título “GUERRA HÍBRIDA: A DERRUBADA DE ENERGIA NO BRASIL SERIA PARTE DE NOVA TÁTICA DE CONFRONTO?”.

Agora, o que era pontual, aqui ou ali, como o ataque às escolas, de repente virou estímulo à propaganda desse ódio gratuito, a ponto de o governo ter mandado prender 200 (duzentas) pessoas, envolvidas nessa crueldade.

A prática do fascismo, além de cumprir o lema “não discutir, ofender”, segue religiosamente a prática de criar o chamado “Grande Medo” na população, para que eles assumam o poder e acabem com o mesmo medo que eles criaram. Dizem, mas sem dizer que são eles.

Recentemente, enquanto Lula estava na China falando sobre o dólar e a necessidade de trocá-lo pelas moedas nacionais “nas trocas comerciais”, e que a paz deveria ser buscada na Ucrânia, eis que três generais, inclusive o comandante do Exército, advertem que o Brasil está próximo de sofrer um ataque externo (será dos fantasmas?), algo tão destoante que fica girando no ar, com se fosse filho do fascismo que se dedica a criar o GRANDE MEDO.

O fato é que o Brasil, proibido de crescer pelas forças conservadoras e fascistas, está sendo sabotado por dentro do governo, particularmente com o Presidente do Banco Central confrontando a política social que o governo deseja executar.

Só na área da construção civil, sete milhões de pessoas estão aguardando os juros serem reduzidos para comprarem seus imóveis residenciais. Diz um diretor de Associação da área, em São Paulo.

Mais. Chico Teixeira diz que essa de militar ser julgado por Tribunal civil incomoda muito os quartéis. Muito do demasiado.

Brasília de ontem e de hoje

“Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro de altas decisões nacionais, lanço meu olhar sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”

Juscelino Kubitschek de Oliveira

A ideia da transferência da Capital do Brasil do Rio de Janeiro para o interior é atribuída ao Marquês de Pombal (Lisboa, 1699-Pombal, 1782), que em 1751 até contratou a elaboração da carta cartográfica de Goiás. Depois, essa mesma ideia foi defendida por José Bonifácio de Andrade e Silva (Santos, 1763-Niterói, 1838), cientista e político brasileiro, abolicionista, Patriarca da Independência, para quem era mesmo, por motivo de segurança, a necessidade dessa mudança. No entanto, foi a Constituição de 1891 que expressamente incorporou essa ideia. Apesar de providências subsequentes, sua realização esperou, no arquivo do tempo, a força de um sonhador decisivo, como Presidente, para inaugurá-la depois de 41 meses do início de sua construção, no dia 21 de abril de 1960, por Juscelino Kubitschek de Oliveira. Nasce Brasília.

Depois, com o golpe militar de 1964, Juscelino, tantas vezes humilhado pelos militares, que até anistiara logo no início de seu governo os revoltosos de Aragarças e Jacareacanga, como exemplo de tolerância política, foi proibido de visitar a capital. Ainda assim, ele conseguiu visitá-la, mas como carona de um caminhoneiro que o conduziu até lá.

Brasília, à época, como Distrito Federal, não tinha governador, assembleia legislativa, senador, tinha somente o cargo de Prefeito, que era nomeado pelo Presidente da República.

Foi com a Constituição de 1988 que ganhou autonomia, e passou a ter governador, vice-governador, 24 deputados e senador, eleitos pelo voto direto.

O perfil constitucional do Distrito Federal, como nossa capital, é a sede da União, responsável pela soberania do território nacional, e que entra em questão depois do ataque terrorista de 8 de janeiro do ano corrente, quando as sedes dos três poderes foram invadidas e depredadas nas inusitadas cenas geradas por quatro anos de pregação do ódio armado ou desarmado.

O Distrito Federal, na equivocada criação da Constituição de 1988, símbolo do solidarismo político-social e cultural, atribui a ele, Distrito Federal, a mesma autonomia que concedeu aos municípios do Brasil, fazendo-os entes federativos.

Acontece que a ilustração gerada pela barbárie do dia 8 de janeiro trouxe à luz a contradição configurada pela situação da União e sua sede representativa ficarem sob a proteção do Governador e de sua Polícia Militar.

Brasília, reconhecida como Patrimônio da Humanidade, ofereceu ao mundo a prova do gênio e da arte brasileira, por sua arquitetura arrojada e seus espaços planejados. Era, como é, motivo de orgulho nacional, apesar das alterações em seu projeto, que militares o fizeram.

Brasília enlameou-se com os governantes que mancharam a sua história pela corrupção impune. No entanto, um deles foi literalmente cassado, mas imediatamente lançou em substituição a mulher. A democracia brasileira oferece abrigo generoso de seus cargos públicos às famílias inteiras. Há família que até identifica os seus pelos números 01, 02, 03, 04, exibindo a prole da sorte. Essa prole ainda sonha vincular mais parentes à festança das rachadinhas. Um orgulho eticamente canceroso!

Houve um governador que patrocinou o inchaço migratório da cercania de Brasília, promovendo a distribuição gratuita de um milhão de lotes, construindo a gratidão coletiva dos votos em suas disputas eleitorais.

Leonam Liziero, em artigo intitulado “A autonomia do DF é anomalia federativa e foi erro dos Constituintes”, defende a tese de que o retorno do Distrito Federal à sua eficaz situação de sede do governo central, com o poder de nomear o Prefeito com a aprovação do Senado Federal, retirando de cena governador, vice-governador e assembleia legislativa, pode ser feita por meio de emenda constitucional, “uma vez que a limitação material de proteção à forma federativa não pode ser usada como justificativa plausível para impedir uma reforma…”. O jogo constitucional poderia ser a fonte de uma economia gigantesca, um saudável corte de despesas.

Da guerra e da paz

A guerra é o auge da estupidez solta no homem. Os aprendizes ou fomentadores dela são os propagadores do ódio ou os professores da indústria bélica, e seu interesse geral em armar o que pode lícita ou ilicitamente ser armado.

Defender a paz não significa escolher um lado. A confusão propositada desse discurso constitui arte perversa de quem faz ou defende a guerra.

No caso de nosso país, a nossa Constituição, esse diploma da convivência social, que tentam fazê-lo um vespertino, apresenta seus princípios vigentes nas e para as relações internacionais, que estão escritos no seu artigo 4º: Independência nacional, II- prevalência dos direitos humanos, III- autodeterminação dos povos, IV- não intervenção, V- igualdade entre os Estados, VI- defesa da paz, VII- solução pacífica dos conflitos, VIII- repúdio ao terrorismo e ao racismo, IX- cooperação dos povos para o progresso da humanidade, X- concessão de asilo político.

E ainda em seu parágrafo único estabelece o compromisso de buscar a integração econômica, política e cultural dos povos da América Latina, “visando a formação de uma comunidade latino-americana de nações”. Essa ideia integrativa foi adotada mais de 30 anos depois que a delegação brasileira, através do deputado André Franco Montoro, apresentou sua tese no Congresso Internacional da Democracia Cristã, realizado em Nova Iorque, em 1953.

Vê-se, pois, que essa gramática pacifista constitui o ideário de cada cidadão ou cidadã brasileira, e seus políticos são obrigados a vivenciá-los e cumpri-los.

A pauta desses princípios, que deveriam com os outros, serem ministrados nas escolas, em todos os encontros pedagógicos em que aprenda o que é democracia e sua estrutura básica, para banir de vez o discurso do ódio que dominou a cena brasileira, por quatro fatídicos anos de um tsunami político-social-ideológico.

Portanto, nossos governantes devem ficar escravos de tais princípios, independentemente de saber a situação geopolítica do país, se tem exército moderno ou não, para levantar a voz contra a estupidez da guerra.

E o que acontece na Ucrânia tem força expansiva para uma guerra total, que ninguém deseja, porque ninguém sabe quem sobra, ou como sobra, para contar a história.

A guerra, que aparentemente duraria pouco, foi engrossando, e a indústria das armas, que não pode ficar sem uma, tal como está acontecendo, em território alheio ao da indústria norte-americana, com a terrível esperança de enfraquecer a poderosa Rússia, sobre a qual incidiram as sanções econômicas do ocidente, que não afetaram a economia russa.

Uma fenda na retaguarda ocidental pode ser um aviso do final da guerra.

O Presidente da França, Emmanuel Macron, encarnando o espírito do General Charles de Gaulle, ressuscita o espírito de dignidade nacional francesa, que o vitorioso General encarnava, para declarar ao mundo que a Europa não pode ficar escrava dos interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos. E, se havia esparsos movimentos de ruas, em vários países, que se põem na mesma linha, o fato é que o braço militar do império dominador é representado pela OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, um pacto militar e de cooperação econômica, política e cultural criado em 1949 sob a liderança dos Estados Unidos, que teve um igual instituído pelo pacto de Varsóvia (1955/1991), no auge da guerra fria e formado pela União das Repúblicas Soviéticas, já extinto e já extintas. A Rússia diz não aceitar a OTAN em suas fronteiras.

Essa declaração do mandatário francês é a melhor notícia para arrefecimento do espírito e das ações guerreiras, porque seguramente logo outros países europeus, que estão vivendo os efeitos deletérios da guerra, terão a mesma coragem de dizer essa verdade simples.

Mas a realidade é que o mundo não é mais unipolar, com a perda da hegemonia norte-americana, e como poderá ela suportar essa perda? Afinal, ela vive de pressões, de ameaças e de guerra.

O jornalista Pepe Escobar disse mais de uma vez que os norte-americanos não fazem segredo ou sigilo de que têm plano de ataque, até atômico, sem pré-aviso aos países considerados inimigos.