Nossa Tribuna veiculou, minuciosamente, o episódio administrativo-político da permuta votada do prédio do Colégio Marista com uma privilegiada área da Prefeitura de Ribeirão Preto, situada na zona Sul da cidade. A matéria foi alvissareira porque “de comum acordo”, entre Poder Executivo e Poder Legislativo, ocorreu o veto formal à proposta.

Essa ideia de centralizar órgãos administrativos da Prefeitura é antiquíssima, como um dia ficou consignado nessa coluna.

No entanto, com a impossibilidade dessa troca, com a qual se perdeu muito tempo, continua a preocupação do Poder Público, já que emana da óbvia realidade de que o centro precisa ser revitalizado.

A rigor, os administradores que se dedicaram a isso não foram suficientemente preparados para oferecer ao presente e ao futuro uma obra digna de ser visitada inclusive como turista, como é o caso do calçadão, originariamente, construído quando o de Curitiba era o padrão-ouro a ser imitado. A cópia não seguiu o modelo, saiu um serviço de qualidade inferior, para depois o remedo apresentar postes que talvez quisessem relembrar o sacrifício das bruxas, na Idade Média.

Minha crença é que fazer na vida o que precisa ser feito, mas sem amor e paixão, é dar pano pra manga.

E como a consciência democrática não está massificada, o cidadão comum desconhece a própria força, especialmente quando organizada e presente, para interromper ou criar a obra coletiva derivada do dinheiro público.

Portanto, a realização de uma obra que deve ficar plantada durante anos, como o centro recuperado da cidade, merece toda atenção, todo cuidado, a convocação de técnicos, de especialistas para realizarem o que deve ultrapassar o limite do tempo, em função social e estética.

Por isso, a recuperação objetiva do centro, cujo incentivo é derivado necessariamente da política oficial, que captura o sentimento esparramado na cidade, deve alentar os prédios desocupados. E nisso pode nascer um novo conceito de centralização dos serviços administrativos da Prefeitura.

A melhor ideia que recolhi, até agora, foi a do experiente Marcos André Petroni de Senzi, que apontou os prédios desocupados dos bancos, que os tinham como agências, para que a Prefeitura com equipamento moderno, repleto de bem-estar e conforto, no acolhimento de quem precise de algum atendimento oficial, os ofereça com prazer e orgulho. Afinal, a qualidade das instalações é um respeito à pessoa, como o atendimento rápido faz com que se sinta a legitimidade do Poder Público, através do respeito e da confiança.

Mudando esse conceito, a revitalização do centro ganhará forte estímulo, e se os bancos tiverem dívidas tributárias junto ao Poder municipal, a aquisição dos imóveis será facilitada.

Teríamos uma centralização dos serviços, situados descentralizadamente, num mesmo espaço central, cuja proximidade faria o gosto de quem necessite estar visitando mais de uma repartição municipal, num mesmo dia.

Menciono que no trabalho legislativo a vereadora Perla Müller (PT) e o vereador Daniel Gobbi (PP) apresentaram emendas que contribuíram muito para esse desfecho alvissareiro.